quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

INTÉ MAIS 2008 / TE FODE PAPAI NOEL



I
Dois mil e oito já vai
Dois mil e nove já vem
As intrigas de Brasília
Vem chegando nesse trem
Só não muda a malandragem
Com o povo a sacanagem
Daqueles que muito tem
II
O aquecimento global
Alertas que aí estão
Dois mil e oito tão quente
Provoca a desolação
Exigindo uma atitude
Um planeta sem saúde
Muita vida em extinção
III
Sessenta anos completa
Os tais direitos humanos
Faz cinqüenta a bossa nova
O AI-5 dos tiranos
São trinta anos passados
Em que fomos nós calados
Pelos milicos insanos
IV
Olimpíada de Pequim
Vice foi Felipe Massa
Ouro o vôlei feminino
O São Paulo ergueu a taça
Outros clubes no fiasco
Portuguesa até o Vasco
No ano que ligeiro passa
V
O Hipólito caiu
A Daiane amarelando
O Dunga que não convence
Ronaldo se atrapalhando
Enche a lata no boteco
Depois vai caçar traveco
E o Curingão contratando
VI
Foi Dercy também Valdick
Pra morada do Senhor
Foi também Fernando Torres
Maravilha de ator
Teve eleição de Obama
Mas não se achou Osama
Que mandou tocar terror
VII
Terremoto pra chinês
Mortes lá na Palestina
Temporal depois enchente
Lá em Santa Catarina
Incêndios na Califórnia
Quebrou bolsa na esbórnia
Da especulação suína
VIII
Teve a Sartiagarra
Pra caçar rico ladrão
Prendem soltam Daniel Dantas
Um juiz dá proteção
O Gilmar lá do supremo
Sob inspiração do Demo
Com a lei dando razão
IX
Teve dengue lá no Rio
Com milícia e traficante
Deputado indo preso
Comandando o meliante
Sua filha é vencedora
Virando vereadora
E tome bala traçante
X
Muitos crimes bestiais
Isabella e Eloá
Esse mundo conturbado
Com piratas pelo mar
Assaltando na Somália
Feito máfia da Itália
Nem a ONU faz parar
XI
Lula é popularidade
VEJA fala mal demais
A reserva de Roraima
Agitando os generais
Chega a nos causar insônia
Derrubada da Amazônia
Pra ganhar tantos reais
XII
O Irã e Coréia
Desafiam Tio Sam
Nas escolas dos “States”
Sempre surge um tantã
Na doidice nas refregas
Mete bala nos colegas
Dominado por Satã
XIII
Dado doido Dolabella
Deu porradas na Luana
Também morre de overdose
O gigolô da Suzana
Winehouse piradona
Cada dia mais doidona
Toma droga e bebe cana
XIV
Guerra no Afeganistão
No Iraque do mesmo jeito
Dona Marta se lascou
Viu Kassab reeleito
Por aqui o povo gosta
Elegendo João da Costa
Do PT nosso prefeito
XV
O Gabeira de bobeira
Não ganhou tal eleição
Parlamento do Recife
Muito cabra mete a mão
Vereança na orgia
Fabricando nota fria
Chega de esculhambação
XVI
Zé Dirceu com liberdade
Genoíno da cueca
Não prenderam mensalão
Que rendeu tanta merreca
Bush fez sua cagada
E levou uma sapatada
Não pegou ó que meleca
XVII
Michael Jackon convertido
Numa bicha muçulmana
Esse tal dois mil e oito
Que aninho mais sacana
Com a crise mundial
Como fica meu real
Se o dólar se estabana?
XVIII
O Macain foi rejeitado
Fuzilaram Dona Butho
Aposentam Fidel Castro
E o Raul vem impoluto
Vem de farda se engalana
Dizem ser bicha cubana
Que ele tem fama de puto
XIX
Hugo Chavez tira onda
O Morales fala grosso
Lugo quer de Itaipu
Sua parte no colosso
É chantagem pelo gás
Vão ferrar Eletrobrás
O Brasil não larga o osso
XX
Mesmo assim achei legal
Fiz um monte de cordel
Toquei muito violão
E ganhei algum papel
Não molhei muito o biscoito
Inté mais 2008
Te fode Papai Noel!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PELEJA ENTRE ALLAN SALES E HELENO ALEXANDRE



FEITA NA BUCHA, EM TEMPO REAL, LÁ E CÁ SEM VACILO, CELEBRANDO AS FORMAS POÉTICAS COMUNS AOS REPENTISTAS E POETAS CORDELISTAS NORDESTINOS.

ALLAN
O negão está eleito
Estudou é gente fina
Tio Sam que faz rapina
Avilta tanto direito
O Obama fez um feito
Deseja que algo mude
O império sem saúde
Numa crise do estupor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Mesmo sendo democrata
Mas não liga pra partidos
Que os Estados Unidos
Tem crise na sua ata
Para acabar não tem data
Sem que ninguém lhe ajude
Obama na juventude
É quem vai ser salvador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Quer seus modos militares
A mandar coisas no mundo
O abismo tão profundo
A pobreza em tantos lares
Miséria tantos lugares
Um sistema cego e rude
Liberdade no ataúde
Israel é seu feitor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Obama ganhou após
Um pleito muito acirrado
quem tinha o discriminado
Teve que baixar a voz
Criado pelo avós
Com a barriga no grude
Seu avô dizendo estude
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude


ALLAN
Obama cabra sabido
Democrata com certeza
Mas mantendo na defesa
Um falcão empedernido
O Tio Sam que tem sido
Um buraco num açude
Obama tem negritude
Mas não leva tal andor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
O seu pai fui queniano
A mãe norte-americana
Ann que quer dizer Ana
A mãe do americano
Dizendo eu não me engano
Estudou na Juventude
Políticas pra não ser rude
Antes de ser senador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
A mulé do garanhão
O tal “Biu” da estagiária
Que vai ser a secretária
De estado no negão
Mas tem general falcão
No banco Deus nos ajude
O dólar virando grude
Milico é torturador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Nasceu em sessenta e um
No dia quatro de agosto
Cresceu levando no rosto
Sol da manhã em Jejum
Foi um garoto comum
Porém com muita saúde
E sua maior virtude
Fui ter sido um sonhador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Esse cabra que elegeram
Pra fazer a tal mudança
Mas será que ele avança
Das merdas que se meteram?
No Iraque que encheram
De morte e de “fast food”
Isso não é “roliúde”
E ele não é ator
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Em Colúmbia ele estudou
Mesmo debaixo de críticas
Cursou Ciências Políticas
Em Direito se formou
Para o mundo ele mostrou
Que tendo quem lhe ajude
A América não se ilude
Com dicas de impostor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

AS MULHERES E AS BOLAS



(1)
Meus senhores e senhoras com licença
Nesta hora vou fazer comparação
Sem querer provocar a confusão
Pois poeta fala sempre como pensa
E assim sem querer fazer ofensa
No cordel que é minha grande escola
Sempre ao lado dos acordes de viola
Nesta hora eu versejo pra mostrar
Ao meu povo deste modo explicar
Comparando a mulher com uma bola

(2)
A mulher é comparada
Com a idade a uma bola
Quando o tempo decola
Ela se vê transformada
Aos 20 meu camarada
Grande sucesso ela faz
Com beleza se compraz
Juventude é arrebol
Qual bola de futebol
22 correndo atrás

(3)
Aos 30 a balzaquiana
Ainda tem formosura
Faz “lipo” tira gordura
Mulher madura e bacana
É uma amante sacana
Que ao homem satisfaz
Ela aos 30 é demais
Pode fazer a enquête
Feito bola de basquete
Com uns 10 correndo atrás

(4)
Depois de 40 ela
Ainda é bem enxuta
Das amigas ela escuta
Todo tipo de querela
Quarentona ainda bela
É assunto até pra ONG
Sem que o verso alongue
Só tem dois cabra maroto
É um jogando pro outro
Qual bola de pingue pongue

(5)
Depois de 50 ela é
Doutora em menopausa
Isso pode ser a causa
Dela mudar sua fé
Gosta de pegar no pé
Se encontrar quem lisonje
Tá numa seca de monge
É uma bola de golfista
Atrás só um vigarista
Jogando ela bem pra longe

BINÁRIO REPUBLICANO



Para muitos, Lula é reduzido a um fantoche de uma esquerda que ascendeu ao poder após ver cair de podre fantasia neoliberal, crente na onipotência das forças do “deus-mercado”, solução de todos os males, assim como da teoria do “estado mínimo”, eco dos novos tempos preconizados como morte da utopia socialista, adjacente à queda do Muro de Berlim.

Intelectuais que migraram da teoria revolucionária de resistência à ditadura com vistas à implantação do regime socialista, para a social democracia pragmática e reformista do sistema. Isso sem solapar os pilares do sistema econômico injusto e seu estado cartorial capataz do capital predador da força de trabalho sem sensibilidade social, assim como destruidor do meio ambiente e dilapidador dos recursos naturais.


O paradigma de dar mais importância ao PIB em detrimento do IDH ainda permanece na ordem do dia. A equação social não fecha devido ao modelo de desenvolvimento capenga, no qual amplos setores ainda permanecem à margem do consumo. A violência urbana que o diga, com o crescimento do crime organizado ou não, como sintoma mais doloroso da doença social da exclusão.

Em contrapartida, a concentração fundiária, necessária ao modelo de “agro-business” não permite a reforma agrária necessária e até hoje não implementada. Modelo fundiário que ao lado da hegemonia do grande capital são pilares da superestrutura do sistema concentrador de renda ainda vigente, negação da cidadania plena, traduzido num estado deficitário nas ações de educação, saúde, segurança, saneamento,etc.

A classe média, que paga maior parte da conta da derrama tributária, não quer direitos, quer os privilégios da burguesia que ela sonha um dia ainda ser. Paga pela segurança estatal e pela segurança privada, além das benesses dos seus vários condomínios: condomínio residencial, condomínio da educação privada, condomínio dos planos de saúde e condomínios do consumo dos “shopping centers”. Prefere pagar e caro pelo acesso privado aos direitos sociais de saúde , educação e segurança do que se juntar á massa na luta política para estender esses direitos a todos os cidadãos.

A questão é saber até onde o populismo, baseado em políticas de compensação da omissão histórica do estado brasileiro com os mais pobres servirá como tampão da explosão social inevitável, que terá como conseqüência ou uma revolução social verdadeira que resgate as demandas da dívida social paquidérmica, ou um retrocesso autoritário, retomando o sinistro binário republicano de ciclos de populismo seguido de ciclos autoritários, inaugurada pela era Vargas: revolução de 30, Estado Novo, Constituinte de 46, Era JK e Jango, Ditadura de 64, Sarney e a constituinte de 88, Collor e Itamar, FCH I e II, Lula I e II e………………………??

