terça-feira, 22 de novembro de 2011

Estrofe para Lucélia Leal




Na manhã não tão distante
De onírica visão
A rainha de uma raça
Despertando a emoção
Eu ali me abestalhando
E de longe admirando
Flor nativa do sertão

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Também morre a humanidade/Quando fere a natureza



O homem é um animal
Que pensa ser diferente
Bicho é bicho, gente é gente
Ele é um ser racional
O seu mundo industrial
Ele acha uma beleza
Mas o homem tem tristeza
E não aceita a verdade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Polui o rio e mata
Destrói o ecossistema
O progresso é o seu lema
Pois quer viver na mamata
Seu progresso desacata
Só acumula a riqueza
E põe bilhões na pobreza
Produz a desigualdade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Prosseguem neste caminho
Pondo bicho em extinção
Nesta nefasta ação
Virou um bicho daninho
Tornou-se um ser mesquinho
Acumula com avareza
Pra destruir tem destreza
Não repõe nem a metade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

O Brasil foi Pindorama
Paraíso original
O Brasil colonial
Destruindo o panorama
A natureza viu drama
E do branco virou presa
E o índio com surpresa
Ao ver tanta crueldade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Índios, milhões no Brasil
Trezentos mil hoje em dia
De tanta mata que havia
Muita coisa já sumiu
Em todo canto erigiu
De concreto a fortaleza
E pra por o pão na mesa
Usam veneno à vontade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Amazônia dá seu grito
Grita também pantanal
A destruição geral
Deixa o mundo aflito
Muito protesto foi dito
Mas reagem com dureza
Com quem saiu em defesa
Da bio diversidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Caminhamos para onde?
Com tanta destruição
O deus dólar é a razão?
Que a tudo isso responde?
O responsável se esconde
Dá desculpas com torpeza
Não existe vida ilesa
A tanta voracidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Respeitando toda a vida
Salvaremos toda a Terra
Corrigindo o que se erra
Com a voragem desmedida
Se a lição for aprendida
Demonstramos esperteza
E veremos com clareza
Que não há dualidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

sábado, 23 de abril de 2011

Mote baseado em postagem do facebook da amiga Laura



.
I
Somos nós seres completos
Tudo nosso está em nós
E de dentro nossa voz
Nossos sonhos são repletos
E na busca dos afetos
Tem princípio meio e fim
Algo bom algo ruim
Só se mostra na vivência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
II
E na busca incessante
Nossa vida em cada dia
Um viver pela alforria
Ser intenso em cada instante
E assim ir adiante
Rumo ao sonho num confim
Ouço a voz de um querubim
Quando busco minha essência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
III
Laura disse e foi sincera
Quando expôs seu pensamento
Pois a deusa no momento
Exorciza a triste fera
Solidão esta pantera
Faz em nós seu camarim
Quer nos ser um mandarim
Mas não é pra consciência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
IV
Pois sentir falta de alguém
Projeção do nosso afeto
Que se encontra em outro teto
E não mais do querer bem
Nossa mente vai além
E supera tudo enfim
Pois carinho é um coxim
Que sem ele é só carência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
V
Somos seres do universo
Somos filhos das estrelas
As carências são pra tê-las
E espantar pensar perverso
Um consolo é nosso verso
Como um som de Tom Jobim
Pois em nós um passarim
Canta com toda potência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
VI
Laura loura louramente
Lauramente doce e bela
Louramente sem querela
Laura aura reluzente
Pois mulher inteligente
Mas que linda diz assim
Entre o não e entre o sim
O que diz com veemência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
VII
E assim glosando o mote
Que a moça assim postou
Numa tela ela mandou
E aqui peguei num bote
Pois o verso sendo dote
Vem da rima um outrossim
Verso doce qual pudim
Mostra além de uma aparência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
VIII
Encerrando a poesia
Pois no fim findando a rima
Rima em “im” nos aproxima
Faz pensar na melodia
Todo verso que se cria
Em Recife ou em Berlin
Só não deve ser chinfrim
Verseja só com decência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
IX
O dilema da vontade
A lutar contra a razão
Mente contra o coração
Sonho com realidade
É assim dualidade
Como Abel ante Caim
Como caos de um festim
Nossa alma em turbulência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
X
Sentimento que domina
Chega vem roubando a cena
Mas será que vale à pena
Entregar-se a esta sina
Pois a vida sempre ensina
Que paixão de cor carmim
Vem, detona o estopim
Pra nublar nossa vidência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
XI
Ser um ser de alma completa
Deve ser nosso destino
Ideal que aqui defino
Que nem sempre a vida enceta
Solidão vem, nos afeta
Dá na gente um farnezim
Uns vão bebem rum ou gim
Ao perder a paciência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim
XII
É fugir ou enfrentar
Entregar-se ou ir em frente
Perceber ou ser demente
Ir ao fosso ou superar
Desistir ou batalhar
Ser gigante ou ser mirim
Ser demônio ou serafim
Alcançar ou ver falência
Não há falta na ausência
A ausência é estar em mim

