segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

NORDESTE INDEPENDENTE?




Este texto é uma ficção em cima do texto Nordeste Independente, de grande prestígio, após a gravação feita por Elba Ramalho da obra de Ivanildo Vila Nova e Bráulio Tavares. Faço uma reflexão catastrófica de como poderia ser a forma de poder no Nordeste, caso este viesse a separar-se do Brasil e mantivesse as mesmas práticas políticas seculares que nos tornam depositários de grande parte da miséria e do atraso do Brasil.
(Allan Sales , Março de 2001)


O Nordeste apartado do Brasil
Como disse no verso o bom poeta
Qual seria por aqui fazer qual meta
Pra criar por aqui poder civil
A razão de pensar se aboliu?
Maciel morreria presidente
Mandaria ACM mais na gente
Todo povo por aqui tava fudido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Mesmo livre do jogo federal
No Nordeste teria qual comando
A patota que sempre vem mandando
Mandaria nisso aqui ponto final
Qual seria o projeto nacional
Desse grupo que foi subserviente
Ao sistema poder sempre vigente
Esse grupo mandou mas é vendido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Só governos calhordas mandariam
Extinção da justiça do trabalho
Só bem ricos aqui metendo malho
Da riqueza daqui desfrutariam
Do passado saudosos nos trariam
Um pelô de açoitar gente decente
Muitas horas trabalho no batente
Sem ter greve direito que abolido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

A maconha daqui que escoaria
Em navios por portos nordestinos
Uma corja canalhas mais suínos
A reinar com terror se implantaria
Fernandinho do pó que voltaria
Ao poder com projeto indecente
Pra manter o povão sempre indigente
E o direito social sempre esquecido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Tanto atraso travando com progresso
O poder a voltar a ser feudal
Muito voto que aqui só no curral
Pra mandar paus mandados pro congresso
Secessão que é idéia de sucesso
Pra quem pensa de modo tão demente
Essa idéia na certa é bem valente
Pra quem pensa de modo iludido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Latifúndios aumentam sua área
Com jagunços de mão com patrimônio
Com poder um macabro matrimônio
Pra barrar não haver reforma agrária
Pra manter sertanejo sempre um pária
Das migalhas da farra dependente
Miserável um povo é indolente
pelos tais enganado e oprimido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Dividir para que? Eis a questão
Pois a quem tal projeto que interessa
Eu não creio ser verdade tal promessa
De progresso na tal separação
Separando um pedaço da Nação
Entregando pra elite inconseqüente
Que não tem um projeto coerente
Do povão nunca vai tomar partido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

A polícia quebrando na porrada
Toda nosso protesto social
Essa elite de um modo bestial
Nunca vai aceitar ser contestada
Tem seus vícios fascista viciada
Pensa ser a senhora desta gente
Ao Brasil o Nordeste é pertinente
Separar delirar ensandecido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

O Brasil sendo um só tão grandioso
Manterá guardará a integridade
Dividir o país é insanidade
Tresloucado projeto e tenebroso
Tio Sam sei que é ganancioso
O Brasil não quer ver andar pra frente
Nós queremos futuro diferente
Um Brasil mais fraterno e mais unido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Terminado meu verso que lhes digo
Demonstrei novo modo de pensar
Vou louvando a cultura popular
Patriota ensinou daqui prossigo
O Sertão Pajeú me deu abrigo
Eu não faço cordel feito repente
Quererei labutar nesta vertente
Do Nordeste Brasil mais imbuído
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Um comentário:

Josevaldo Fortes disse...

INDEPENDENTE SIM, MAS COM PERFEIÇÃO. SE É PRA USAR A IMAGINAÇÃO, SEJAMOS GENEROSOS NO SONHAR. AINDA NÃO SE PAGA IMPOSTO PARA ISSO, ALAN.

Por favor deixe-me também rimar
Para que possa à altura responder
Peço a Deus a graça de conceder
Sua inspiração pra me animar
Pois Alan, sem deixar de te estimar
Vou falar sobre sua resposta quente
Ao poema Nordeste Independente
Que você nos legou num teorema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Contemple o poema como um todo
E não se detenha só numa parte
Que o lirismo daquela obra de arte
Não ilude a mente feito engodo
Ao contrário ali há um eletrodo
Que transmite e resgata fortemente
Uma luz de consciência pra gente
Ao denunciar falhas do sistema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Ivanildo quando aborda a política
Deixa claro ali suas intenções
Não apoia essa corja de ladrões
Nem está desprovido de autocrítica
Declamando de forma bem artística
Fala do ideal suavemente
Com ou sem utopia sugere a gente
Ocupar grandes cargos no sistema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Creio que você não é má pessoa
E acredito que não tô enganado
Só me pareceu meio traumatizado
Sobre o que há no Nordeste que destoa
Ninguém aqui é menino ou à toa
Da política o Vila é consciente
Por isso seus versos têm ingrediente
Que ajuda a resolver o problema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Caboclo, jangadeiro e vaqueiro
Cantador e gente simples governando
O poeta tá aqui simbolizando
Sendo contra ao nosso atual chiqueiro
Viajou mesmo sem ser maconheiro
Viagem bonita e surpreendente
E até evitou ser maledicente
Que a nobreza ali era o seu lema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Caro Alan, também concordo contigo
Que a política tinha que mudar
E o Vila também vem concordar
Quando fala o que já falei, amigo
Então se quer protestar eu te digo
Seja você mesmo um independente
E não use aquela obra valente
Como deixa para um outro problema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Tudo bem, denuncie todo o esquema
Da corrupção que há no Nordeste
Mas para que a isso tu se preste
Satirize o sistema, não o poema
Pois o Vila mostrou completo o tema
Leia nas entrelinhas atentamente
Ele não quer irresponsavelmente
Uma pseuda solução pro dilema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Fica claro que com a divisão
Tudo mais tinha que ser bem perfeito
Escolha do presidente ao prefeito
Tinha que ser sem a corrupção
Respeite então a imaginação
Que mesmo utópica desperta a gente
Não macule o que é limpo e transparente
Nem desvirtue pra falar do seu tema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Pois que você nem sequer ponderou
Não investigou pra saber o "como"
Se posicionou logo contra o tomo
No qual o Vila Nova se esmerou
Não penso que o poeta exagerou
Quando se expressou corajosamente
Sem faltar também artisticamente
No afã de curar nosso eczema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Falando sobre vícios do Nordeste
O poeta revela um senso crítico
Na certa lembrou do mundo político
Foi direto como um cabra da peste
No mundo há vício de leste a oeste
Não é essa então questão premente
O ruim é ver toda a nossa gente
Sustentar vício alheio com fé extrema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente

Vou ficar por aqui, me despedir
Com vontade até de me desculpar
Não me leve a mal por discrepar
Não foi minha intenção te sacudir
Mas não pude deixar de acudir
Ao Vila Nova que decentemente
Escreveu seu "Nordeste Independente"
Como resposta a opressão do sistema
Não critique assim aquele poema
Extrapole os limites de sua mente


(Josevaldo Fortes rsrsrs, com afeto)

https://www.youtube.com/watch?v=Pn4dcLPSU9w

https://www.youtube.com/watch?v=HR5pUrGJqck