BRASIL DOS PACHECOS



baseado em personagem de Eça de Queirós

Neste cordel, feito por sugestão do jornalista Bráulio Brilhante, fala acerca do Mané e do Pacheco, personagem de Eça de Queirós que vive da imagem falsa que faz para os incautos que se deixam levar pelas aparências.

I
Brasil dos usurpadores
Brasil das monoculturas
Brasil tantas ditaduras
Brasil dos enganadores
Brasil compadres favores
O Brasil dos sem vintém
Brasil do povo aquém
Brasil da lama nos pés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
II
Qual Pacheco do Queirós
Muita gente que age assim
É tanta mente chinfrim
Aliada de um algoz
Voracidade feroz
Cara de pau vai além
Bacharéis sem ter porém
Exigindo rapapés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
III
O Brasil das aparências
O Brasil das ilusões
Brasil das televisões
O Brasil das audiências
Brasil das conveniências
Brasil nem lastro contém
O Brasil que lhes convém
Marinhos abravanéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
IV
Os Manés trabalhadores
Os Manés massificados
Os Manés subletrados
Os Manés vis eleitores
Os Manés consumidores
Os Manés que vão e vem
Os Manés com Deus também
Os Manés de todas fés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
V
Os Pachecos pregadores
Os Pachecos salvação
Os Pachecos com cifrão
Os Pachecos conversores
Os Pachecos salvadores
Os Pachecos são ninguém
Os Pachecos são alguém
Os Pachecos bacharéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VI
Os Manés com crediários
Os Manés que tem cartão
Manés com televisão
Os Manés brevê de otários
Atrás Pachecos falsários
Aos quais atenção atem
E vão tomar no sedem
Na ilusão dos anéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VII
Os sabidos e os lesados
A caça e seu predador
A platéia e seu ator
Os gestos dissimulados
Aos seus toscos predicados
Os tolos dizem amém
Quem de Pacheco é refém
São hordas de pangarés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VIII
São Pachecos encenando
Pseudo sabedoria
Vendendo tal fantasia
Vai este circo armando
Com a fama angariando
Boatos pra mais de cem
Quem embarca nesse trem
Vai ter surpresas cruéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
IX
O seu verbo é parecer
Tradução do enganar
Assim ao tolo encenar
Pra o engodo conceber
Esse aí nunca vai ser
Nada muda se intervém
Da mentira traz seu gen
Não vale dobrão de réis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
X
Pacheco quer ter sucesso
Pacheco quer ser famoso
Pacheco posa garboso
Pacheco quer ter acesso
Pacheco não é confesso
Pacheco quer tem harém
Pacheco a comer xerém
Pacheco que ter fiéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
XI
O Mané quer ter vantagem
O Mané ambicioso
O Mané sempre guloso
O Mané só na viagem
O Mané come lavagem
O Mané algoz mantém
O Mané fica neném
Ser Mané é seu víeis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
XII
Bráulio Brilhante brilhou
Ao mostrar coisas de Eça
Gente porca que professa
Como Pacheco engendrou
Brilhante Bráulio mostrou
De saber um armazém
Um jornalista tão zen
Nos saberes seus lauréis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem.

BOSSA NOVA EM CORDEL



(1)
Foi no Rio de Janeiro
Final dos anos 50
Que surgiu a Bossa Nova
Um novo som apresenta
Tom Jobim João Gilberto
Baiano pra lá de esperto
Nova batida inventa
(2)
O samba se reinventa
Neste toque sincopado
Com acordes dissonantes
E um modo sofisticado
Mas não gostaram os puristas
Com ouvidos chauvinistas
Novo som é criticado
(3)
O samba reinventado
Batizado Bossa Nova
Descoberto mundo afora
Que ouve gosta e aprova
Carnegie Hall grande show
Que a bossa consagrou
Nossa canção se renova
(4)
Vinícius tão bom de trova
A Garota de Ipanema
Também “Chega de Saudade”
Wave é som poema
Assim “O Baquinho” vai
Do Brasil um som que sai
A bossa sonoro tema
(5)
Bossa é coisa de cinema
A musa Nara Leão
Menescal Carlinhos Lyra
Um cantinho um violão
O Pato, Desafinado
Tom Jobim seu Corcovado
Johny Alf outro cobrão
(6)
Musical renovação
Do nosso cancioneiro
Conquistando o mundo todo
O coração brasileiro
Permanece a influência
Na musical consciência
Nosso Tom foi pioneiro
(7)
Movimento pioneiro
Colocando meu Brasil
No cenário mundial
Como antes não se viu
Ainda hoje ecoando
O que veio renovando
A Bossa Nova eclodiu
(8)
Hoje a mídia sucumbiu
A toda mediocridade
A Bossa Nova de fora
É uma calamidade
O Brasil e seu talento
E o seu melhor invento
De fora é temeridade
(9)
A artística verdade
O talento verdadeiro
Que aqui se revelou
Bossa Nova vem primeiro
Revelou-se para o mundo
Nosso valor mais profundo
Bossa Nova por inteiro
(10)
Foi o fato alvissareiro
Musical evolução
Com os acordes do jazz
E do samba a pulsação
Um produto cultural
Pra deleite universal
De genial invenção
(11)
A brasileira canção
Foi revolucionada
Modernizada prossegue
Magistralmente criada
Grande maestro Jobim
E seu talento sem fim
Uma alma iluminada
(12)
A poética inspirada
De Vinícius de Moraes
O lirismo o sentimento
Esqueceremos jamais
Bossa Nova seu poeta
Seu inspirado esteta
Nas estradas musicais
(13)
A Bossa Nova é de paz
É suave melodia
É plena de sentimento
De grandiosa harmonia
Segue em nós impregnada
Para sempre preservada
Sua envolvente energia
(14)
Coisa boa que se cria
Merecia outros destinos
O mercado fonográfico
A cometer desatinos
Nós devemos preservar
A Bossa Nova ensinar
Às meninas e aos meninos
(15)
Sentimentos genuínos
A Bossa Nova surgiu
Ecoa pelo futuro
Na alma de quem ouviu
Vai reinando magistral
O tesouro musical
Da bossa do meu Brasil

RESPONDENDO AO POETA MINEIRO NAS SEXTILHAS TIRANDO SÍLABAS, NO ORKUT

Viajar ó meu poeta
Assim um verso assinas
Ao propor novo roteiro
As vontades determinas
Assim chego nas Gerais
Sem “deter” indo pra Minas

Como pedras cristalinas
Um poema por um fio
Nas praias do litoral
Farreando em desvario
Nas águas da Guanabara
Sem o “desva” vou no [Rio]

Na viola dou um pio
Do poema subo a rampa
Posso até ir no Tibete
Comer lá a tal Tsampa*
Como Lobsog disse
Tiro o “t” e vou em Sampa

Ou então até o pampa
Ou terras do Canindé
Nessa terra do tupi
Onde tem Tatuapé
Não tem tatu tatuado
Sem “tatua” fica a pé

Ou então até o pampa
Ou terras do Canindé
Nessa terra do tupi
Onde tem Tatuapé
Não tem tatu tatuado
Sem “tatua” fica a pé

Patativar o Assaré
Monteirizar Paraíba
Pajeuzar Lourival
Caririzar João Furiba
Com Cariri Pajeú
Tira o “fu” com tudo em riba

…( * ALIMENTO BÁSICO DO POVO TIBETANO)

PELEJA GEOGRÁFICA PELO MSN



PELEJA: Heleno Alexandre (Sapé-PB) & Allan Sales (Recife-PE) pelo MSN em 04/12/08.

( Mais uma do repentista e o cordelista)

HELENO
DUAS CIDADES GIGANTES
RECIFE E FLORIANÓPOLIS
HOJE EM DIA SÃO METRÓPOLES
AS QUE ERAM VILAS ANTES
TEM DEZ MILHÕES DE HABITANTES
HOJE O PAÍS DA HUNGRIA
SESSENTA E SEIS NA TURQUIA
TRÊS MILHÕES NO PANAMÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
E QUEM CONHECE A SUÍÇA
ESSA TEM VÁRIAS NAÇÕES
OS SEUS CHAMADOS CANTÕES
QUE ALEMÃO COME LINGÜIÇA
QUE PORTUGUÊS CURTE MISSA
ONDE FICA ALEXANDRIA
QUE SUÉCIA É BEM FRIA
SABE ONDE É MADAGASCAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
QUEM QUISER PASSAR DE ANO
E NAS NOTAS VER UM PERIGO
APRENDA TUDO QUE EU DIGO
QUE DIZENDO EU NÃO ENGANO
NO SERTÃO PARAIBANO
TEM SOUSA E SANTA LUZIA
ITABUNA É NA BAHIA
E O CRATO É NO CEARÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
O POETA SABE TANTO
ONDE É JORDÂNIA EGITO
A CHINA COM SEU ESCRITO
EM ANGOLA O POVO BANTO
NA ITÁLIA O BELO CANTO
TEM ÓPERA E MELODIA
NO JAPÃO GRANDE QUANTIA
DE IENES PRA SE GASTAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA


HELENO
PRA PROTEGER A DIVISA
SE USA SISTEMAS MÍSTICOS
PARA DADOS ESTATÍSTICOS
IBGE FAZ PESQUISA
QUEM NÃO SABE MAS PRECISA
SABER O QUE É A CIA
VÁ NA MINHA CANTORIA
QUE VOCÊ APRENDERÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
VAI ATÉ A BORBOREMA
AO VALE DO CARIRI
PRO SERTÃO DO PIAUÍ
NO CERRADO QUE TEM EMA
VAI PRA PARANAPANEMA
POR CERRADO E TODAVIA
NA AMAZÔNIA QUE CHOVIA
NOS CAMPOS DO PARANÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
TEM DEZENAS DE PARTIDOS
NA POLÍTICA BRASILEIRA
O ROMANCE A BAGACEIRA
ATÉ HOJE UM DOS MAIS LIDOS
QUE OS ESTADOS UNIDOS
ESTÁ EM CRISE HOJE EM DIA
COMO É NA ECONOMIA
HÁ RISCOS DE VIR PRA CÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
POETA GEOGRAFANDO
SEU POEMA QUAL LIMEIRA
ENSINA A LIÇÃO INTEIRA
GEOGRAFA E INVENTANDO
INVENTA VAI VERSEJANDO
FALA DA TOPOGRAFIA
DO RELEVO E DA ETNIA
QUANTO CHOVE NO LUGAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
QUATRO PONTOS CARDEAIS
NORTE SUL LESTE E OESTE
DOIS ESTADOS DO SUDESTE
SÃO PAULO E MINAS GERAIS
GOVERNADOR DE GOIÁS
ALCIDES TRABALHA EM DIA
DAS FILIAIS DA SADIA
TEM UMA NO PARANÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
OS CLIMAS TÃO VARIADOS
QUE EXISTEM NO BRASIL
AS FLORESTAS CORES MIL
OS VEGETAIS QUE PLANTADOS
AS CAPITAIS DOS ESTADOS
ONDE TEM A HIDROVIA
COMO SE GERA ENERGIA
NAS TURBINAS NO PARÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
É CINQÜENTA E OITO MIL
E CEP DE JOÃO PESSOA
POR MUITO TEMPO LISBOA
SUBESTIMOU O BRASIL
CANTOR É GILBERTO GIL
ATRIZ É NÍVEA MARIA
IRMÃ DULCE DA BAHIA
PRA MUITOS VIVA INDA ESTÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
ISSO É QUE GEOGRAFEIRO
DA PAISAGEM HUMANA
SEU HELENO TÃO BACANA
REPENTISTA E VIOLEIRO
PARAÍBA POR INTEIRO
ZÉ LIMEIRA VIU NUM DIA
EM SAPÉ FEZ CANTORIA
CANSOU DE GEOGRAFAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

sábado, 6 de dezembro de 2008

Peleja de repentista com cordelista : Heleno Alexandre (Sapé-PB) & Allan Sales (Recife-PE)



ALLAN
O negão está eleito
Estudou é gente fina
Tio Sam que faz rapina
Avilta tanto direito
O Obama fez um feito
Deseja que algo mude
O império sem saúde
Numa crise do estupor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Mesmo sendo democrata
Mas não liga pra partidos
Que os Estados Unidos
Tem crise na sua ata
Para acabar não tem data
Sem que ninguém lhe ajude
Obama na juventude
É quem vai ser salvador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Quer seus modos militares
A mandar coisas no mundo
O abismo tão profundo
A pobreza em tantos lares
Miséria tantos lugares
Um sistema cego e rude
Liberdade no ataúde
Israel é seu feitor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Obama ganhou após
Um pleito muito acirrado
quem tinha o discriminado
Teve que baixar a voz
Criado pelo avós
Com a barriga no grude
Seu avô dizendo estude
Que o futuro é promissor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Obama cabra sabido
Democrata com certeza
Mas mantendo na defesa
Um falcão empedernido
O Tio Sam que tem sido
Um buraco num açude
Obama tem negritude
Mas não leva tal andor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
O seu pai fui queniano
A mãe norte-americana
Ann que quer dizer Ana
A mãe do americano
Dizendo eu não me engano
Estudou na Juventude
Políticas pra não ser rude
Antes de ser senador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
A mulé do garanhão
O tal "Biu" da estagiária
Que vai ser a secretária
De estado no negão
Mas tem general falcão
No banco Deus nos ajude
O dólar virando grude
Milico é torturador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Nasceu em sessenta e um
No dia quatro de agosto
Cresceu levando no rosto
Sol da manhã em Jejum
Foi um garoto comum
Porém com muita saúde
E sua maior virtude
Fui ter sido um sonhador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude
ALLAN
Esse cabra que elegeram
Pra fazer a tal mudança
Mas será que ele avança
Das merdas que se meteram?
No Iraque que encheram
De morte e de “fast food”
Isso não é “roliude”
E ele não é ator
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude
HELENO
Em Colúmbia ele estudou
Mesmo debaixo de críticas
Cursou Ciências Políticas
Em Direito se formou
Para o mundo ele mostrou
Que tendo quem lhe ajude
A América não se ilude
Com dicas de impostor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Quem vota em cabra safado / Assina um cheque pro Cão



I
Quem vota errado detona
É um ser sem consciência
Vender voto tal demência
Bota seu voto na lona
O poder virando a zona
Reino da corrupção
Transparência não tem não
No fim o povo é ferrado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
II
Quem vota sem ver a vida
O passado de um sujeito
Vai eleger neste pleito
Uma alma empedernida
Não tem volta só tem ida
Ao eleger tal ladrão
Pois tem alienação
Eleitor desinformado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
III
Recebe os seus presentes
Vende barato no fim
Seu voto vira chinfrim
Votando nos indecentes
As pessoas mais carentes
Nos guetos da exclusão
Vivendo na precisão
Vendem seu voto ao danado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
IV
Vota em cabra mentiroso
Safardana e traidor
Que se esquece do eleitor
Vai pro banquete o guloso
Tem muito cabra seboso
Por aí na eleição
Que engana o cidadão
Com gesto dissimulado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
V
Promete pra não cumprir
Se não tem um compromisso
No poder virando omisso
Contra o povo decidir
Tem o dom de iludir
Mente na televisão
Seu falar toda ilusão
Pra eleitor abestalhado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VI
Usa o poder do dinheiro
Distribuindo favores
Os seus colaboradores
São do bando mais fuleiro
Satanás é seu parceiro
Agente do cramulhão
Votar vendido é em vão
E quem o faz um coitado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VII
São os vermes no poder
Piratas de toda cor
Com discurso enganador
Pro povo não perceber
Seu engodo conceber
Seu ardil na falação
Parasitas da Nação
Poder desmoralizado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VIII
Oferecendo um céu
Pra depois virar inferno
Usando seu fino terno
Roubalheiras pra dedéu
Fazendo tosco escarcéu
E nem aí pro povão
Esconde sua intenção
Pra enganar o abestado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
IX
São porcos no parlamento
Capatazes dos patrões
As propinas são milhões
Mentira seu instrumento
Quem vota num lazarento
Vai ter a decepção
Ele nega dar a mão
Depois de ser diplomado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
X
Consciência é o remédio
Pra não votar num vampiro
Saber passado eu prefiro
Pra detonar todo assédio
E por abaixo seu prédio
Detonar a enrolação
Do povo é a decisão
Pra ir em rumo acertado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
XI
Ver apoios da campanha
Quais interesses defende
Querer saber não ofende
Pra evitar tanta manha
Se um canalha assim ganha
Vai ser uma perdição
Quem vota com pé no chão
Elege um cabra honrado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
XII
O poeta aqui opina
Pra ver seu povo desperto
De olho no porco esperto
Pra ver mudar sua sina
Não votar mais na rapina
Fazer a transformação
Se não faz revolução
Dar voto certo é arretado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão.

sábado, 2 de agosto de 2008

NAQUELE DIA EU BROCHEI



I
Dia de segunda-feira
Eu sempre naquele bar
Lá no Pátio de São Pedro
Pra minha turma encontrar
Como eu os trovadores
De violão tocadores
Só coisa boa a tocar
II
“Meu Refúgio” era o lugar
Onde meu povo ficava
Um deles no cavaquinho
Belos chorinhos tocava
Sem claque de auditório
O talentoso Tenório
Ali nas cordas mandava
III
Ali do lado eu estava
Duas mulheres entraram
Uma coroa e uma nova
E bem do lado sentaram
Ouvindo o nosso som
Acho que acharam bom
Pediram se aproximaram
IV
Meus olhos então brilharam
A mais nova assim chegou
Pediu uma do Roberto
E esse poeta tocou
Era sim muito vistosa
Bem feita e muito gostosa
O cabra aqui se ligou
V
Meu amigo nos deixou
Teve que sair embora
Despediu-se educado
Pegou a reta pra fora
Foi cuidar das coisas suas
Eu ali com essas duas
Duas da tarde era a hora
VI
E assim sem mais demora
A coroa foi também
Eu ali com a mocinha
Pensando: vou me dar bem
O clima foi esquentando
Eu proseando e cantando
Conversa vai também vem
VII
Eu tinha algum vintém
Dava pra gastar direito
Aquela mulher bonita
Belas coxas e cada peito
Fazendo chamego nela
Uma e outra pegadela
E a coisa pegando jeito
VIII
Ela ajeita, eu ajeito
A moça me convidou
- Vamos pra um lugar “mais calmo”?
Meu pau na calça pulou
Era pra um restaurante
Dali não muito distante
No AIP que rolou
IX
A gente ali chegou
Vixe que vista bonita
Eu chamegando com ela
Com xaveco e rola aflita
Tasquei-lhe um beijo arretado
De língua doido e molhado
Tesão que coisa bendita
X
Saudade da periquita
Eu num atraso do cão
Algum tempo separado
Com muitos calos na mão
Eu ali fungando junto
Ela mudou de assunto
Foi dando uma explicação
XI
- Escuta aqui ô paixão.....
Disse ela bem manhosa
Hoje é segunda-feira
Dia de ser preguiçosa
Nesse dia não trabalho
Eu passeio, durmo ou malho
Ou bebo loura espumosa
XII
E continuou dengosa:
- Achei você tão legal
Educado e carinhoso
Etc. coisa e tal
Mas lá onde eu “batalho”
Pro cabra quebra seu galho
Eu cobro é “cinqüenta pau”
XIII
De você “vinte real”
É quanto que vou querer
Eu fui com a sua cara
Tocou pagou pra eu beber
Aí, tudo acabaria
Como ducha de água fria
Na chama quente a arder
XIV
-“Onde nós vamos meter?”
Disse assim bem desbocada
Eu disse: -mudei de idéia
Ela ficou bem irada
Deixe de ser pirangueiro
Eu vi, você tem dinheiro
Carteira bem recheada
XV
Eu disse pra essa danada
Menina veja o coroa
Descasado e tão carente
E vendo mulé tão boa
Eu pensei ter conquistado
Mas iludido e abestado
Imaginei coisa à toa
XVI
Olhe pra minha pessoa
Bonito, forte e sabido
Não preciso pagar gente
Pra aliviar tal libido
Menina linda me escuta
Se eu quisesse prostituta
Noutro lugar tinha ido
XVII
Eu ali sem alarido
Veja que situação
Eu pensei ser bola cheia
Mas no fim outra ilusão
Romance ali? Que nada
Encontrei uma folgada
Quenguinha por profissão
XVIII
Ela vendo eu dizer não
Dizendo não me entender
Como que um cabra macho
Desistindo de fazer
Com desconto e bem barato
Amor barato de fato
Impropérios foi dizer
XIX
- Que cabra frouxo é você?
Correndo duma mulé
Coitada não entendia
Como a coisa toda é
Na mesa do lado estava
Outro cabra que escutava
Ouvindo de orelha em pé
XX
Chamei garçom Seu José
Pra minha conta pagar
O cabra de olho nela
Eu disse: - pode encarar
Ela se foi ligeirinha
Pra mesa dessa morrinha
Ali pra negociar
XXI
Eu fiquei a matutar
Um pensamento na mente
Deixe a moça e o cabra
Fornecedora e cliente
Na profissão mais antiga
Mas procurar rapariga
Quem for macho incompetente
XXII
Quero uma trepada decente
Na vida assim me toquei
Não recrimino quem busca
Mas outra meta eu tracei
Fiquei sem gás, nem pra bronha
E conto aqui sem vergonha
Naquele dia eu brochei
XXIII
Com putas muito transei
Quando era mais menino
Não sabia me virar
Era sem graça e franzino
Mas depois melhoraria
De outro modo faria
Teria outro figurino
XXIV
Assim o verso eu termino
Palavras aqui não somem
Você que faz como quer
Dilemas que nos consomem
Ô perguntinha mais tola
O homem que tem a rola?
Ou ela é que tem homem?

