segunda-feira, 5 de março de 2012

As mulheres reais


I
Celulite a estria até culote
A mulher a viver num pesadelo
E um quilo a mais não quer sabê-lo
Flacidez ela teme no decote
A mulher cada qual tem o seu dote
Elas são por aí bem naturais
A TV a mostrar belezas tais
Que na vida nos são bem rarefeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
II
A mulher que se vê preocupada
Quer mudar melhorar sua aparência
Com cosmético procura na ciência
Com o corpo ficar bem arrumada
A mulher mais comum é nossa amada
E com ela os gozos animais
As Giseles modelos são demais
É bem caro bancar essas sujeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
III
A mulher ideal toda beleza
Uma imagem real? Ou fantasia?
Toda mídia no mundo que anuncia
A mulher mais comum na correnteza
Pra ficar quase igual tome despesa
Malhações e regimes bestiais
As mulheres comuns são sensuais
Como essa irmão que tu aceitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
IV
A mulher ideal é só modelo
Que criou um mercado bem escroto
Pra vender muito mais povo maroto
E assim resolveu-se concebê-lo
A mulher que se tem é nua em pelo
E na cama nos geme em tantos ais
E com elas nós somos belos pais
Pois nos são as rainhas bem eleitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
V
Vejo tantas mulheres esticadas
Com botox na cara o escambau
Satisfeita não fica nem a pau
Turbinar seus peitões siliconadas
São assim as mulheres fabricadas
Cirurgias nas partes genitais
Muitas vezes as lipos são letais
Cirurgias aí que são mal feitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
VI
A beleza conceito relativo
E depende de quem puser o olhar
A mulher que nasceu para encantar
Tudo belo que tem é algo vivo
Dependendo do olho e do crivo
Tem afetos e afagos maritais
Ditadura das formas ideais
São idéias senis tolas suspeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
VII
A TV a mostrar moças magrelas
Que não comem não vivem só vegetam
As doenças terríveis lhe afetam
Anoréxica também outras mazelas
Bulimia transtornos que dão nelas
E só comem bem poucos vegetais
Perecer de doenças tão mortais
Nunca são com seu corpo satisfeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
VIII
Para amar a mulher não tem segredo
Basta só o olhar de um carinho
O calor aconchego deste ninho
Vá em frente amigo sem ter medo
Vai gostar desta deusa desde cedo
Ela tem mil trejeitos maternais
Vale mais do que bens materiais
E com ela pro futuro te ajeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
IX
Se as rugas que tem lhe incomodam
Muitas vão corrigir com cirurgias
Mas não tem um remédio pras estrias
Estas sim vem ali e não se açodam
Mas mulheres reais não se acomodam
Vão buscar tratamentos atuais
Os hormônios até cremes minerais
Não aceitam no corpo tais desfeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
X
A mulher bem real é a namorada
E esposa amada tão somente
O carinho que dá é envolvente
Por gostar com afeto ser tocada
A mulher é a flor mais delicada
Que brotou dos jardins celestiais
Seu afeto é nosso eterno cais
Se amar ao cuidar dela respeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XI
As mulheres reais são companhia
Que se tem com valor a vida inteira
Seja ela a doutora ou faxineira
Vai cuidar de você em cada dia
Seu calor de mulher que contagia
Seu amor de contornos divinais
Faz você despertar forças primais
Elas tem do amor todas receitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XII
O meu verso findando nesta hora
Pras mulheres comuns de todo mundo
E pra elas carinho mais profundo
Neste verso cordel que faço agora
A mulher soberana é a senhora
Que possui tantos dons paranormais
Ela tem todos tons sentimentais
Mais calor do que mil febres maleitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XIII
Tem atriz e cantora viciada
Em boyzinho botox e cirurgia
No Faustão na TV o povo espia
A dizer ó que véia assanhada
Outra tem um programa é enjoada
Um tormento das horas matinais
Com seu louro asneiras colossais
Ela diz cozinhando as receitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XIV
Tive uma que tinha silicone
Um quinhentos ou mais em cada peito
O serviço ali foi tão mal feito
Que de vaca a doida virou clone
E ligava pra demais no telefone
A pedir-me meu bem dê mil reais
Pra tratar destas tetas anormais
Duas tetas tão tortas não direitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XV
A Dercy era velha e bem escrota
Desbocada pirada e assumida
Moralista assaz sofreu na vida
Nunca quis a Dercy virar garota
Talentosa demais que só a gota
Baluarte das artes nacionais
A idade Dercy negou jamais
Demonstrou energias bem refeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XVI
Tem as frutas rabudas e vulgares
Melancia tem jaca e tem melão
São talentos de peito de bundão
Invadindo a TV e nossos lares
Mas também são piranhas populares
Cantam funks para os débeis mentais
Playboys com arroubos punhetais
São as frutas do resto das colheitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XVII
Dona Hebe Camargo bem perua
Uma véia legal uma gracinha
Começando na TV ainda novinha
Mas também não negou idade sua
Pra dizer a verdade nua e crua
Ela diz o que pensa e muito mais
E se rolam fofocas nos jornais
Ela diz são lorotas imperfeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XVIII
A beleza conceito da cultura
Variando de tempo e região
O que vale no fundo é a paixão
O amor de verdade que perdura
Da mulher vou pintar sua figura
Como fez o Vinícius de Moraes
Nos seus versos viris fenomenais
Ó Vinícius a mulher tão bem enfeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XIX
As mulheres reais beleza pura
Dessas que o poema diz sorrindo
Que elas são lindas flores aí florindo
E o Éden feliz que se procura
Elas são qual riachos de ternura
Diferentes mas no fundo tão iguais
Seu amores que são universais
E por elas a qualquer perigo peitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XX
As mulheres reais cuidam da gente
Como mãe nossa fêmea com calor
Elas tem o seu toque encantador
Mas mulher tudo igual mas diferente
Tem mulher no poder de presidente
Presidenta também diz o Houaiss
Pouco conta o modo que falais
No poder elas são muito afeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XXI
A mulher no Brasil foi paladina
Como Anita Pagu Leila Diniz
Irmã Dulce em outra diretriz
Fez o bem de uma forma genuína
Viva a força da graça feminina
São seus dons que são originais
As mulheres mandando são legais
Todas mães guerreiras insuspeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XXII
Elas são as meninas poderosas
Ao cuidar segurar coisas do mundo
As mulheres reais indo a fundo
Dão ao mundo vontade corajosa
Para nós as parceiras preciosas
Podem mais que canhões e generais
Mandam mais que quinhentos marechais
Quero ver no poder mais que prefeitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XXIII
Se Jesus que nasceu de Mãe Maria
Mas não foi da semente de José
Também ele na fêmea botou fé
Prostituta das pedras salvaria
A mulher toda vida que ela cria
Dela vem sentimentos fraternais
Nós os homens os seres mais brutais
A buscar o poder em mil espreitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais
XXIV
Vou falar neste verso da emoção
E dizer o que eu encontro nelas
Todas são ao seu modo donas belas
Ao tocarem assim no coração
O cordel sendo minha profissão
E também as escalas musicais
Vou deixar meu poema aos comensais
Meu leitor e leitora te deleitas
As mulheres reais não são perfeitas
As mulheres perfeitas irreais