quarta-feira, 20 de abril de 2011

CORDEL ENCANTADO: Reflexões novelísticas de um cordelista.

O nome da novela deve se referir ao fato do cordel em parte ser uma narrativa fantasiosa de lendas e histórias como aquela que é mostrada na novela. O sotaque vá lá que seja,dá até pra aceitar, afinal não teria sentido o carioquês e o paulistês dominantes tão bem sonorizados nas demais novelas da vênus platinada.

Interessante mesmo são os tipos físicos de muitos atores, que em nada remetem ao caráter caboclo,mulato e mestiço de um modo geral do povo nordestino, pelo menos os pobres assim o são. Aquele ator que faz o pai adotivo da mocinha, e mais alguns outros, são característicos do ponto de vista da etnia do povo de nossa região.
O resto é branquelo mesmo, coisa existe entre nós com toda certeza, mas não naquela proporção.

Talvez em alguma das micro regiões em que existem contingentes significativos de brancos, onde não houve fenômeno de posse de escravos africanos, assim como pouca miscigenação com indígenas.

Mas como Brogodó é uma fantasia global, a GLOBO tudo pode e sempre fez as coisas em seu padrão estético de valorizar com paradigma de beleza o elemento caucasiano, padrão do qual nunca se afastou, nem dá sinais de se afastar.

No mais os mesmos tipos de sempre: o coronel poderoso dono de tudo, o cangaceiro estereotipado, o beato porra louca que alude ao Antônio Conselheiro.
Talvez Zé Limeira, se fosse vivo(ou alguém pudesse psicografar ele)daria um bom assessor pra dar mais ideias geniais para o autor da novela.

Junta personagens de uma corte europeia de um país fictício, um rei em busca de uma herdeira extraviada em pleno sertão nordestino com seus personagens típicos e estereotipados. Em que circunstâncias uma nobre europeia viria com a mãe aparecer em pleno sertão do nordeste em pleno século XIX ou começo do século XX, onde supostamente dá a entender ser o tempo em que se passa a novela?

Sei lá o que esse povo do PROJAC andou fumando ou cheirando.

Pois é o reino de Seráfia do Norte , o país europeu em questão. O rei vem ao Nordeste em busca de sua filha perdida no nossos sertão. Agora entendi porque Seráfia é o nome do país. Na verdade é uma corruptela de uma frase dita pelo rei ao ver Açucena ,dirá para ela assustado: Será fia?

“Será fia” do rei de Seráfia a nordestina com cara de imigrante italiana da serra gaúcha?

Um verdadeiro samba do afro-descendente portador de doença psíquica.De acordo com a boa norma politicamente correta preconizada pelo sábio Papa Berto I , o pândego.


ALLAN SALES

terça-feira, 8 de março de 2011

Mote de Cancão

Eu também já vivi no mesmo inferno
De sentir rejeitado um sentimento
Ser trocado pra ver todo tormento
Padecer como que num fogo eterno
Era esse o modelo do meu terno
Que vesti pra sofrer penar então
Qual Layane no mote de Canção
Eu senti da tristeza o azedume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão.