segunda-feira, 28 de julho de 2008




Este singelo cordel é uma brincadeira com o título do livro de poesia LEGADO DA ALMA do meu amigo Nivaldo Lemos, durante uma breve conversa pelo MSN com o também poeta Rogério Generoso, eu disse que ia lançar um livro chamado LEGADO DA ALMA SEBOSA, depois vi que LIGADO NA ALMA SEBOSA era uma glosa pra versar sobre o medo de assalto em ônibus que me fez optar pelo táxi depois de certa hora em nosso Recife. É uma brincadeira com muito fundo de verdade.

ALLAN SALES
I
Um dia em Água Fria
Tinha um mala me olhando
A minha bolsa filmando
Perto da casa de tia
Eu ali naquela via
Lamaçuda e tortuosa
Uma rua escabrosa
Nem alma viva na rua
Eu ali na noite crua
LIGADO NA ALMA SEBOSA
II
O cabra foi me seguindo
Lá bem perto do Arruda
Uma rapariga muda
Tava ali se exibindo
Avistei primo Laurindo
Com sua mulé gostosa
O nome dela era Rosa
Ficamos sim proseando
E eu ali matutando
LIGADO NA ALMA SEBOSA
III
Eu subi num busão cheio
O cabra subiu também
Na frente dum armazém
Subi um cana no meio
Eu parei o meu receio
Que sorte mais venturosa
Com meganha levei prosa
Mas não entreguei o mala
Com medo de levar bala
LIGADO NA ALMA SEBOSA
IV
Mas lá na Encruzilhada
O cana grande desceu
Aí um medo que deu
A minha vida ferrada
E tome mais uma parada
Suadeira pegajosa
Uma mocinha formosa
Que nessa hora subiu
O medo não se exauriu
LIGADO NA ALMA SEBOSA
V
Na João Barros desceram
Metade dos passageiros
Subiram dois maloqueiros
Que muito medo meteram
Assim que todos tremeram
Cobradora cabulosa
Era velha e adiposa
Motorista no cagaço
Com um frio no espinhaço
LIGADO NA ALMA SEBOSA
VI
No 13 de Maio tinha
Da PM a viatura
A noite era escura
Mas com PM vizinha
Essa trinca da morrinha
Segurou a polvorosa
Cidade tão perigosa
Eu ali apavorado
Meu destino então chegado
LIGADO NA ALMA SEBOSA
VII
Dantas Barreto enfim
Esperando com aflição
Demorando meu busão
Chegou bem junto de mim
E me falando assim
Uma fala cavernosa
Era essa alma tinhosa
Pedindo uma informação
Queria o Alto Jordão
LIGADO NA ALMA SEBOSA
VIII
Fui pegar o Brigadeiro
Ali bem perto parava
O mesmo cabra chegava
Eu aí caguei inteiro
Lá se foi o meu dinheiro
Pensei nessa rebordosa
Mas a sorte caprichosa
Uma torcida chegou
Depois que o jogo acabou
LIGADO NA ALMA SEBOSA
IX
Não fiquei aliviado
Era cabra de montão
Torcida braba do cão
Seu time foi goleado
Cobrador preocupado
Torcida tão furiosa
Não no busão da Pedrosa
Que em Água Fria peguei
Foi aí eu me assustei
LIGADO NA ALMA SEBOSA
X
Vi então Nivaldo Lemos
Subir ali no Bradesco
Com uma camisa da UNESCO
Nivaldo e eu nos vemos
Noutra parada descemos
Pra tomar uma gasosa
Que coisa maravilhosa
Tinha grana esse sacana
Pagou um táxi bacana
LIGADO NA ALMA SEBOSA



Esta singela peleja ocorreu na manhã de 23 de julho de 2008 pelo MSN, Allan Sales e Felipe Junior estréiam sua primeira peleja virtual em clima jocoso e amistoso entre os poetas do folheto de cordel que desenvolvem extensa atividade de recitais em eventos literários.

Dom Hélder diga quem foi? (FELIPE)
Um cristão bem verdadeiro (ALLAN)
Quem foi "Antôim" Conselheiro?
Não quis a canga de boi
Você tem um TIM ou Oi?
A OI é pau no culhão
O que preferes então?
Um CLARO desbloqueado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão

Que foi Dom Pedro Primeiro?(ALLAN)
Imperador do Brasil (FELIPE)
Que é esse Clodovil?
Deputado pirangueiro
Santos Dumont pioneiro?
Precursor da aviação
Que foi o rei do baião?
Pai do forró e xaxado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão

Caro Allan, quem foi Filó?
Um cabra que tem valor
Diga: ele foi locutor?
Não sei, mas teve gogó
Ele foi primo de Jó?
Só perguntando ao irmão
E ele mora no sertão?
Está no céu meu prezado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Quem foi Lourival Batista?
Repentista de primeira
Pelejou com Zé Limeira?
Não está na minha lista
Dom Hélder foi comunista?
Um comunista? Foi não
Maluf , esse é ladrão?
Corno, ladrão e viado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Tu sentes falta do Crato?
Nem um pouco companheiro
Mas por que, grande parceiro?
Recife me deu bom trato
Jerry ou Tom que é o gato?
Tom o gato é viadão
Porque essa conclusão?
Tudo americanalhado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Vais casar com a morena?
Em junho do ano que vem
Eu vou pra festa também?
Com certeza tens a cena
Faremos a cantilena?
Mas só na recepção
Lua de mel no sertão?
Talvez, mas vai ser pensado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Quem é dom José Cardozo?
Uma bicha e abusada
Será que tem namorada?
Um negão bem musculoso
Tu achas ele orgulhoso?
Orgulho de que? Bundão
És judeu ou és cristão?
Um ateu juramentado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Que achas do presidente?
Bom! Nele voto de novo
João Paulo baba seu ovo?
Baba um pouco só de frente
Jarbas bebe aguardente?
Pertinho de Henry, vai não
Vai com Raul?Ou na mão?
Com Henryzinho é sagrado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Tu vais com seu João da Costa?
Do lado costa e de frente
Quem vai ser o presidente?
Só Alah sabe a resposta
Tu preferes merda ou bosta?
Um tolete bem grandão
Pra colocar onde, irmão?
Lá na mesa do senado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão.

Gostou de assim pelejar?
Rapaz, foi fenomenal
Vamos botar no jornal?
O povo vai adorar
Se o povo nos processar?
A gente paga a pensão
Pra escapar da prisão?
Não, só quem foi lesado
Isso é mourão perguntado
Isso é responder mourão

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O PREGADOR QUE FUMAVA..

Estamos no TIP, perto das 8 da manhã, eu e o poeta Adiel Luna rumo a Bom Nome, de onde nos deslocaremos para Belmonte aonde nos apresentaremos no dia seguinte, uma sexta-feira na praça pública, em companhia do grande Chico Pedrosa e do repentista José Oliveira, será nossa versão em quarteto de CANTORIA DECLAMATÓRIA.

Embarcamos com a primeira parada prevista em Caruaru, aonde sobem outras pessoas a bordo do ônibus, cujo destino final é em Marabá-PA e que segue varando o sertão de Pernambuco. Ao retomarmos a viagem, notamos que um jovem rapaz se despede emocionado de sua mãe:- adeus mãinha , fica com Deus…. foram essas suas emocionadas palavras entre suas sinceras lágrimas que não escondeu de todos que perto testemunharam esse seu momento de vida.

Eu seguia numa animada e gaiata conversa com meu bem humorado de sempre parceiro Adiel. Pondo as conversa em dia, ele me contando seus causos e me falando dos seus projetos e inquietações, muita galhofa da parte dele e da minha, comentando sobre os dotes físicos de uma potranca que também embarcara em Caruaru, sentada duas poltronas atrás das nossas. Quando passamos por Cruzeiro do Nordeste, eu comentei acerca de uma estátua do Padre Cícero e da minha ausência de fé na santidade do padre do Juazeiro.

O rapaz que se despedira da mãe de forma emocionada, carregava em suas mãos uma surrada bíblia protestante, entra na conversa condenando a idolatria católica, abre sua bíblia numa página que ele conhecia o que esta continha e passa a recitar versículos do velho testamento condenando os bezerros de ouro,etc. Nossa, o rapaz de olhar esperto, fala derrapando no vernáculo denotando carência de escolaridade, mas de uma desenvoltura danada quando o assunto são as sagradas escrituras. Falava com muito gosto e entusiasmo e demonstrava conhecer bem o livro.

Eu pergunto pra ele qual a sua congregação, no caso a Assembléia de Deus, à qual ele se converteu nos tempos em que morou com um tio em Maceió, antes de vir morar por dois anos com sua mãe em Caruaru. Ele fora o responsável da conversão da mãe, de católica fervorosa em evangélica, mas ele mesmo se dizia um “crente desviado”, denominação que eles dão aos irmãos de fé que se afastam dos desígnios da igreja.

Eu pergunto o que ele acha de Edir Macedo e sua voracidade pelo dízimo do rebanho, falo pra provocar o rapaz, Adiel do lado se divertindo de monte. Ele conta que uma vez entrou por curiosidade num templo da igreja do Macedo em Caruaru, segundo ele, o pastor dizia: - se sua fé é grande, ponha cinqüenta reais, se não for tão grande ponha vinte reais, e assim por diante, graduando o valor da fé das pessoas em função daquilo que elas põem no envelope. Ele mesmo se dizia indignado com essa voracidade materialista desses pregadores, muito embora concordando com necessidade da doação pra manter as obras de Deus .