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ESTROFES DE UM HEREGE EXCOMUNGADO.



A ICAR desde o começo
Viveu junto da caserna
Sempre perto do poder
Tal pendor que sempre externa
Esse seu santo tão forte
Sendo então sócia da morte
Vendilhã a vida eterna

Se Jesus de Nazaré
Foi um pregador da paz
Vaticano tão assaz
Com os nobres levou fé
E cruzada fez até
A antiga e a moderna
O passado se encaderna
Com massacre de tal porte
Sendo então sócia da morte
Vendilhã a vida eterna

E até bispo abençoou
Os canhões dos tais nazistas
Pra matar os comunistas
Muito se documentou
Se escravos já comprou
No inferno tem a perna
Satanás não se consterna
Pois pratica o mesmo esporte
Sendo então sócia da morte
Vendilhã a vida eterna

Acoitar pedofilia
Pecadilho das batinas
Tanta fé de almas suínas
Por detrás da sacristia
Sem falar da sodomia
Onde a moral aderna
Celibato não hiberna
A libido por consorte
Sendo então sócia da morte
Vendilhã a vida eterna

E assim mansos fiéis
Defendendo santidades
E nas vãs leviandades
Que exercem tais papéis
Mandam como coronéis
Abafar mazela interna
Fazer boa imagem externa
Que tem sido torta sorte
A ICAR sócia da morte
Vendilhã da vida eterna

Carismáticos histéricos
Opus Dei TFP
Onde tem um Fê dê pê
De falares bem coléricos
Pau no cu dos periféricos
A tragédia hodierna
Como escuro de caverna
Censurar verdade um corte
A ICAR sócia da morte
Vendilhã da vida eterna



ALLAN SALES

Vai-te embora do Pasárgada

( Poema psicografado por Allan Kardec do Nascimento Sales, pelo espírito zombeteiro de Gregório de Mattos)



Vai-te embora do Pasárgada
Ó tu amigo do rei
Lá tens o teu grande lero
Pra casa não volverei

Vai-te embora do Pasárgada
Vai-te embora do Pasárgada


Aqui eu não sou feliz
Lá a gerência é uma loucura
De tal modo ingerente
Que Maria Joana Pantanha
Venha ser contraparente
Do Judas que nunca vive



E como farei projetos
Empenharei pra poeta
Montarei em bedel brabo
Subirei naquela escada
Tomarei café demais