Pra sentir o desejo sem viver
Como que vai tornar um ser platônico
E viver neste modo histriônico
De amor sem carinho padecer
O melhor nesse caso é esquecer
E viver doutro modo a emoção
Pois ficar melancólico é em vão
A sentir-se abaixo de um estrume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão.



Ser assim a penar na tirania
De um afeto cruel que não tem rumo
É perder todo ser e todo prumo
E viver só cruel melancolia
Abrigar-se na sua poesia
Consolar padecer numa canção
Se não tem deste louco coração
O menor faiscar de qualquer lume
Dorme junto aos teus pés o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão.

Padim Ciço não foi santo/Nem herói foi Lampião



Dedico este singelo folheto de cordel ao historiador Frederico Pernambucano de Melo que em recente matéria em nossa imprensa deu importantes subsídios para que fosse escrita esta peça de poesia.
(Allan Sales)

(I)
Triste do povo sofrido
Triste do povo iletrado
Triste do povo explorado
Triste do povo iludido
Triste do povo vencido
Que constrói sua prisão
A verdade vem então
Causa furor e espanto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(II)
Coronel que usou batina
O outro foi bandoleiro
Eram galos do terreiro
Eram aves de rapina
Pobre gente nordestina
Aceitando empulhação
Cultua mito malsão
Ilusão que tem encanto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(III)
Servindo à mesma lida
Cada um na sua sina
A história nos ensina
A verdade esclarecida
Ilusão que é vencida
Qual miragem pra visão
O falso mito então
Engana em todo canto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(IV)
O padre dele coiteiro
Com ele mancomunado
Foi assim patenteado
Pra lutar com o Cavaleiro
Mas este povo cordeiro
Carece de ter visão
Só conhece uma versão
Na verdade põe um manto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(V)
Herói pra mim Frei Caneca
Herói pra mim Conselheiro
Herói Zumbi Grão Guerreiro
Delmiro Gouveia não peca
Juazeiro é uma meca
Romaria e procissão
O povo humilde de cristão
Gente de todo recanto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(VI)
Povo sincero acredita
Não tem culpa é inocente
Mas a elite é indecente
Perpetua tal desdita
A verdade está escrita
Mostrando outra visão
Futuros tempos dirão
Mostrando a nós outro tanto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(VII)
A fé do povo é sincera
Pois leva a vida sofrida
Vê em Deus uma saída
Quando a miséria impera
Hoje em dia noutra era
Vive mesma situação
Fé cega sem ter razão
É lenitivo pro pranto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(VIII)
Beatos e cangaceiros
Produtos do desespero
São o mesmo exaspero
Nestes sertões brasileiros
São jagunços carniceiros
De “parabellum” na mão
Defensores da opressão
Em quem pia dão sumiço
Não foi santo o Padim Ciço
Nem herói foi Lampião
(IX)
Nordeste terra da gente
Que amamos com certeza
Queremos nossa grandeza
Um futuro mais decente
Olhar o mundo de frente
Evoluir a Nação
Procurar ver a razão
Deste atraso sem espanto
Padim Ciço não foi santo
Nem herói foi Lampião
(X)
Cheguei ao fim da poesia
Enviei minha mensagem
Evoquei nesta imagem
Da verdade mais sadia
Seguindo por outra via
Buscando sempre a razão
Ter a verdade na mão
E fazer dela acalanto
PADIM CIÇO NÃO FOI SANTO
NEM HERÓI FOI LAMPIÃO






Recife 2012. Delírio bíblico poético metafórico de Allan Sales




Crucificam João do povo
Os que ficam tão boçais
Judas manda e sem carisma
Não vai ser um Barrabás
Onde vai tal mundo herege?
Satanás vem e se elege
Quem nos salva é Ana Arraes?


ALLAN SALES