Dito isso, nosso jovem companheiro de viagem começa com uma saraivada de citações na bíblia falando acerca da doutrina do dízimo. Puxa vida, o cabra conhecia bem o livro, tinha muitas coisas sublinhadas com caneta fluorescente, de modo que falava com grande entusiasmo, denotando uma sinceridade comovente naquilo que falava.

Adiel, sempre sacana pergunta por que ele não se tornara pastor, ele responde que até pensou, mas não “criou coragem” de encarar o seminário, provavelmente usando a palavra coragem como eufemismo para não falar de inaptidão causada por sua escolaridade insuficiente para tal fim. Em seguida, ele fala que vai ao Pará morar com o pai que cria gado de leite naquelas terras.

Fala de seus dois irmãos mais novos e passa a contar suas vivências rurais na casa paterna, fala com muito entusiasmo de sua relação com os cavalos e de sua paixão pelas cavalgadas. Porém diz que o pai pega pesado e que não dá moleza pra ninguém, chama pai de “ingorante” demais. Diz isso e mostra uma cicatriz pavorosa na altura de um dos seus tornozelos, era seqüela de uma pisa de cipó de couro que levara do pai por causa de uma travessura sua.

Eu pergunto o que ele andou aprontando, ele fica envergonhado, eu insisto, ele nada. Eu então especulo: - teu pai te pegou namorando com alguma cabrita? Ele ruboriza, Adiel racha de rir, o rapaz, me diz que sou escroto demais, novidade, mas nega.

Termina contando, foi com o irmão levar umas vacas pra um vizinho, no meio do caminho acharam uma plantação de melancia e comeram algumas, as demais pinicaram de faca. Em casa, foi contar ao pai, o pai arretou-se deu-lhe uma surra de cipó de couro, a ferida do tornozelo deu leschmaniose e virou ferida braba, essa o papai tratou fazendo em cima dolorosas compressas de sal.

Seguimos na estrada, ele com sua bíblia volta a pregar, e Adiel propõe que ele ao chegar ao Pará funde uma igreja, um trabalho bem mais leve do que lidar com o gado. Adiel diz assim: tu funda uma igreja, em vez de pedir grana tu diz.. se sua fé é grande ponha um boi, se for menor, ponha um bode e assim por diante.

Diante de uma fala tão sacana desta do poeta, nosso pregador desiste da catequese e passa a conversar as abobrinhas mais amenas. Em Custódia paramos para almoçar, e aí entendemos o que ele quis dizer o que era ser desviado, era o rapaz um fumante inveterado, fato que pudemos comprovar pela quantidade e variedade de cigarros que ele levava na bagagem, segundo Adiel sua bolsa era um verdadeiro fiteiro.

Uma parada em Serra Talhada, meia hora depois descemos em Bom Nome aonde nosso anfitrião Cícero Moraes nos espera. Nos despedimos de nosso divertido parceiro de viagem indo ao encontro da casa paterna no Pará, mais uma monte de histórias de vida de um brasileiro do povo nordestino nas suas idas e vindas em buscar de um espaço de estar no mundo, quem sabe um dia eu faço um cordel sobre o pregador que fumava.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

PELEJA VIRTUAL AMISTOSA ENTRE ALLAN SALES E ADIEL LUNA



Allan Sales:
Meu compadre Adiel
Vai cumprindo seu papel
Com repente com cordel
Feliz é teu versejar
Esse nó vai arrochar
Nesse torrão nordestino
É comum nosso destino
No quadrão de beira mar.

Adiel Luna:
És poeta peregrino
De um linguajar ferino
Criticas qualquer cretino
Que queira te encabular
Nunca foste de baixar
A cabeça pra ninguém
Só faz o que lhe convém
No quadrão da beira mar

ALLAN:
E não fazes nhem nhem nhem
Nem puxas saco também
Versejar teu vai além
Na viola a dedilhar
Adiel o teu lugar
É no panteão da glória
Vamos nós fazer história
No quadrão de beira mar

ADIEL:
Nessa minha trajetória
Lidando na oratória
Exigindo da memória
Tudo que possa me dar
Tenho que me orgulhar
De tê-lo como um amigo
Por isso canto contigo
Um quadrão a beira mar

ALLAN:
Não correndo do perigo
Na poesia eu prossigo
Pensando algo eu digo
Adiel eu vou louvar
Poeta és lapidar
Essa viola brejeira
No rojão da gemedeira
No quadrão de beira mar

ADIEL:
Essa nossa brincadeira
É cantiga verdadeira
É verso na regra inteira
Rio correndo pra o mar
E vento que a passar
Espalhando seus rumores
Nos traz mais cheiro e sabores
No quadrão da beira mar

ALLAN:
Poeta dizendo cores
Neste mundo de horrores
Desanca porcos senhores
Os que querem lhe explorar
A cabeça levantar
Vencer o lado obscuro
Poema forte e seguro
No quadrão de beira mar

ADIEL:
Eu vivo pulando muro
À procura de um futuro
Pra me livrar de apuro
Só Deus vem por mim zelar
Minha vida é trabalhar
Buscando por melhoria
Meu sustento é a poesia
No quadrão da beira mar

ALLAN:
Poeta tens alforria
No verso na melodia
Versejas com alegria
O mundo vem encantar
Na poesia se fartar
E toda fala é batuta
Tua verve que se escuta
No quadrão de beira mar

ADIEL:
A minha e a sua luta
É uma eterna disputa
Mas na vida quem labuta
Às vezes tem que penar
Até um dia encontrar
Repouso sossego e paz
Pra mim já ta bom demais
Um quadrão na beira mar

ALLAN:
Na vida a gente faz
Nosso verso satisfaz
E quem na vida é capaz
Inveja faz despertar
Juntos nós vamos criar
És Luna que vem da lua
Talento na voz tão tua
No quadrão de beira mar

ADIEL:
Não há que substitua
A minha arte e a tua
Nosso nome continua
No mais alto patamar
Você não pode parar
Nem devo parar também
Nossa fama vai além
No quadrão da beira mar

ALLAN:
Poeta disseste bem
Não abrindo bem pro trem
Não nos pagam mais vintém
O justo vamos cobrar
E assim só trabalhar
Por uma paga condizente
Somos da classe decente
No quadrão de beira mar.

ADIEL:
O compromisso da gente
É mostrar o excelente
Cordel,canção e repente
Coisas do nosso lugar
Mas se temos de enfrentar
Alguma dificuldade
Nos sobra capacidade
No quadrão da beira mar

ALLAN:
Meu poeta meu confrade
Vamos dizer a verdade
Não quero pela metade
O que vim para buscar
E pro verso completar
Respeitem nosso trabalho
Ou vão sentar num caralho
No quadrão de beira mar

ADIEL:
Não queremos quebrar galho
Nem enfeitar cabeçalho
Ser coringa de baralho
Nem adorno de altar
Viemos pra trabalhar
Desempenhar bom papel
Salve Allan e Adiel
No quadrão da beira mar.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O bom forró tem Lirismo Dipensa essa putaria



I
Concordo com meu amigo
Sobre as coisas do forró
Por isso dou no gogó
Ponho lixo no jazigo
Ouvir isso não consigo
Forró com pornografia
No bom gosto a sodomia
Em nome do modernismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
II
Esse show da putanhagem
Exibindo letra torta
Onde a qualidade é morta
No reino da fuleiragem
Apelar pra sacanagem
De vulgar apologia
Onde pobre é melodia
Carece de romantismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
III
Falar da raparigagem
Das brigas de cabaré
Depreciar a mulher
Na mídia só vassalagem
É tosca sua mensagem
Que toca de noite e dia
Dá até uma agonia
Quem apóia tem cinismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
IV
Ouço o Trio Nordestino
Com Petrúcio e Maciel
Acioly o menestrel
Israel um paladino
Azulão forró tão fino
Arlindo na mesma via
Irah linda cotovia
À luz do regionalismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria

V
Xico Bizerra o poeta
Arlindo Moita um danado
Joquinha tão inspirado
Dominguinhos nessa meta
Camarão o grande esteta
Mas tal lixo contagia
Gonzaga reprovaria
Não é falso moralismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
VI
Marcolino no passado
Outros vates no presente
O Jackson foi reluzente
E hoje um lixo safado
Anselmo foi exaltado
Detonou a vil orgia
Que invade a periferia
Parece mau caratismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
VII
E tome avacalhação
Vulgaridades demais
Compositor incapaz
De fazer boa canção
Barrar essa invasão
Tosca radiofonia
Parece patifaria
Torto comercialismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
VIII
Anselmo Alves na luta
Falou e teve coragem
Mau gosto que tem voragem
Empurram coisa fajuta
O bom forró que se escuta
Possui a boa energia
De Seu Luiz nobre cria
Com todo virtuosismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
IX
Bom forró Gonzagueado
Tem valor é cultural
Mas forró comercial
Chamado de estilizado
Escroto e avacalhado
Distante da poesia
Parece ter serventia
De avacalha o erotismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
X
A figura feminina
Ali é vulgarizada
Exibida e arreganhada
Numa forma bem suína
A cultura nordestina
Execra essa latumia
O bom forró tem magia
Não tem porco chauvinismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XI
Carmélia que foi rainha
E Seu Lua foi o rei
E até onde eu sei
Muitos seguem nesta linha
Cilene é uma danadinha
Com Santana nesta guia
Camarão com harmonia
Afirmando não sofismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XII
Seu juiz homem de bem
Um guardião da decência
Proteja essa adolescência
Só nossa lei os detém
Avacalhar não convém
Pra juventude uma fria
Pois o guri e a guria
Deseducam com machismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XIII
Quero forró verdadeiro
Aquele que tem sanfona
Não esse forró da zona
Tão ideal pro puteiro
Quero um forró bem brejeiro
Com sanfona e companhia
Com um verso de alforria
Esse é nosso idealismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XIV
Somente dando um despacho
Um ebó na encruzilhada
Faz sumir essa cambada
E todo esse esculacho
O que brota desse tacho
É mesmo anomalia
Muitos ouvem mas quem chia?
Será medo ou conformismo?
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XV
Forró moderno se fala
Repete no mesmo tema
Como é pobre de poema
Nosso bom senso abala
Consente aqui quem cala
Ante essa coisa sombria
Contratam com alegria
Pras farras do populismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria
XVI
Quero forró de raízes
Que se chama pé de serra
Que tem a cara da terra
Nos variados matizes
Sem desancar meretrizes
Sem descambar pra porfia
Com tal vulgar modismo
O bom forró tem lirismo
Dispensa essa putaria.