E quando estiver cansado
Chamarei a estagiária
Pra me contar as histórias
Que nos tempos de estudante
O DCE vinha contar


Vai-te embora do Paságada
No Pasárgada tem tudo
É outra repartição
Tem um processo seguro
De impedir a demissão
Tem telefone automático
Tem cafezinho à vontade
Tem funcionárias bonitas
Para a gente azarar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá eleitor sou do rei —

Darei o voto que quero

Joãozinho eu escolherei

Vai-te embora do Pasárgada

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Eleições no Brasil



No Brasil nas eleições
Ainda tem voto comprado
Pra prefeito e deputado
Todo tipo de mandões
Por aí gastam milhões
Eleição qual caixa preta
Muito jogo de mutreta
E a coisa se agiganta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Por tijolo por cimento
Até chapa novos dentes
A votar tantos carentes
Com a mente de jumento
O seu voto faz fomento
Do atraso tal faceta
O canalha com a caneta
Vai levar vantagem tanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

E depois de bem eleito
Eleitores esquecidos
Os acordos são rompidos
Já venceu ali o pleito
O canalha mais perfeito
É do Cão o estafeta
Muita grana na maleta
O povão ainda se espanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Já deu voto muita gente
E depois arrependido
Quem votou bem iludido
De prefeito a presidente
Ele é burro ou inocente?
Pra deixar mamar na teta
Eleição velha punheta
Fala bem gente tão santa
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Os discursos moralistas
Caixa dois desses senhores
Os que são os salvadores
São no fundo uns fascistas
Tem os fundamentalistas
Que são sócios do capeta
Com seu visual careta
Onde seu discurso planta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta


E os sócios de Jesus
Com a sua intolerância
Sua santa arrogância
Seu rebanho lhes conduz
Com seu cobre que reluz
Vão tocar nessa retreta
Não fim tem velha vendeta
Onde um velho galo canta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta


Pau mandado de empreiteiro
Porta voz de mafioso
Muito cabra ali seboso
Com um monte de dinheiro
Pobre povo brasileiro
Não anota em caderneta
Que lhe logra em carrapeta
Com mentira lhe imanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta


Vão votar nos arrochados
Com discurso salvador
Querem sim um protetor
Bando de alienados
Pra depois vão enganados
Ficar fora da carreta
Vão do cão ouvir corneta
E aí o atraso canta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Esquerdista de araque
Com discurso muito antigo
Dando uma de amigo
Aplaudido pela claque
Vai depois vestir um fraque
Se fartar com costeleta
Com picanha e com chuleta
Seu banquete que lhe encanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Defensor da natureza
Que se alia com a direita
Outra águia na espreita
Outro rei da esperteza
Ecológica defesa
Mas enchendo a caixeta
Veste verde camiseta
Se escolher nada adianta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Uma mídia submissa
Ao que tem mais atrasado
Um jornal manipulado
Uma VEJA qual carniça
No entanto a mundiça
Não percebe essa cruzeta
Como o voto dá chaveta
E depois se desencanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

E também as pregações
Que se fazem nas igrejas
Outras vis sutis pelejas
Dessas manipulações
As gerais enganações
Vão fechar a maçaneta
E tudo que se prometa
Não fará tal sacripanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Futebol e carnaval
Pão e circo e mais consumo
Pobre sempre leva fumo
Vota errado no final
E no pleito eleitoral
Mais escroto do planeta
Faz um demo na proveta
No poder algoz transplanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Aleluia deus cartão
Consumir mais e melhor
E dever sempre é pior
E votar numa eleição
Esperara a salvação
E não ler aí gazeta
O poder vai dar gorjeta
Seu quinhão sempre suplanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Olhadinha no passado
Só pra ver que o apóia
Ou então vai ter tramóia
Com o eleitor logrado
Mas se for assim ligado
Não vai aceitar peseta
Uma esmola ou muleta
Nem coxinha com uma fanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

Um projeto de Nação
Ou projeto de colônia?
É pensar sem parcimônia
E buscar voz da razão
É só nossa a decisão
De não dar voto perneta
E dar uma de xereta
A pesquisa é sacrossanta
No Brasil tem muita anta
Que dá voto a picareta

AO AMIGO ZÉ RIPE




Vejo Ripe arrepiando
Pia o Ripe na viola
Do forró samba e xaxado
Arrepia é show de bola
Não Zé Ripe hip hop
Nordestinamente pop
Ripiando tem cachola

Salve o Mestre do Frevo!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Releitura poética filosófica de pensamento visto no facebook

Não eduque seu filho pra ser rico
Ensinar ser feliz assim convém
Pois o filho terá em bom futuro
E verá como isso lhe faz bem
Saberá do valor que tem as coisas
Não apenas o preço que elas tem