CANTORIA DECLAMATÓRIA EM BELMONTE E SERRA TALHADA EM MAIO DE 2008.




Nas batalhas que venho tendo desde 1985, quando resolvi entrar nas estradas dos palcos da vida, consigo dividir as pessoas em três grupos distintos: as pessoas predadoras, as pessoas indiferentes e as pessoas que fazem a diferença. Cícero Moraes da cidade de São José do Belmonte é uma dessas criaturas que fazem a diferença. Filho de um sargento reformado de nossa PM e de uma professora, estudou no Recife sendo formado em farmácia pela UFPE, voltou ao torrão natal sertanejo onde trabalha na prefeitura de sua cidade e numa farmácia de manipulação em Serra Talhada. Nosso amigo é um entusiasta da cultura nordestina de raízes, circula no meio do forró de pé de serra, da cantoria de repentistas, das vaquejadas, sendo ele mesmo um poeta fazedor de versos e muitas glosas com muita desenvoltura.

Aqui no Recife nos conhecemos nas pelejas poéticas e musicais do Mercado da Madalena, assim como nas apresentações da UNICORDEL em que ele sempre aparecia para prestigiar e subir no palco para declamar com grande desenvoltura a peças de poesia dos nossos vates sertanejos. Um dia desses de 2007, pelo MSN, ele me fala da sua vontade de promover em sua cidade e em Serra Talhada algo similar às coisas que eu vinha fazendo no Recife. No caso tratava-se de CANTORIA DECLAMATÓRIA, um recital poético musical com repente, literatura de cordel e poesia matuta que eu Adiel Luna, Chico Pedrosa e mais outros poetas e músicos havíamos empreendido por duas vezes na Casa da Cultura, órgão da FUNDARPE. Ele me falava de sua preocupação com o avanço avassalador das coisas da mídia massificadora em sua região, além disso, muita indiferença, principalmente por parte das pessoas mais jovens, com relação às expressões de raízes de nossa cultura.

Cícero me falava de sua pouca familiaridade em produzir eventos desta natureza, eu o encorajei a buscar as pessoas da cidade que eram entusiastas de nossas expressões culturais e levasse até elas nosso projeto que formatei junto com ele, levando em conta a realidade local. Mandei pra ele o projeto com tudo que faz parte de documento desta natureza, com ele adicionando as particularidades da realidade do sertão. Ele procurou políticos, empresários, artistas em Belmonte e Serra Talhada e mostrou a todos sua proposta. As coisas foram tomando corpo de modo que durante os festejos da Cavalgada da Pedra do Reino ele conseguiu finalmente encaixar nosso recital na programação dos festejos, assim como agendou em Serra Talhada uma apresentação num teatro pertencente à Casa da Cultura desta cidade. Deu uma trabalheira enorme com avanços e recuos, tirando leite das pedras para ele engendrar os meios necessários para levar a mim, Adiel Luna e Chico Pedrosa. Palco, um repentista para cantar em dupla com Adiel, passagens, hotel, alimentação e cachês. Muitos foram generosos e puseram recursos de boa monta, outros nem tanto, mas, no somatório, batemos o martelo e agendamos duas apresentações: uma em 23 e maio às 20 horas no palco da festa da cavalgada, outra no teatro em Serra Talhada no dia 24.

Viajamos eu Adiel um dia antes, chegando na quinta dia 22 para realizar nosso roteiro de comum acordo, assim como entrosar Adiel com o repentista José Oliveira, um excelente poeta repentista da cidade que entrou em enorme sintonia conosco e agregou um enorme valor à nossa proposta. Idéia bem simples, três blocos em que repente, poesia matuta, música e cordel se revezavam nessa ordem, isso em três rodadas, numa apresentação de duas horas no palco que ficou na principal praça da cidade.

Fomos recebidos em Belmonte e Serra com muita hospitalidade com as pessoas de ambas cidades sempre gentis e atenciosas. Os meios necessários para uma boa realização estiveram à disposição da gente, assim como nos foi possível convidar vários talentos locais para pisar no palco conosco. O jovem sanfoneiro Jackson que tocou comigo peças do cancioneiro nordestino, o poeta cordelista Kerlle de Magalhães em Belmonte. Em Serra Valter Marcolino , o locutor Márcio, o poeta Renan Menezes de São José do Egito, o declamador Jadson e Kerlle que chegou no palco, além do próprio Cícero Moraes que declamou em Belmonte.
Foram três dias de vivências sertanejas nas quais plantamos sementes de parcerias e cumplicidades com os amigos que fizemos nas duas cidades para as quais retornamos em breve já que fomos convidados para ser atração numa festa cultural em Serra Talhada em julho. Salve Cícero Moraes que se revelou um eficiente empreendedor cultural.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A FILIAL DO INFERNO



I
Juscelino que plantou
No planalto país
Torta quenga meretriz
Em 60 ela brotou
O país sempre ferrou
É nosso garrote vil
Onde o poder civil
A roubar usando terno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
II
És Brasília prostituta
Um bordel da burguesia
Cancro da cidadania
Com tanto fela da puta
És venal senil astuta
Ao potentado é servil
O povo que construiu
Ficou fora do moderno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
III
Um Brasil tão miserável
Que não come mordomia
Um Brasil sem fantasia
Um Brasil abominável
Aí tudo é vendável
Me tratas por imbecil
A miséria que explodiu
É arder em fogo eterno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
IV
Senadores são reaças
Deputados falastrões
És um covil de ladrões
Pulhas de todas as praças
Maracutaias trapaças
Viado do Clodovil
Um senadinho senil
Do resto eu me consterno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
V
Brasília quenga nojenta
Com sua verborragia
A torta plutocracia
Essa batalha sangrenta
Poder podre que arrebenta
Que Satanás te pariu
Belzebu te conduziu
Te dando lápis e caderno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
VI
Os pulhas de toda parte
Repartem tua carcaça
Um boi que a malta traça
O butim que se reparte
Roubando com muita arte
Milhões bilhões que se viu
Mensalão distribuiu
Nessa lama não me aderno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
VII
Aí os trabalhadores
Gente séria e ordeira
Condena essa bandalheira
Bessow com seus pendores
Muitos brasis de valores
Em tua terra aderiu
Quem sem moral sucumbiu
Merece o frio do inverno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
VIII
Brasília és nossa Roma
Babilônia mais escrota
A tua elite marota
A moral jazendo em coma
Subtrai e nunca soma
E nunca porteira abriu
Poder que nos consumiu
Do passado ao hodierno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
IX
Um libelo te condena
Tal malta tão parasita
Tanta palavra maldita
Que tanto calhorda encena
Brasília se vale à pena
Matar assim com fuzil
Aquele que nos traiu
Teu dossiê encaderno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil
X
Nas tuas tetas mutretas
Mamata desses barões
Os negócios de bilhões
São todas cruéis facetas
Os processos nas gavetas
À torta casta incivil
Amamentas tão gentil
Com o teu leite materno
A filial do inferno
Tão distante do Brasil

sábado, 29 de março de 2008

PACTO DE ELITES "MADE IN BRAZIL"



Afrodisíaco é
O poder - nada de novo
Como ninho de serpentes
No palanque põe seu ovo
No Brasil - constatação
O poder dando tesão
Pra botar no cu do povo

Na Coréia no Kosovo
Na Rússia na Argentina
Tio Sam Venezuela
No Tibete até na China
No poder virar nababo
Pro povão tomar no rabo
Sem direito à vaselina

A comédia não termina
No congresso tem rebu
As hienas de plantão
Tem chacal tem urubu
Um baquete demoníaco
De poder afrodisíaco
Com tesão no nosso cu.

quinta-feira, 27 de março de 2008

MOTE ELEITOREIRO SUGESTÃO DE CÍCERO MORAES



I
Os safados de sempre nesse lado
Vão levar eleitores pro buraco
O povão qual guiné diz que “tô fraco”
Tanta fome tem nome meu prezado
Eleitor pra votar é num safado
Dá seu voto depois não vale à pena
O sujeito ladrão que rouba a cena
Como Judas terá muitos dinheiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
II
E assim pedir voto do eleitor
Vão chegar pra mostrar cara de pau
Um calhorda na esfera federal
Vai levar seu quinhão de sedutor
Enganar o povão trabalhador
Mentirão levarão seu circo encena
Gente porca demais mais de centena
Urubus tapurus mais carniceiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
III
Nos dirão que farão coisas demais
Criarão com justiça nova vida
A mundiça daqui vai iludida
Votará e depois secar seu gás
O poltrão falastrão a grana a mais
Gastará pra chegar nada o condena
No final só dirá só coisa amena
Todos nós a sorrir nos picadeiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
IV
Vote mesmo não terás mais ilusão
Pois votar é assim só necessário
Se nos traz por aqui só salafrário
Se votar sem pensar não tem razão
Mas verás como faz tal armação
Fala mal muito mal o tal Datena
Eu me ligo demais abro a antena
Pra sacar e evitar a tal gangrena
Desses tais os chacais mais sorrateiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
V
Os leões que famintos querem tudo
Querem mais sempre mais desse povão
Vão querer se fartar nesta eleição
Vão mostrar como faz o seu entrudo
O povão que carente sem estudo
Vai ter nada no fim gota serena
No poder vão comer mais de vintena
De bufunfas do povo os forasteiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
VI
Nova ARENA que tem é democrata
Com tucanos demais na revoada
Com ladrão se dizendo camarada
A História recente nos relata
Nosso povo que vão meter a pata
Pra levar enganar seu sangue drena
Vão querer bons carrões e não Siena
E comer nos repastos estrangeiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
VII
Mil sujeitos que vão dizer lorotas
Muitos vão tal lorota nos botar
Pra depois ter um voto sem pensar
Nos impor sob os pés as suas botas
Não mudar e manter as mesmas rotas
Para ouvir sempre mesma cantilena
Repetida como as rezas da novena
Enganando com discursos mais fuleiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
VIII
Os chacais o venais no mesmo rumo
Vão querer se fazer de salvadores
Pra no fim se portar qual predadores
Cidadão vão pegar todo esse insumo
O poder pra manter no mesmo prumo
E deixar a exclusão de quarentena
Se fartar e dançar tal macarena
No festim terminal dos embusteiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
IX
Eleitor cidadão domesticado
É seu dono feitor e enganador
Que domina pra levar tal condutor
Pra votar no poder podre e safado
Mas quem quer não será mais enganado
O passado ruim só lhes condena
Esse cabra se modos nunca frena
Seus butins que farão qual farofeiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
X
Eleger mas pensar na conseqüência
Só votar em quem tem um compromisso
O safado poltrão que dá sumiço
Quando tem o que quer sem indulgência
Sepultar o poltrão exige urgência
Sem botar um botão de açucena
Enterrar esquecer de forma plena
Escolher os que têm modos ordeiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena
XI
Cidadão cidadãs deste país
Avançar pra mudar nosso presente
Destronar quem quiser ferrar a gente
E quem faz do poder só meretriz
Extirpar todo mal pela raiz
Sem perdão que se deu pra Madalena
Essa corja que mente tão pequena
Não merece mandar nos brasileiros
Os leões disfarçados de cordeiros
Estão soltos de novo na arena

domingo, 23 de março de 2008

CARAVANA PÉ NA ESTRADA PELA EDUCAÇÃO



Embarquei esse mês de março de 2008 com os jovens estudantes universitários numa caravana chamada PÉ NA ESTRADA PELA EDUCAÇÃO. Uma iniciativa da UEP (União dos Estudantes de Pernambuco) com apoio da UNE e de órgãos oficiais ligados às ações junto à juventude. O tema da caravana, que teve ações em escolas da região metropolitana, foi um debate acerca do papel da universidade como elemento de alavancar o desenvolvimento local com inclusão social. De fato, Pernambuco prenuncia um novo surto de investimentos de vulto com a refinaria, estaleiro, Hemobrás , etc. No entanto, sem capacitar nosso povo para ocupar esses futuros postos de trabalho, teremos fatalmente algo similar ao que houve em Camaçari na Bahia, onde muitos desses postos foram preenchidos com mão de obra de outras regiões. Além disso, a reforma universitária, até hoje empacada no Congresso Nacional em função do forte "lobby" das escolas privadas de ensino superior. Compus um cordel glosando o mote: De que vale investimento / Sem povo capacitado, este faria parte de uma intervenção poética e musical que os jovens contrataram para que eu fizesse em 10 eventos que ocorreriam no Recife, Olinda e cidades do agreste. Aqui no Recife, tive o dissabor de ver uma escola privada de grande porte hostilizar esses jovens ativistas estudantis. Fomos obrigados a fazer nossa atividade política e cultural numa rua poeirenta no entorno dessa escola, já que proibiu a presença do movimento estudantil no âmbito de suas instalações. Uma coisa descabida e anacrônica em tempos de democracia formal em que vivemos.

Os jovens,todos ligados à esquerda organizada, majoritariamente ligados ao PC do B, bastante imbuídos como toda militância jovem, com sua linguagem padrão de chavões e palavras de ordem, bastante aguerridos e nas atividades tentando, muitas vezes de forma improvisada por em cena seu trabalho de divulgação de assunto de grande relevância e interesse social. A atividade era constituída de uma animação cultural feita com música e poesia para atrair o público. Em seguida, no auditório passavam um documentário que versava sob as temáticas a serem debatidas nas escolas. Primeiro um histórico de como se deu a criação das universidades no Brasil desde o império. O século vinte, a ditadura, os anos neoliberais de Collor e FHC nos quais o ensino superior privado cresceu 207% enquanto as escolas públicas de ensino superior apenas 50% em número de vagas. Depois disso, um depoimento de estudantes alienados e bobalhões de classe média acerca do seu conhecimento da reforma universitária. Uma coisa pavorosa a alienação e indiferença dessas pessoas,totalmente desconectadas das questões cruciais, dizendo um monte de asneiras, coisas como: " eu detesto política". Gente sem informação totalmente imbuída do espírito individualista do "vencer na vida", fora do sentido de luta social e coletiva, necessária como veículo de idéias e ações no sentido de pressionar os poderes com relação às responsabilidades que estes devem ter com os rumos da educação. Como contraponto, falas de líderes estudantis, na linguagem padrão das doutrinas de esquerda de inspiração marxista, formatação doutrinária característica, porém , coerentes e sérios em seus propósitos, esses pelo menos tem idéias na cabeça, se são originais ou fruto de doutrinação, o fato é que pelo menos têm uma posição coerente e fundamentada.

Na seqüência, a fala de dois reitores de universidade públicas, um primor de pensamento socialmente avançado e comprometido com a qualidade de ensino e responsabilidades socais que as escolas públicas devem ter com os demais segmentos sociais. Além desses, uma deputada do PT cuja ligação com os assuntos de educação faz do seu mandato uma forte voz de ressonância dos anseios mais legítimos de nossa juventude com relação ao seu acesso aos bens imateriais da educação e cultura. Pra fechar, o dono e reitor da escola privada que barrou meus parceiros no campus de sua empresa. O cidadão é favor da liberação dos limites acima dos 30% permitidos do capital estrangeiro nas escolas de ensino superior no Brasil. Além disso, o cidadão dizendo-se totalmente avesso a qualquer forma de controle social e comunitário com relação às atividades "empresariais" de ensino, afirmando que isso contradiz o princípio sagrado da "livre iniciativa" e as leis do "deus-mercado". Para fechar, vem com uma pérola que me deu vontade de vomitar, algo mais ou menos assim: -é privado, mas tem primar pela qualidade, no futuro, será como restaurante(palavras dele), o que for ruim vai fechar... Simplesmente nojento. Fecha o documentário com imagens de uma passeata dos estudantes no Recife nos moldes dos festivos caras pintadas que "derrubaram" Fernando Collor.

Em seguida uma série de falas dos membros da mesa: presidente da UEP, representante do DCE local, representante da UNE, representante da escola em questão, e autoridade municipal de educação. Na parte final o microfone aberto aos presentes ao debate. Isso aconteceu em Vitória de Santo Antão, Caruaru com acalorados debates, com gente discordante da afiliação partidária dos companheiros questionando a eficácia e validade desse alinhamento ideológico, fizeram sem sucesso, um desses, secretário municipal de sua cidade que ensaiou um palanque e só não foi vaiado porque os jovens do movimento demoveram a assistência dessa atitude desrespeitosa. Em Garanhuns, foi esvaziado em face do choque do calendário acadêmico da escola, assim como o fato de muitos estudantes serem da área rural do entorno e dependentes dos serviços de transporte disponibilizado pelas prefeituras de suas cidades.

Nas ocasiões declamei meu cordel na parte final do debate, distribuindo com os presentes cópias do cordel que foi bem recebido por onde passamos. Foi uma grande e gratificante experiência poder partilhar dessa caravana com meus bravos e bravas criaturas do movimento estudantil para o qual fui indicado pelo diretor do CUCA, órgão cultural da União Nacional do Estudantes-UNE. Aprendi muito com esse povo jovem que ousa manter o pé na estrada e incomodando dos donos do Brasil.


ALLAN SALES


I

Teremos refinaria

Grande parque industrial

Impacto ambiental

Pernambuco nesta via

Mas chegará nosso dia?

Desenvolver nosso estado?

O que vimos no passado

Faz gerar um pensamento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

II

Aqui um pólo gesseiro

Um porto no litoral

Um avanço colossal

No Pernambuco guerreiro

Um esforço pioneiro

Que será implementado

Governador deputado

Senador neste fomento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

III

A riqueza que se gera

Aumentando a produção

Se não traz educação

A coisa se degenera

Pra gerar a nova era

Só com o povo educado

Instruído e preparado

Pois é chegado o momento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

IV

Levar pro interior

Educação e cultura

Forjar a era futura

Esforço de educador

O educar redentor

Não fazer em separado

Um Pernambuco integrado

O saber por instrumento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

V

Juventude e opinião

Discutir como se faz

Como progresso se traz

Sem trazer a exclusão

Educar faz comunhão

Ver esse povo letrado

Consciente emancipado

Deve ser o nosso intento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

VI

O futuro do Brasil

A juventude discute

O seu pensar repercute

Movimento estudantil

A UNE que produziu

A UEP ao seu lado

O movimento acertado

Pelo desenvolvimento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

VII

Se o presente é de luta

O futuro nos pertence

Che Guevara nos convence

E isso ninguém refuta

Comungamos na permuta

Um pensamento avançado

O presente e o passado

O futuro a todo vento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

VIII

Paulo Freire nos dizia

Da grande contradição

Educar por redenção

Nossa real alforria

O futuro se anuncia

O desafio é lançado

Aqui no verso o recado

A verdade é nosso alento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

IX

Pernambuco libertário

Tem exemplos na história

O povo quer sua glória

Dignidade e salário

Meu Pernambuco operário

Que não vai ser enganado

Ver esse povo engajado

No futuro novo invento

De que vale investimento

Sem povo capacitado

X

E com o pé na estrada

A caravana que avança

A consciência se alcança

Na estudantil jornada

Vamos de alma elevada

Um movimento pensado

Ver esse povo acordado

Consciente e sempre atento

De que vale investimento

Sem povo capacitado.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mote do Poeta Zé de Cazuza



I
Corre o tempo vai solene
Ignorando essa gente
A vida segue na frente
É como um rio perene
Não há quem assim condene
Sua passagem incontida
Um dia será partida
O tempo é arrasador
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
II
O relógio que não pára
É senhor absoluto
O tempo vai impoluto
Seu cronômetro dispara
Vai mudando nossa cara
Que será envelhecida
A vida em tempo corrida
Cada um de nós um ator
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
III
O tempo que sempre vai
O tempo que sempre vem
E não perdoa ninguém
Um trem ali sempre sai
A nossa força decai
É coisa que resolvida
Felicidade vivida
Ou pranto de sofredor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
IV
Esse tempo que nos passa
Nos faz ficar mais sabidos
E com os anos vividos
A nossa mente perpassa
A perceber toda graça
De poema a investida
Pois palavra concebida
Nesse tempo criador
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
V
Todo dia de viver
Todo dia de sonhar
E assim presenciar
O tempo faz aprender
Muitos dias quero ver
Nas coisas de minha lida
Pois numa corda tangida
Fiz de mim um trovador
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
VI
Esse quadro que pintado
Vai tingindo meus cabelos
Embranquecendo meus pelos
Assim me vejo postado
Cada dia é celebrado
Numa estrada comprida
A mente que esclarecida
No verso do inventor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
VII
Os dias que vão passando
Gota a gota sempre indo
Os versos vejo surgindo
No dia que vai raiando
E assim me preparando
A cada obra fornida
O meu verso em despedida
Dessa tela sou pintor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
VIII
A vida do dia a dia
É comum até demais
Mas quando verso ela traz
É motivo da alegria
Quebrando a monotonia
Obra de arte nascida
Que pelo mundo espargida
É um sopro redentor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
IX
O dia que traz de tudo
Traz também reflexão
A hora da decisão
Do saber de todo estudo
O tempo avança contudo
É uma sina cumprida
Com todos é repartida
De todos é o senhor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida
X
Todo dia de sonhar
Todo dia como ser
Todo dia é conhecer
Todo dia é de buscar
Todo dia é versejar
Todo dia dá guarida
Todo dia alma sentida
Todo dia tem valor
Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida

quinta-feira, 13 de março de 2008

O doador doa a vida..... No ato da doação



I
Tantas doenças renais
Tantas cegueiras curáveis
As mazelas são tratáveis
Quando doação se faz
Muita pessoa é capaz
De ajudar um irmão
Doa o rim o coração
A córnea é usufruída
O doador doa a vida
No ato da doação
II
Cabe a gente decidir
A doar depois da morte
Para mudar outra sorte
De outro alguém o porvir
O fígado pode servir
A pele que tem função
Os ossos e com razão
É uma coisa conhecida
O doador doa a vida
No ato da doação
III
É só questão cultural
Ou então religiosa
A pessoa generosa
Ao doar é fraternal
É um gesto sem igual
No ato da decisão
Por aí tem precisão
E muita fila comprida
O doador doa a vida
No ato da doação
IV
A córnea pode doar
E o coração também
Os rins que doar convém
O pulmão se pode usar
Pra muita vida salvar
Depois cuidar rejeição
Tomando a medicação
Deve ser real medida
O doador doa a vida
No ato da doação
V
Por isso declare agora
Coloque na identidade
Se essa for a vontade
Quando chegar sua hora
Faça isso sem demora
E dê autorização
A família não diz não
A forma assim concebida
O doador doa a vida
No ato da doação
VI
Mas o pensar atrasado
Impede tal atitude
Tanta gente sem saúde
Com o seu corpo lesado
Com o rim paralisado
Cardiopatas de montão
Cegueira com solução
Numa espera sofrida
O doador doa a vida
No ato da doação
VII
O coração fraquejando
Exigindo um transplante
À espera de um instante
Tem tanta gente esperando
Um outro tanto negando
Fazendo a obstrução
O egoísmo malsão
Atitude empedernida
O doador doa a vida
No ato da doação
VIII
Tem cegueira reversível
A córnea trazendo cura
E tanta gente procura
A cirurgia é possível
Ignorância é incrível
Impede tal solução
Tem até religião
Proibindo e decidida
O doador doa a vida
No ato da doação
IX
O fígado avariado
Pede outro no lugar
Um rim que pode salvar
Outro ser debilitado
Que pode ser operado
Espera o cirurgião
Um gesto de redenção
Da saúde carcomida
O doador doa a vida
No ato da doação
X
É questão de consciência
Questão de cidadania
Solução por cirurgia
Num avanço da Ciência
E traz a sobrevivência
Novo recurso na mão
Vá e tome a decisão
Antes da nossa partida
O doador doa a vida
No ato da doação

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Tem gente boba demais.. Na internet teclando



I
Viva a tecnologia
É o progresso da gente
O futuro no presente
Desde já se prenuncia
Consumo é ideologia
Mais e mais se propagando
Sabedoria murchando
Aqui não encontra paz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
II
Comunidade a granel
Tome relacionamento
E tem muito enxerimento
Muitos fazem tal papel
Um monte de tabaréu
A burrice exercitando
A babaquice aumentando
Incrementando seu gás
Tem gente boba demais
Na internet teclando
III
Marcam brigas de galera
Invadem privacidade
Hacker é temeridade
Essa nojeira prospera
Babaca que não pondera
E vai assim avançando
Na internet brotando
Um besteirol tão assaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
IV
Besteira com nulidade
Da eterna adolescência
Um progresso da Ciência
Mal usado na verdade
Tanta imbecilidade
Na tela vão aprontando
Com gente me abordando
Vade retro satanás
Tem gente boba demais
Na internet teclando
V
Com “scraps” idiotas
Eu recebo noite e dia
Coisas de pornografia
E variadas lorotas
E muitas toscas patotas
Os bobos me convidando
E eu ali recusando
Aderir não sou capaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
VI
Gente carente na vida
Escrevendo baboseiras
Essas mensagens fuleiras
De gente pouco sabida
Tem muita bobagem lida
Vou lendo e deletando
O meu saco vai lotando
Com os assédios banais
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
VII
Tem fútil tem narcisista
Tem nojento pervertido
Tem sujeito enrustido
Tem babaca consumista
Cabra metido a artista
Ali se articulando
Não estou mais aturando
As coisas desses boçais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
VIII
Internet é muito boa
Tem tanta da informação
Aprendo muita lição
E não usarei á toa
Mas pinta cada pessoa
O meu tempo ocupando
A minha caixa lotando
Com leseiras irreais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
IX
Bate papo virtual
Às vezes virando um saco
Quando pinta um velhaco
Com a conversa banal
Corro desse animal
Inté mais e vou vazando
Gente assim vai alugando
Com a carência voraz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
X
As salas de bate papo
Um monte de putaria
Nojeira que contagia
No miolo dá sopapo
Eu não engulo mais sapo
Esses chats dispensando
A besteira lá ficando
É algo tão contumaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
XI
Mas conheci bons amigos
Gente muito inteligente
A baianinha “caliente”
E esses me dão abrigos
Nesta rede tem perigos
Estão ali circulando
E deles vou me livrando
Não quero por comensais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
XII
Tenho blog sim senhor
Eu sou allancordelista
Blogstpot nessa lista
Lá pus coisa de valor
Para meu povo leitor
Com o cordel vou falando
Estou me apresentando
Com uma arte veraz
Tem gente boba demais
Na internet teclando

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Glosas a partir de estrofe do Poeta Onildo



I
Jesus pregou caridade
Seu reino não foi negócio
Mas Jesus tem muito sócio
É uma temeridade
Onildo com claridade
Esmiuçou a questão
Um Cristo que sem cifrão
Anunciou nova era
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
II
A caridade cristã
Foi o ensino do Cristo
E nesse mote insisto
Versejando num afã
A cristandade irmã
Aprendeu nova lição
Dom Helder em sua ação
Foi cristã da mais sincera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
III
Tereza de Calcutá
Foi exemplar nesta vida
Sua obra concebida
Que veio para ficar
A madre no seu falar
Honrou a religião
Sincero seu coração
Onde a miséria impera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
IV
São Francisco de Assis
Comoveu-se ao ver pobreza
Renunciou da riqueza
E atuar assim quis
Foi um cristão na raiz
Como santo teve unção
Neste mundo de exclusão
A fome é a triste fera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
V
Anchieta um outro santo
Viveu com intensidade
Percebeu com claridade
Fez do Brasil o seu canto
A palavra foi seu manto
A fé á luz da razão
Quem ao índio deu a mão
Foi real não foi quimera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VI
Irmã Dulce na Bahia
Grande obra que erigiu
Uma santa no Brasil
Religiosa foi guia
E em tudo que fazia
Dos pobres a redenção
As chagas dessa opressão
Só caridade não zera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VII
Foi Antônio Conselheiro
Baseado em misticismo
Enfrentou coronelismo
Neste sertão brasileiro
Foi beato foi guerreiro
Calado pelo canhão
E sofreu excomunhão
Por uma elite pantera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VIII
Repartir os bens da terra
Zumbi nos Palmares fez
Foi dizimado de vez
Pelas armas numa guerra
A fome no mundo berra
Pede por transformação
No voto ou revolução
A consciência pondera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
IX
Mas Jesus é bem vendido
Como se fosse produto
Que disso faz usufruto
Mercenário empedernido
Um cristão esclarecido
Percebe a enganação
Quem faz tal exploração
O fim do mundo acelera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
X
Eu não professo tal fé
Mas sou poeta humanista
Li coisas de marxista
E vejo com dá pé
Quem explorar a ralé
Com milagres de invenção
Com exus de encenação
O fanatismo assim gera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
XI
Respeito fé verdadeira
A desses cristãos sinceros
Que com seus modos austeros
Fazem obra alvissareira
Mas a lorota rasteira
De que só visa ter quinhão
Pra acumular de montão
Assim bombar sua galera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
XII
Onildo fez esse mote
Sem querer lá no ORKUT
No cordel que repercute
Eu fiz ligeiro num bote
Exercitando meu dote
Escolhi por profissão
As cordas de um violão
Quem tem não se desespera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Como Guevara endurece.. Perde a ternrua jamais



I
Esse tal de meu cacete
É um troço interessante
Se levanta num instante
Para encarar um minete
Mas ele não dá colete
É fiel até demais
Uma rola tão capaz
Eu chamo ele aparece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
II
Esse órgão tão querido
É motivo de alegria
Funciona todo dia
Até hoje assim tem sido
Se falhar estou perdido
E perderei minha paz
Serei chorão contumaz
E isso ninguém merece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
III
Ele faz mulher feliz
Rolando uma sacanagem
Na maior libidinagem
A natureza assim quis
Mas um doutor que nos diz
Tome cuidado rapaz
Cuidado com o que faz
Se não o troço amolece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
IV
Tem que cuidar da saúde
Não exceder dos limites
Não biritar arrebites
Se o fizer então mude
A natureza não ilude
Quem fumar perde seu gás
Deixa seu tesão pra trás
Muitas vezes acontece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais

O bicho cheio de veias
Acorda na adolescência
A demonstrar a Ciência
Poder ter doenças feias
As venéreas dão nas peias
São um perigo veraz
Deixa seu pau incapaz
E seu tesão arrefece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VI
Bilola bimba e caralho
É cacete rola e pica
É jeba trolha que estica
Vara bilau dá trabalho
Peia mole é falo falho
Piroca nomes demais
Pingolim tu me dirás
Badalo que sobe e desce
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VII
Tem cabeça mas não pensa
Duas bolas mas não joga
Até hoje está em voga
Que cuidar dele compensa
Tu terás por recompensa
A brochada não terás
Muito tempo treparás
Sem precisar fazer prece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VII
Manter limpinho cuidado
E procurar sem assim
Sem higiene é ruim
Pode ser contaminado
Use o mesmo encapado
E coisas não pegarás
Essas mazelas reais
Quem não cuida sim padece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
IX
Se o negócio é bem duro
É motivo de euforia
Mas mole é uma mixaria
E isso eu te asseguro
Pois preservar pro futuro
Um cabra alegre serás
Tua mulher vai atrás
Se abre toda se oferece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
X
Rola mole é um castigo
Pau brochado uma tristeza
Perde assim sua grandeza
Eu cuido do meu amigo
E assim sei que prossigo
De leve sem ser audaz
O que tenho satisfaz
Quem já levou agradece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais