terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pingue-pongue pela internet.

Recebi isso da parte de uma amiga recentemente:


Estou colocando aqui, para você, a minha mais recente crônica para o jornal Voz do Planalto, do estado de Pernambuco.
Se concordar com o que escrevi, está livre para repassar.
Sei que haverão discordâncias e, se você está entre os que discordam, não se aborreça por ter lhe enviado. Faz parte da Democracia e é salutar receber, ler e discordar, se for o caso.
Com meu abraço,
Jade


DEMOCRACIA É LIBERDADE DE IMPRENSA E ALTERNÂNCIA DO PODER

Sou arquiteta, não exerço nenhuma atividade política, não tenho formação em Direito.
Com esta colocação, declaro que esta é a uma análise pessoal, enquanto cidadã brasileira, quanto aos candidatos da próxima eleição, com a maior isenção possível, remetendo aos meus sentimentos sobre dois princípios básicos no conceito de Democracia Pura:

- a necessidade de alternância de poder
- a liberdade de pronunciamento, direto ou indireto, de forma oral ou escrita, sem intervenções.

A liberdade de imprensa, se habilmente podada, constitui grave perigo a uma sociedade democrática, amordaçando-lhe os direitos e liberdades públicas à livre manifestação.
A possibilidade de tal acontecimento durante o poder de qualquer dos candidatos deve ser analisada cuidadosamente por cada eleitor.

Quanto à alternância de poder, trata-se de um método saudável e eficaz para reciclar e analisar cada um dos poderes enquanto em atuação, além de encaminhar aquele provisoriamente afastado a um caminho salutar de humildade e auto-análise, recordando-lhe que é o povo e não o poder quem manda em uma nação democrática.
Qualquer poder mantido por um período distendido dará ensejo, fatalmente, ao vício de permanência absoluta.
Esta é outra análise a ser feita antes de votar e delegar este poder.

A manutenção destes princípios deriva, essencialmente, da maior ou menor maturidade de um povo perante o ato político, sua capacidade de informação e análise, muitas vezes habilmente manipulada por tendências direcionadas a distorcer fatores culturais, através da publicidade política, exibindo mudanças radicais no que vinha sendo antes apregoado - por aquele mesmo candidato -, através de lobbies inteligentes, visando a permanência do poder ou a conquista dele.
O retrospecto e análise sobre as antigas colocações desses mesmos personagens é uma posição madura perante suas próprias decisões políticas. Um caminho coerente para não se permitir manipular.
A palavra escrita e falada, devidamente arquivada, não pode ser apagada e este é um direito da imprensa livre.

©Jade Dantas
Arquiteta




Resposta de Allan Sales:
Pois é.Alternância no poder é bom. Passamos 500 anos de modelo totalmente excludente.Chegamos à república e até 2002, os descendentes dos donos das capitanias mandaram absolutos, depois, deixaram um homem do povo chegar ao poder. É bem verdade que não mudou essencialmente o caráter excludente, racista e economicamente perverso da sociedade brasileira.Fez uma gestão macro econômica competente, houve imoralidades por parte de alguns aliados, nada que o fizesse cair dos seus 80% de aprovação.Fez políticas afirmativas, e um tímido ensaio de distribuição de renda com as políticas de compensação, que tiraram 32 milhões(uma Argentina) da miséria. Falta muito ainda.

Essa alternância, eu só farei por um poder realmente revolucionário que faça a reforma agrária, que dê acesso irrestrito ao ensino em todos os níveis ao povo brasileiro e que democratize os meios de comunicação findando como o monopólio dessa mídia porca, tendenciosa e reacionária que apela pra tudo pra eleger as velhas oligarquias na figura do Sr José Serra.
A grande mídia brasileira é a coisa menos qualificada pra falar de democracia, ela é preposto dos interesses mais retrógrados e mesquinhos, é democrata até o momento em que os interesses e privilégios de uma minoria não são questionados. Aí ela passa a ser golpista, com expedientes dessa natureza, desqualificando quem mexeu, ainda que timidamente na estrutura de iniquidade social e econômica que é a sociedade brasileira.

Enquanto não vem o nosso Mao Tsé Tung tupiniquim, ou algo similar, voto por redução de danos , naqueles que menos mal vão nos causar. Serra não é alternância de nada, seus patrões da casa grande passaram tempo demais no poder , agora é a vez da senzala tentar fazer a parte dela.Isso é a verdadeira alternância de poder. 502 anos deles contra apenas 8 de outro modelo,acham muito 8 anos de governo populista com sensibilidade social?

Tucanos? Agora somente quero ver no jardim zoológico de Dois Irmãos.

ALLAN SALES.

A receita pra durar/ Quando nós queremos bem.



I
A receita pra dar certo
Com certeza tem carinho
O calor de um lindo ninho
Tem que estar sempre por perto
Ser atento e muito esperto
Ao amor também convém
Com doçura se obtém
O que o amor tem pra nos dar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
II
Não poupar em aconchego
Mas também não ser chiclete
Pode usar a internet
Todo tipo de chamego
Não sufoque neste apego
Nunca ir de zero a cem
Mas não esquecer porém
Dessa flor sempre regar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
III
Aturar a TPM
Como coisa passageira
Passa logo e é besteira
Só um tolo isso teme
Depois ela chega e geme
E o chamego indo além
Grande amor isso contém
Sabe sempre renovar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
IV
Exercer a paciência
E saber dizer um não
Sem arroubos de um machão
E com toda sapiência
Sempre agir com consciência
Mas com emoção também
Sem ficar nunca aquém
Quando ela lhe atiçar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
V
Pois mulher tem seus mistérios
E tem fases como a lua
Cuide de cuidar da sua
Nunca diga os impropérios
Os amores casos sérios
Nada mesmo os detém
Quem percebe e se atém
Como bem lhe cultivar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
VI
Pra dar certo e ser bonito
Fale como em poesia
Como doce melodia
Pra o amor ser bem escrito
Cada gesto é com um rito
Onde o carinho vem
Nosso afeto ele retém
Cada dia a conquistar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
VII
Não existe nada eterno
Infinito enquanto dure
Que amor se assegure
Ser o céu não o inferno
Com seu toque lindo e terno
O amor nos faz refém
O seu fruto é um neném
Pro planeta povoar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
VIII
O amor não é prisão
Só pra quem é possessivo
Que alguém se faz cativo
A viver na obsessão
O ciúme a mais então
No sossego que intervém
Atormenta um outro alguém
Com seus modos de gostar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
IX
Mas amar é ser liberto
É melhor coisa do mundo
Sentimento indo a fundo
Nunca vai virar deserto
É deixar o mundo aberto
Não escravizar ninguém
Se ela for votar no DEM
Mesmo assim não vão brigar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem
X
Ao falar pra bem amada
É preciso ter o dom
Entoar no mesmo tom
De uma forma delicada
Em você ficar ligada
Como um vagão de trem
Não precisa ter harém
Basta uma pra se amar
A receita pra durar
Quando nós queremos bem.

Poeta





Fazer versos neste mundo sem tramelas
Como voa passarinho sem gaiola
Liberdade que vem de uma viola
Ponteando canções tão nobres belas

Estes versos que podem ter querelas
Mesmo assim os tira da cachola
Ver a vida que é a grande escola
Ser poeta pintar com frases telas

Versejar por vontade por ofício
Que não é com certeza sacrifício
Pra quem tem pra criar essa energia

Ser usina de força o pensamento
Ser poeta é todo encantamento
De quem busca no verso a alforria.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vivências recentes no agreste de Pernambuco.




Seguramente o homem é o lobo do homem, muito se aproveitam da fragilidade de outrem pra se darem bem em cima. Cerca de um ano e meio atrás eu estive em Garanhuns com estudantes membros da União dos Estudantes de Pernambuco numa atividade deles chamada Caravana Cultural na qual eles desenvolveram atividades de discussão de assuntos pertinentes ao universo de questões do ensino superior no Brasil. Grande Recife, Vitória de Santo Antão, Caruaru, Garanhuns , Arcoverde e Petrolina foram os destinos escolhidos pelos gestores da entidade a serem visitados nas mais variadas escolas de ensino superior tanto públicas como privadas. Eu fui como atração cultural e até escrevi um folheto de cordel acerca dos temas que a caravana cultura pretendeu discutir com as comunidades acadêmicas que ela visitou.

Em Garanhuns foi minha parada final, ali completei o número de apresentações do meu contrato com eles, precisei pernoitar ali mesmo para retornar ao Recife dia seguinte. Estava com meu equipamento de som do lado, de forma que seria de bom alvitre que me hospedasse o mais perto possível da estação rodoviária da cidade. Foi o que fiz, cheguei numa modesta hospedaria para dormir, paguei R$ 15,00 para tal, um jovem rapaz me pergunta de cara se sou solteiro ou casado, ao saber do meu estado de solteiro me oferece a possibilidade de uma companhia feminina remunerada para passar aquela fria noite da cidade das flores. Era menor de idade a criatura, tinha 15 anos, que o rapaz intermediava pra mim na sua incipiente cafetinagem de baixa renda. Recusei a aventura legal e moralmente condenável e fui dormir na hospedaria, ou pelo menos tentar, já que o fundo sonoro da noite foi justamente os textos, funga-funga e geme-geme de um cabra no quarto ao lado com uma dessas mocinhas agenciadas pela hospedaria popular.

Volto a Garanhuns para três dias no XX FESTIVAL DE INVERNO, contratado pela FUNDARPE para ministrar minha oficina de literatura de cordel nos dias 18, 19 e 20 de julho. Ao cabo do primeiro dia, sigo muito cansado do primeiro dia de jornada, justamente para esse mesmo local de várias hospedarias vizinhas da rodoviária, em face do orçamento posto pela minha produtora que negociou minha excursão. Para meu espanto converso com o dono de uma pousada e esse me diz candidamente que parar dormir ali num dos modestos aposentos eu teria de desembolsar a módica quantia de R$ 100,00, ou seja, um ágio de cinco vezes mais do que costuma cobrar em tempos fora do festival de inverno. Ele diz que é por causa do festival, eu naturalmente recusei e ainda disse pra ele antes de ir embora: - eu até toparia dormir aqui por 100 reais, mas só se viesse uma rapariga de brinde. E saí rindo do absurdo e da cara irada desse imbecil subdesenvolvido sem noção.

Fui pra rodoviária matar a tremenda fome que me dava naquela hora, disposto a telefonar para um amigo que tenho na cidade para pedir socorro. Durante a refeição tive a solução com que um raio em minha mente, perguntei ao gentil dono do modesto restaurante da rodoviária qual era a cidade mais próxima onde poderia achar uma pousada que coubesse no meu orçamento. Comprei uma passagem para Lajedo, a cidade que me recomendaram, na estrada, na primeira parada que o ônibus que iria pra Recife parou vi um enorme letreiro escrito dormitório, numa simpática construção branca de um andar contígua a um posto de combustíveis automotivos. Foi lá que parei, em Jupi, pequena e simpática cidade do agreste, na qual pernoitei todos os dias em que trabalhei no XX-FIG. Ao lado um restaurante muito decente onde comi mais um pouco, pois a fome ainda demandava por comida, depois, fui negociar com o frentista do posto, responsável pelo contrato da hospedaria em questão.Um confortável aposento ao preço de R$ 20,00 me foi ofertado, limpo , aconchegante, com banho quente e uma TV ligada numa eficiente parabólica que dava acesso a dezenas de canais bons e muito ruins. Isso tudo sem me oferecerem uma rapariga menor de idade para esquentar as três noites gélidas em que pernoitei na simpática e acolhedora cidade de Jupi.

ALLAN SALES

sábado, 10 de julho de 2010

Preconceito irracional/Contra o Povo Nordestino



I
Essa corja de racistas
A dizer tantas asneiras
Festival de baboseiras
Coisas de neonazistas
Esses tais separatistas
De pensar tosco e suíno
Um falar porco e ferino
Coisa de débil mental
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
II
Tantas frases infelizes
Postam na comunidade
A beirar insanidade
Idiotas seus matizes
Ódio de torpes raízes
Levam ao triste destino
De nazista um figurino
Pois tem ódio racial
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
III
Nordestino que migrante
Construtor deste país
Povo que possui raiz
Por aí seguiu avante
Preconceito neste instante
Deste modo tão canino
Todo pústula eu defino
Por sujeito bestial
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
IV
Esse tosco preconceito
Irreal sem fundamento
Como falso pensamento
Mostrar um mental defeito
A causar tão triste efeito
Contra um povo peregrino
No trabalho um paladino
Pela glória nacional
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
V
Nordestino que migrou
Pra buscar melhores dias
Palmilhou nas rodovias
Desta terra que arribou
Noutras terras se firmou
Na cultura um grande tino
Povo forte e genuíno
Brasileiro e original
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
VI
Nordestinos têm cultura
Pela nacionalidade
Que possui a identidade
Tem também literatura
Preconceito não se atura
Todo grande desatino
Ao falar um verso assino
Meu repúdio visceral
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
VII
Preconceito de imbecis
Frases da ignorância
Prepotência e arrogância
De contornos torpes vis
Argumentos pueris
Como os quais não me afino
Com repúdio determino
Por saber coisa ilegal
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
VIII
O pensar dos idiotas
Julgam ser superiores
Tão senis todos pendores
A postar porcas lorotas
Pra ferrar essas patotas
Eu começo e não termino
No cordel aqui assino
Por meu povo fraternal
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
IX
Essa corja é prepotente
Tem visão de ignorante
Neste modo arrogante
Descabida é insolente
Desprezando nossa gente
Que é um povo lindo e fino
Seja Zé ou Severino
Nordestino é sem igual
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
X
Preconceito descabido
No ORKUT que nós vemos
A nojeira que nós lemos
Deixa um estarrecido
Todo triste acontecido
No cordel aqui rumino
Tem miolo de um girino
Essa corja tão boçal
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
XI
Deserdados pelas cheias
Fora sim achincalhados
Por um bando de malvados
Com palavras muito feias
Do bom senso perdem peias
Preconceito é assassino
Delinqüente mais ladino
Canalhice é colossal
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino
XII
Mas fedidos seus babacas
Nós não somos ó canalhas
As postagens tristes falhas
Dessa corja de panacas
Vou em vós fincar estacas
Deste verso que eu opino
Preconceito é do cretino
Decadente sem moral
Preconceito irracional
Contra o povo nordestino

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Muito além dessa cultura Patriotária de chuteiras



I
Meu Brasil pra mim é mais
Que marmanjos pebolistas
É Brasil que faz conquistas
De feições mais culturais
É Brasil, Brasil demais
Nossas faces brasileiras
Dessas gentes que guerreiras
É Brasil de era futura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
II
É Brasil de educador
É Brasil inteligente
É Brasil bem diferente
Vida de trabalhador
Braço de agricultor
E das mãos que tão obreiras
É Brasil lindo das feiras
Cuja alma assim fulgura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
III
Que se danem os venais
Mercenários desportistas
Dirigentes vigaristas
E TVs comerciais
Dos Galvões tão guturais
Exalando só leseiras
Puxas saco dos teixeiras
Cartolagem obscura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
IV
Circo quadri anual
Pra vender tudo que vende
A TV geral se rende
Neste circo tão venal
Liga tudo no canal
Emoções patrioteiras
Falas tão interesseiras
Patrocínio que se atura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
V
Meu Brasil vai mais além
De paixão quando tem copa
Patriota sim que topa
Do Brasil que sabe bem
Um Brasil a mais que tem
Dessas coisas tão fuleiras
Emoções tão passageiras
Que num mês somente dura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
VI
Seleção de mercenários
Vendedores de cerveja
Dunga fica no ora veja
Hoje fora dos cenários
Coitadinhos dos canários
Viram verde amareleiras
Quando vem pernas matreiras
De Holanda dando duras
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
VII
Neste solo africano
Vimos sim esse vexame
Holandês que nem exame
Seleção foi pelo cano
Sem o besta do Elano
Sem Kaká bolas certeiras
Ó Galvão quantas asneiras
Meu ouvido ainda atura
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
VIII
O Brasil que deu Pelé
Deu Garrincha deu Tostão
Nos deu Zito um cracão
Jairzinho bom no pé
Se com Zico não pôs fé
Corro dessas choradeiras
Todas as paixões boleiras
Dormem em salas escuras
Muito além dessa cultura
Patriotária de chuteiras
IX
Quem levou a laranjada
A cambada do tal Dunga
Holandês jogando tunga
Jabulani a enrabada
Uma azul amarelada
Inté mais as baboseiras
Entrevistas costumeiras
Toda sorte de grossura
Vade retro essa cultura
Patriotária de chuteiras
X
Nem Kaká e nem Robinho
Nem também o Fabiano
Dunga entra pelo cano
Sem Neimar sem Ronaldinho
Sem o Ganso um danadinho
Dois a um bolas ligeiras
Jabulanis traiçoeiras
Toda empáfia assim se cura
Vade retro essa cultura
Patriotária de chuteiras

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Motes e glosas de Allan Sales




Nossos sonhos são travessos
E de nós fazem brinquedos
Eles escondem segredos
Tem seus fins e seus começos
Podem sim gerar tropreços
Ilusão ter simplesmente
Por demais arrasam a gente
Se frustrar mundos medonhos
São crianças nossos sonhos
Seu playground nossa mente

Eu aqui vou na real
Retomando meu caminho
Sei que vou lutar sozinho
Num viver tão visceral
Vou em busca do total
Do que foi bem concebido
Meu caminho escolhido
Armadilhas não esconde
Vou de volta para onde
Não devia ter saído

Sem anseios de burguês
Armadilha em consumismo
Longe desse vampirismo
De total desfaçatez
A lição aqui se fez
Pra me ver esclarecido
Se um pecado é cometido
Logo a vida nos responde
Vou de volta para onde
Não devia ter saído

Ilusões toscas lorotas
Como tal ouro de tolo
Eu de fora deste rolo
Conviver com idiotas
Eu traçando novas rotas
O labor meu preferido
Um laurel bem auferido
O meu trilho neste bonde
Vou de volta para onde
Não devia ter saído

Ilusão de tosca era
De afetos pueris
De arroubos juvenis
De uma alma de quimera
Vida dura tão sincera
Como tal acontecido
Iludir empedernido
Sou do povo não um conde
Vou de volta para onde
Não devia ter saído

Voltarei e simplesmente
Aos anseios da virtude
Equilíbrio e ter saúde
E centrar tudo na mente
Velejar nesta vertente
Nada bom foi corrompido
Quem a vida tem bem lido
Este rio só transponde
Vou de volta para onde
Não devia ter saído

quinta-feira, 3 de junho de 2010

COPA



Projeção afetiva dos carentes
Sentimento geral massificado
Um Brasil varonil vai no gramado
Com TVs exibindo insistentes

Os Galvões com seus berros estridentes
É Brasil novamente no tablado
Novo circo venal tão bem armado
São milhões em ação grandiloqüentes

Afinal é Brasil na bola é copa
Pra mostrar pros branquelos da Europa
Que evasão escolar tem fé boleira

Se não tem pro povão a boa escola
Teu consolo moleque é jogar bola
Pra virar patriota de chuteira

ALLAN SALES

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Estrofes para Maria Bethânia




Lady ruiva do agreste
Tu és vida e coração
Se a arte te consola
Um poema uma canção
Mas se é ouro é de tolo
Se a arte é teu consolo
Só o amor a solução


Com alguém te adorando
Te amando intensamente
Com dois corpos mundo ardente
E assim se completando
Por enquanto consolando
Como na masturbação
Toda arte é uma ilusão
É o confeito não o bolo
Se a arte é teu consolo
Só o amor a solução


E assim linda ruivinha
Ouve sim tal melodia
Exultai com a poesia
Toda trova tão bem minha
E serás em toda linha
Sem carência ou depressão
Pois ruivinha é tesão
Não me bota nesse rolo
Se a arte é teu consolo
Só o amor a solução


Explorar tua tez branca
Com afagos do carinho
O teu púbis ser meu ninho
Meu selim a tua anca
Meu desejo nunca estanca
É real sem a ilusão
Eu que sendo teu varão
Te exploro em toda parte
Teu consolo vem da arte
Só o amor a solução


E sentir teu doce cheiro
Tua seiva como tal
Sorveria é divinal
Meu prazer seria inteiro
Te tocar leve e fagueiro
Teu desejo em profusão
Gemerias de emoção
Eu feliz ao penetrar-te
Teu consolo vem da arte
Só o amor a solução

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A indústria do sexo(mote e Heleno Alexandre)



I
A mostrar pelas telas as devassas
As mundanas também cabras escrotos
A indústria que tem perfis marotos
Por aí divulgando tais trapaças
Pra entreter as vulgares toscas massas
Com mau gosto seboso deprimente
O que tem na cabeça essa gente
Ao bom senso comum assim atenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
II
A mostrar toda forma bem bizarra
De transar e fazer só putaria
Exaltando fazer da sodomia
Empurrar esse lixo até na marra
A justiça daqui não lhes esbarra
Pra rolar putaria indecente
Deseduca demais adolescente
Essa bosta cruel torpe nojenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
III
Eu não quero posar de repressor
Muito menos careta e moralista
Mas tal coisa quem vem qual vigarista
Pra mostra uma arte sem valor
Sem moral sem porém e sem pudor
A mulher num estado deprimente
A mostrar um trepar tão decadente
A tratar a mulher como jumenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
IV
Pois só serve pra ser de punheteiro
Pra tarado senil ter suas taras
Pra doentes mentais meter as caras
E curtir torpe coisa de puteiro
Tal negócio nojento dá dinheiro
Pra excitar punheteiro bem carente
Que não pode transar e é demente
Pra curtir essa bosta purulenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
V
Inspirar quem curtir pedofilia
Ensinar a trepar com animais
Surubar enrabar e outros mais
E chupar muita rola nesta orgia
Festival de felatio e sodomia
Mas quem curte demais prazer que sente
Imagina fuder e ter presente
A mulher que na tela se apresenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
VI
Um negão com uma rola de jumento
A comer o cuzim de uma louraça
Ela pega sua rola e empapaça
Engolir sua porra no momento
O negão foi ali gozou sedento
Nem ligou se ela ali meteu o dente
Entupiu sua boca simplesmente
E galou a garganta da sedenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
VII
Duas donas fazendo um sabão
E um cabra babando na punheta
Elas duas roçando com a buceta
Tome velcro ali pro garanhão
Ele pega as duas com tesão
Mete rola nas duas trás e frente
Bota elas chupando pau bem quente
E esporra na boca e arrebenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
VIII
Dois viado trocando o cu na hora
E depois vão fazer luta de espada
Pra depois revezar na enrabada
Cabra frango pensado ser senhora
Tal negócio seboso que apavora
Mas quem compra mental é indigente
Pensa merda demais nem se ressente
Pois só tem consciência pestilenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
IX
Uma amiga que tenho na cidade
Vê demais curte ver um mói de pica
Na internet batendo siririca
Ela gosta de ver barbaridade
Zona sul que ela mora na verdade
Escondida da tia vê somente
Se a véia pegar é doida e crente
Vai pregar sua bíblia lazarenta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente
X
Eu curti ver Império dos Sentidos
Vera Fischer mostrar a pentelheira
Vi a Rita Cadilac ser bundeira
Vi mil cus por aí serem fudidos
Eu fiquei com os dedos doloridos
De bater uma bronha bem contente
Vendo filme seboso e diferente
Onde a nêga numa rola dura senta
A indústria do sexo movimenta
Cem bilhões de reais anualmente

terça-feira, 4 de maio de 2010

Mote de Jorge Santos




I
Ser humilde meu senhor
É receita pra viver
Ser humilde e perceber
Qual o seu real valor
Ser um falso é estupor
É buscar a vilania
O caminho da porfia
Quem cultiva a falsidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
II
Sendo falso não prospero
Se eu sou dissimulado
Orgulhoso e abestalhado
Isso nunca eu espero
Tal pendor me exaspero
Corro dessa tirania
A virtude que se cria
É o caminho da verdade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
III
Um poeta do improviso
Que mostrou na internet
Que tal farsa se repete
Que o falso é cabra liso
Escorrega e sem aviso
Seu ardil que ele cria
Orgulhoso todavia
É uma temeridade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
IV
Este mundo de poltrões
De arautos do orgulho
Essa gente é um bagulho
Sacripantas mandriões
São pascácios falastrões
Satanás por companhia
Inimigos da alforria
Cancros da sociedade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
V
Vejo tanta decadência
Travestida de sucesso
Este pútrido processo
A beirar tosca demência
Falta tanta competência
A sobrar verborragia
Na moral tal sodomia
Falta de capacidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
VI
Gente brega tosca e burra
Antropóides consumistas
Pitt Bulls torpes fascistas
Ao abismo tudo empurra
Essa casta tola zurra
Vê o caos cala nem pia
Como é baixa a energia
Vermes da humanidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
VII
Bando de filhos da puta
Sócios dessa impudência
Os coveiros da decência
Só cifrão tem por permuta
Alma tosca e prostituta
Que nos mete numa fria
O inferno assim recria
Vivem na impunidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
VIII
São asseclas do poder
Lambem botas dos tiranos
Seus pendores subumanos
Com o seu empreender
Desta forma se vender
Pra fartar-se nesta orgia
A esbórnia essa sangria
Nesta biltre insanidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
IX
No meu canto espiando
O banquete dos chacais
Dos abutres vis venais
Nesta faina se fartando
Eu aqui vociferando
No cordel sem latumia
Outro mundo então queria
Onde reine a probidade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia
X
Caro Jorge meu apreço
Pelo mote ofertado
Na internet meu prezado
Sua lavra não tem preço
Verso tem seu endereço
Rumo a esta porcaria
Que se chama burguesia
Não falei nem a metade
Não me falta a humildade
Só me falta a hipocrisia

A madame ,a mocinha e o taxista



baseado num texto do livro PIADAS DO PASQUIM
I
A mocinha bem nascida
Ficava no interior
Estudava no internato
Sobrinha de um monsenhor
Sua mãe muito zelosa
A madame cabulosa
Era como seu feitor
II
Pra senhora pro senhor
Vou agora lhes contando
Quando ela então chegou
Pro Recife retornando
As férias de fim de ano
Ela vinha era o plano
No Recife assim chegando
III
Ela foi desembarcando
Na rodoviária antiga
Sua mãe foi lhe buscar
Nervosa e fazendo figa
Seu busão que atrasava
Mas enfim então chegava
Ver mamãe e a turma amiga
IV
No cordel eu que lhes diga
Como tudo aconteceu
A madame chamou: táxi
E um fusquinha apareceu
Disse:- vou pra Madalena
E o cabra ali na cena
Ouviu e obedeceu
V
Uma volta que ele deu
Num caminho mais comprido
Resolveu mudar caminho
Salafrário era sabido
E no fusca neste tranco
Correu lá pra Rio Branco
Bem folgado e enxerido
VI
Pra você leitor querido
Uma coisa eu vou contar
Quem não mora no Recife
Do lugar eu vou falar
Rio Branco tinha a zona
Tinha quenga e marafona
Pra você se situar
VII
A madame ao olhar
Vendo aquela pasmaceira
Taxista tão sacana
Não fez rota costumeira
Pra lesar o seu dinheiro
Lá no bairro do puteiro
Ele fez essa besteira
VIII
A mocinha tão matreira
Foi olhando pras calçadas
Era começo da noite
Viu as moças maquiadas
E com roupas provocantes
À espera dos passantes
Pra dar suas furunfadas
IX
Vendo elas enfeitadas
A mocinha curiosa
Perguntou para mamãe
Como que maliciosa
Quem seriam aquelas donas
Muitas delas bonitonas
Desfilando em polvorosa
X
A mamãe bem cuidadosa
Julga a filha uma inocente
Diz assim pra sua filha
Com uma voz bem paciente
Essas moças ó querida
Que nós vemos na avenida
Bem ali na nossa frente
XI
E falou toda contente:
Esperando seus maridos
São esposas cuidadosas
Com seus homens tão queridos
Antes de ir pros seus lares
Vão ali beber nos bares
Que são os seus preferidos
XII
Absurdos proferidos
O chofer se assustou
Interrompe essa madame
Foi assim que ele falou:
Madame, por caridade
Conte logo essa verdade
Quase que esbravejou
XIII
Sua filha até notou
Que esposas que são não
Sua filha é uma mocinha
Que tem boa educação
A verdade nua e crua
Diga para a filha sua
Deixe de tanta ilusão
XIV
A madame disse então
Sem mentir para mocinha
Como era a prostituta
E a vida que ela tinha
A mocinha escutando
E a seguir foi perguntando
Era arguta e espertinha
XV
Como é triste ó “mãinha”
Disse a moça desolada
E a seguir outra pergunta
Fez pra mãe tão dedicada
Essas moças filhos tem?
E se quando um filho vem
Qual a criação que é dada
XVI
A mamãe já afobada
Puta com o vigarista
Disse pra filha do lado
Filhos tem: - sem pai na vista
Se são homens,estão lascados
Quando crescem esses coitados
Vão “tudim” ser taxista

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Estrofe para Maria Bethânia




Fantasias que tu tens
São frenéticas reais
Os teus sonhos de volúpia
Teus hormônios viscerais
São a força em natureza
Do tesão a correnteza
Dos instintos animais

ALLAN SALES

mote de Giuseppe Mascena



I
Onde andei foram rumos mais incertos
Mas vivi pra trazer boa lembrança
Encontrei o meu par e fiz a dança
Mas depois encarei muitos desertos
Pesadelos e sonhos mais despertos
Eu vivi e me pus sempre a sonhar
Pois viver é querer recomeçar
A lição que na vida eu guardei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
II
Pra seguir suplantar todo tormento
Precisei conhecer meu ser a fundo
Pra depois mergulhar bem mais profundo
Clarear para ver meu pensamento
O destino me fez seu instrumento
Pra saber conhecer e transformar
De outro modo fazer sem ver findar
O sonhar que aqui eu imaginei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
III
Aprender como faz toda harmonia
Sem voltar cometer mesmos enganos
Pois eu vi naufragar aí uns planos
Que plasmei ao criar tal fantasia
Mas sobrou para mim na poesia
Ser feliz por motivos pra falar
Ver a vida na frente e versejar
E pensar no que mais eu saberei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
IV
Pra crescer é preciso toda vez
Conhecer o penar de um sofrimento
E depois superar triste momento
E de novo nosso mundo se refez
Prosseguir com coragem e altivez
O seu mundo de nova um clarear
Aprender compreender e transformar
Pois mudar neste mundo é nossa lei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
V
Prosseguir pra aprender em cada dia
Conseguir transformar todo presente
Pois passado se foi e tão somente
E deixou todos nós na mesma via
Pra seguir numa estrada que alumia
Mas pra sempre de tudo bom lembrar
O passado deixou para ensinar
E de tudo de bom sempre lembrei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
VI
Os desertos corri sem ver futuros
Mas nasci novamente e fui em frente
Pois sentir pra viver e tão somente
E correr de sofrer nestes escuros
Os caminhos de nós às vezes duros
São lições que nós temos que encarar
Pra volver neste novo caminhar
Prosseguir nesta rota retomei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
VI
Os desertos corri sem ver futuros
Mas nasci novamente e fui em frente
Pois sentir pra viver e tão somente
E correr de sofrer nestes escuros
Os caminhos de nós às vezes duros
São lições que nós temos que encarar
Pra volver neste novo caminhar
Prosseguir nesta rota retomei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
VII
Se vivi sem querer os desenganos
É porque eu bem quis felicidade
Mas perdi meu caminho é bem verdade
Mas mudei prossegui mudei os planos
Velejar por aí a plenos panos
Pra sentir como faz me renovar
Aprendi como os prantos enxugar
Renovar renascer isso eu bem sei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
VIII
Novo mote glosar pra ter na vida
Esperança de ter novos caminhos
Desfrutar novos braços seus carinhos
É vontade que tem bem desmedida
Só lembrar do que foi na era sofrida
Não nos vai construir nem melhorar
O melhor que nós temos pra tentar
No futuro na certa bem verei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
IX
Um volver repensar todo passado
Bem melhor vislumbrar sempre a mudança
Pra viver num bailar de nova dança
É querer ter o mundo transmudado
O que foi não vem mais para o tablado
Nos tocar nos dizer como encetar
Nova meta de vida planejar
É a coisa completa que farei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar
X
Emoções que Roberto que nos falou
Que sonhei que vivi são importantes
Outras mais bem reais novos instantes
Que virão que serão nisso que vou
Agradeço Mascena que ,mandou
O seu mote bonito pra eu glosar
No cordel por meu povo assim olhar
Tudo aquilo de bom que versejei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

domingo, 25 de abril de 2010

Já dizia o bom poeta/Beleza é fundamental




A beleza é um atrativo
Como dom da natureza
Atributos da beleza
Faz o mundo ser mais vivo
A beleza é lenitivo
Faz um sonho ser real
Toda forma natural
Emoção pura e dileta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

Os contornos sinuosos
De um corpo de mulher
Toda graça que tiver
Que nos faz ser sequiosos
Os semblantes tão formosos
Todo belo é divinal
Como arroubo visceral
Do desejo que acarreta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

Pois Vinícius de Moraes
Que falou no seu poema
Ter o belo como lema
Os encantos naturais
A mulher que tem a mais
Com seu ciclo como tal
Sua curva hormonal
Que no tempo se completa
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

Este ser de dom divino
Nos atrai e nos seduz
O seu toque e sua luz
Seu feitiço feminino
Faz mudar nosso destino
Seu maneio sensual
Despertando o animal
Que na alma nos afeta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

O molejo dos quadris
Toda curva insinuante
Sua voz que nesse instante
Faz de nós seres viris
Pois seus modos feminis
A flagrância corporal
É uma força visceral
Qual cupido lança a seta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

A mulher tão desejada
Que nos faz pensar distante
No arfar de um peito amante
Pelo sim da bem amada
A distância de uma estrada
Não impede e afinal
Um querer descomunal
Faz vencer a curva e a reta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

A beleza nos comove
Vira fonte de um desejo
Que desperta num lampejo
Tudo em nós assim se move
Alma que se locomove
A querer feliz final
Todo painel mental
O desejo assim se enceta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

A beleza de uma musa
Faz soar verso dolente
Desejar de alma contente
Um desejo todo acusa
Todo verso que se usa
Pode assim virar banal
Se é miragem e irreal
Como anelo de um pateta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

Loura negra ou morena
Ruiva japa ou mulata
A beleza que arrebata
Faz mudar a luz da cena
A beleza se faz plena
Como grito gutural
Arrebata no geral
E o juízo nos deleta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

Verseja falar do belo
Toda graça feminina
Pois Vinícius determina
Um anseio deste anelo
Como o sol brilha amarelo
No fulgor mais matinal
A beleza assim fulcral
Para um verso ser a meta
Já dizia o bom poeta
Beleza é fundamental

sexta-feira, 19 de março de 2010

Texto de repórter policial na reintegração de posse da Fazenda Éden.




Estamos aqui em numa localidade conhecida como Paraíso, onde um casal de sem terra recém casado, que respondem pelo nome Adão e Eva, que ocuparam a Fazenda Éden de propriedade do Sr Jeová que eles julgavam ser improdutiva.

De acordo com essas filmagens feitas por helicóptero por forças de segurança, Adão, a mando de Eva, destruiu alguns pés de maçã, e devorou sem autorização do dono da fazenda essa espécie de maçã transgênica, patenteada de fruto proibido.

O sargento Gabriel, do batalhão de choque , que comandou a ação de reintegração de posse, portando uma espada enorme, disse que o casal, visivelmente fora de si, brigava muito e responsabilizavam mutuamente pelo vandalismo, aparentemente sob efeito de álcool ou até outras drogas, já que dona Eva dizia que só orientou seu marido a fazer a depredação das macieiras do Sr Jeová, porque ela ouviu uma enorme sucuri lhe dizer para fazer isso.

Sr Adão que até agora era conhecido um completo desocupado, foi condenado a prestar serviços comunitários para ganhar o pão com o suor do seu rosto, dona Eva visivelmente desolada, falou com nossa reportagem e disse que está preocupada como é que vão criar o primeiro filho dela, já que está grávida e nos disse que está preocupada com o futuro do seu primeiro filho que eles vão batizar, em homenagem ao cão pastor alemão do batalhão de choque,que chorou bastante e se recusou a latir pra eles e só dizia: Caim. Caim, Caim.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Texto de repórter policial no incidente dos vendilhões do templo




Estamos aqui na Judéia, especificamente na frente do templo de Jerusalém, onde hoje houve um incidente entre os camelôs que comercializavam seus produtos paraguaios sem nota fiscal e um grupo de treze homens, liderados por um rapaz que dias atrás, chegou em Jerusalém montado num jumento e ovacionado por uma enorme multidão que o chamava de Messias, causando um grande tumulto na cidade, mas ignorado pelas autoridades por se tratar de um movimento pacífico.

Segundo os ambulantes, esse rapaz bastante alterado, promoveu o quebra-quebra geral nas mercadorias, e dizendo que não reclamassem aos fariseus que dirigem o templo, que seu pai era muito poderoso e não estava nada satisfeito com aquele comércio irregular na casa de Jeová.

Depois de muito corre-corre e gritaria, os ambulantes correram assustados, pensando que se tratava de um arrastão, já que esse moço dias antes se reunira com mais de trinta mil sem terra santa, como os quais distribui um carregamento enorme de pães e peixes de origem desconhecida, ficando muito conhecido na região por esse fato. Segundo populares, deve ser um rapaz de posses, pois, segundo pudemos apurar não trabalha, sendo visto muitas vezes praticando surf nas praias locais, já que dizem que é muito bom em andar sobre águas.

A guarda romana foi chamada, mas, quando chegou, o grupo já tinha se evadido do local sem levar nada, o que caracteriza apenas vandalismo. Os ambulantes não quiseram prestar queixar na delegacia, com medo de represálias por parte do pai do chefe do bando que os atacou, que eles acreditam mesmo ser todo poderoso, já quem em outros tempos foi apontado como mandante da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra, cuja população tinha muitas dívidas com ele.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Texto de repórter policial no local da morte de Judas.




Estamos aqui na Judéia, num subúrbio afastado da Grande Jerusalém, onde um rapaz conhecido como Judas Iscariotes apareceu enforcado numa árvore, causando a curiosidade de muitos populares que ao encontrarem a cena chamaram o IML para recolher o seu corpo.

Segundo informações que pudemos apurar, ele passou o dia todo bebendo muito numa taberna perto do local onde apareceu enforcado. Visivelmente transtornado, segundo o dono do bar ele portava uma bolsa com cerca de trinta dinheiros, mas a origem desse dinheiro todo ele não queria comentar, e entrava em desespero e chorava copiosamente quando olhava para tal bolsa.

Pelo que pudemos apurar, ele já bastante bêbado falava com muita emoção de um tal de Jesus de Nazaré que apareceu crucificado no Calvário com mais dois ladrões, segundo seus amigos mais próximos era presidente uma ONG chamada Discípulos do Messias da qual Judas fazia parte. A maior parte do tempo, falava com muita raiva de uma tal de Madalena com a qual na certa deveria manter uma certa rivalidade no seio dos membros dessa ONG, que fazia um trabalho social que distribuía pães e peixes com os sem terra da Judéia , praticava cura de cegos e aleijados sem plano de saúde, chegando a ressuscitar um senhor chamado Lázaro, animando casamentos transformando água em vinho.

A polícia trabalha com todas as hipóteses, mas a mais provável é mesmo de suicídio, já que segundo um popular que o conhecia,ligou para o disque denúncia dizendo que ele se matou com remorso por sentir-se culpado pela morte do Nazareno, a quem entregou em troca de tinta dinheiros, para ser julgado e crucificado por seus inimigos, movido pelo seu ciúme doentio e possessivo pelo filho de Dona Maria, por quem tinha uma paixão homossexual não correspondida, já que esse demonstrava um certa preferência por sua estagiária conhecida como Madalena,que segundo seus seguidores mantinha com ela um relacionamento amoroso.

sábado, 13 de março de 2010

Palavra Não(letra de música)

.
.
Não, palavra não, não tem mais como consertar
São diferentes nossos modos de amar
Um foi desejo que andou na contramão
E agora tem que achar um jeito de calar

E quem desejou bateu no frio da ilusão
Andou incerto e voltou sem ver razão
Ouviu o não de uma boca assim falar
Andou desertos sem ver cores da paixão


Foi fazendo coisas no violão puxando verso
Ouvindo a voz do coração neste universo
Num modo imerso todo encanto desta flor
E quando chegava nesta hora ela fugia
Deixando só o turbilhão de melodia
E a poesia que falou de um lindo amor

Flor, que cultivada em coração com tanto zelo
Mostrando ao mundo uma alma nua em pelo
Toda canção que foi paixão de um trovador
Vai lembrar pra sempre com emoção daquele dia
Em que ouviu palavra não que ela dizia
Quem só queria para ser seu grande amor.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

SONETO MASTURBATÓRIO

De há muito que eu venho procurando
Quem resolva para mim tanta carência
Eu não sou um galã na aparência
Mesmo assim do meu jeito vou tentando

Por enquanto vou seguir me consolando
Com um brinquedo que vem da adolescência
Se a espada me lateja com potência
Eu na mão vou por hora me virando

Me recuso a pagar pra dar no couro
Mas ficar sem fuder é mau agouro
Que saudade sinto de uma cara preta

E assim é na mão que eu me acabo
Quando passas rebolando esse seu rabo
Eu me lasco descascando uma punheta

A velhice é uma cruz/Difícil de carregar



I
A velhice vem chegando
Com o peso da idade
E assim a humanidade
Ficar nova vai tentando
E Viagra vem tomando
E com medo de brochar
Juventude esticar
É projeto que seduz
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
II
Faz assim um tratamento
E repõe seu hormonal
Tudo isso é normal
Se tem grana no momento
Medicina é instrumento
Mas não tem com parar
O relógio vai passar
Seu ponteiro não reduz
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
III
Mulher velha faz implante
E estica todo couro
No dinheiro dá estouro
Ficar nova seu rompante
Bisturi que desencante
Faça ela remoçar
Mas se muito esticar
Ilusão assim supus
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
IV
Cabra velho pinta os pelos
Da cabeça e do bigode
Não quer ser um velho pode
Quer mostrar outros apelos
E assim com atropelos
Bem boyzinho quer ficar
Pra meninas se mostrar
Visual que assim reluz
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
V
A temer ter rola mole
Toma muito do hormônio
Mas se tem bom patrimônio
A mulher com ele bole
Pede que o velho atole
E bem dentro pra gozar
Pra depois dela emprenhar
Golpe da barriga induz
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
VI
Mulher velha gasta grana
Com tintura e maquiagem
Pra cuidar bem da imagem
Parecer nova e bacana
Mas a ruga não engana
No pescoço é pra notar
E não dá pra disfarçar
Ruga em mãos anos traduz
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
VII
Mas tem velho que aceita
Sem problema envelhecer
Ver a rola amolecer
Vai assim buscar receita
Com Viagra então se deita
Com uma nêga pra trepar
O vovô pode enfartar
Socorrido pelo SUS
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
VIII
Mulher bem mais vaidosa
Vai pra faca e tudo estica
Como ela não tem pica
Só abrir e toda prosa
Mas não é mais tão fogosa
Gigolô pode encarar
Que na velha vem colar
E ao salário fazer jus
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
IX
Rola mole e buça frouxa
O futuro na velhice
Um doutor assim me disse
Quem não saca é um trouxa
Pois o tempo não afrouxa
Bota mesmo pra quebrar
E quem isso não aceitar
Vá e entregue pra Jesus
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar
X
Zé Limeira certa vez
Pelejava com Heleno
Apostou saco de ENO
Foi aposta que ele fez
Num bordel lá em Suez
Fez Heleno biritar
De depois de vomitar
Resolver comer uns cus
A velhice é uma cruz
Difícil de carregar

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A fé remove montanhas/ Terraplenagem também



Existe quem tem a fé
E em algo acredita
O ateu desacredita
Cada um faz o que quer
Mas a razão é mister
A toda hora convém
Existe o mal e o bem
Do destino as artimanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Tem cristão tem muçulmano
Tem judeu e tem budista
Tem hindu e umbandista
Tem fanático e insano
Cada um tem o seu plano
É um grande vai e vem
O radical tem desdém
E fala coisas estranhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

O ateu e comunista
Acredita na matéria
Sua teoria é séria
Tem também o anarquista
De toda fé ele dista
Muçulmano tem harém
O pastor cobra um vintém
Buda tem as suas banhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

E teve a tal da cruzada
E a cruel inquisição
Fé com tortura e prisão
E gente morrendo assada
A fé nos é ensinada
De uma vida no além
Muito romeiro porém
Faz com a fé as barganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Há quem despreza a Ciência
Teoria evolutiva
Muita gente se esquiva
De pensar com sapiência
Uma cega obediência
Muita gente louca tem
Uma fúria sem porém
Qual um bando de piranhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Há quem cobre dez por cento
Há que não nos cobra nada
Comunista camarada
Também cobra tal provento
Pra manter o movimento
Os dez por cento mantém
O tal budista é tão zen
Que não devora lasanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Pai de santo macumbeiro
Fé de origem africana
Fé origem indiana
Que tem pra mais de milheiro
Seu Macedo tem obreiro
Junta milhão mais de cem
De Roma a Jerusalém
A fé possui muitas manhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

E quem acredita em Deus
Crê também no Satanás
O capeta satisfaz
Toda fé dos fariseus
Que só quer o bem dos seus
E o Papa dizendo amém
Proíbe clonar o gen
Faz puritanas campanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Quando veio para o mundo
Jesus Cristo foi artista
E dançou frevo na pista
No forró de Edmundo
Foi quando Pedro segundo
Foi comprar um Voltarem
Pois não se sentia bem
Pois brigou com dois meganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Fica o dito por não dito
Acredite se quiser
Ou então quando puder
Vá folheando um escrito
Da fé que dá veredicto
E não perdoa a ninguém
Guarda grana em armazém
Que levar o que tu ganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
TERRAPLENAGEM TAMBÉM

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

mote de Giuseppe Mascena

.
.
Onde andei foram rumos mais incertos
Mas vivi pra trazer boa lembrança
Encontrei o meu par e fiz a dança
Mas depois encarei muitos desertos
Pesadelos e sonhos mais despertos
Eu vivi e me pus sempre a sonhar
Pois viver é querer recomeçar
A lição que na vida eu guardei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

Pra seguir suplantar todo tormento
Precisei conhecer meu ser a fundo
Pra depois mergulhar bem mais profundo
Clarear para ver meu pensamento
O destino me fez seu instrumento
Pra saber conhecer e transformar
De outro modo fazer sem ver findar
O sonhar que aqui eu imaginei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

Aprender como faz toda harmonia
Sem voltar cometer mesmos enganos
Pois eu vi naufragar aí uns planos
Que plasmei ao criar tal fantasia
Mas sobrou para mim na poesia
Ser feliz por motivos pra falar
Ver a vida na frente e versejar
E pensar no que mais eu saberei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

Pra crescer é preciso toda vez
Conhecer o penar de um sofrimento
E depois superar triste momento
E de novo nosso mundo se refez
Prosseguir com coragem e altivez
O seu mundo de nova um clarear
Aprender compreender e transformar
Pois mudar neste mundo é nossa lei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

Prosseguir pra aprender em cada dia
Conseguir transformar todo presente
Pois passado se foi e tão somente
E deixou todos nós na mesma via
Pra seguir numa estrada que alumia
Mas pra sempre de tudo bom lembrar
O passado deixou para ensinar
E de tudo de bom sempre lembrei
No caminho das pedras que trilhei
Não existem mais rastros pra voltar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Glosas Cristãs de um poeta ateu



Mote de Valdir Teles e Louro Branco
I
Numa cruz o puseram na Judéia
Os judeus o mandaram pros romanos
Pra sofrer tais castigos desumanos
Barrabás sim gritou louca platéia
No calvário penou sob a alcatéia
E levou meio mundo de porrada
Numa cruz teve vida enfim ceifada
Na maior tão cruel vil tirania
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
II
Ao voltar vai achar falsos profetas
A vender salvação por dez por cento
Vai notar que até lá num convento
Também tem muitas coisas incorretas
Se Jesus nos mostrou as boas metas
Que cristãos por aí fizeram nada
Cristandade demente e depravada
A levar muita vida na orgia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
III
Vai notar que mentiras inventaram
Pra manter no poder tantos impérios
Ver chacal proferir mil impropérios
Pra ter grana que ali porcos juntaram
Pois Jesus suas frases deturparam
Pra fazer em seu nome uma cilada
Enganar tanta gente bem ferrada
E pregar por aí a hipocrisia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
IV
Achar fé por aí virar negócio
Ver igreja falar com intolerância
Ver reinar com seu nome só ganância
A fazer de Jesus como seu sócio
Pra vender salvação como consórcio
E juntar a fortuna desbragada
Satanás Lúcifer nesta parada
Pra assustar os fiéis com histeria
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
V
Ao voltar vai punir muito safado
Que se esconde por trás duma batina
Pra tarar bolinar numa menina
Ou menino se for padre e viado
Vai Jesus detonar padre tarado
Condenar esta malta desgraçada
Quem negou não puniu gente safada
Que acoitou sem punir pedofilia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
VI
Vai Jesus se arretar ao ver mentira
Ao ver guerra senil que gera grana
Pra manter tanta coisa desumana
Que mantém só seu lucro como mira
Mas não vai detonar a pombagira
Pois Jesus é um cabra camarada
E não vai detonar fé da negrada
Pois Jesus vai além da liturgia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
VII
Perceber como tem cabra ladino
Professando na fé de intolerante
Pra manter seu rebanho ignorante
Lamentar nesta fé triste destino
Pra juntar patrimônio de suíno
Ver a fé muito mal interpretada
Pois mudou a lição bem ensinada
Que pregou revelou com energia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
VIII
Vai achar este mundo revirado
Sem moral bagunçado em todo canto
Ver padreco coiteiro virar santo
Seu Karol com a CIA amancebado
Virar santo pra ser bem festejado
Mas Jesus vai fazer coisa acertada
Separar joio e trigo na jornada
Vai saber detonar toda anarquia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
IX
Mas vai ser novamente perseguido
Por poder sacripanta de um fascista
Que mantém tal sistema escravista
Mas Jesus vai voltar bem prevenido
Pois na cruz não vai ter prego batido
Vai cuidar de sua gente explorada
Que não vai numa cruz ser mais pregada
Torpe cruz do poder da burguesia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
X
Vai voltar pra ferrar e com razão
Detonar que botou tal fé no lixo
Quem tratou seu irmão pior que bicho
Quem pregou pra ganhar mais de milhão
Quem cobrou dez por cento a salvação
Na TV fez na fé só palhaçada
Falseou o evangelho essa cambada
Praticantes cruéis da simonia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
XI
Jesus Cristo morreu sem ter pecado
Demonstrou seu amor com plenitude
Faleceu no vigor da juventude
Mas depois foi assim ressuscitado
Pra subir para o céu bem consagrado
Prometeu retornar palavra dada
Quem tornou sua fé avacalhada
Não merece perdão nem garantia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada
XII
Vai voltar pra tornar seu mundo justo
Detonar destronar todo tirano
Pois do céu vem seu gesto soberano
Quem penou quem sofreu pagou seu custo
O perverso poder vai levar susto
Quando ver ele vir dar uma lavada
Faxinar esta Terra esculhambada
Implantar o seu reino de harmonia
Quando o filho de Deus voltar um dia
Vai achar pouca gente preparada

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Eu e Bianca Liz


(Bianca Liz e Allan Sales em julho de 2009 numa festa no Recife)
I
Eu vou contar pra vocês
O que aconteceu comigo
Foi coisa boa na vida
Aproveito então e digo
O fato inesperado
Num momento iluminado
Por causa de um amigo
II
Essa história eu sigo
Estava eu na internet
Abrindo o meu ORKUT
Que até hoje se repete
Um recado atencioso
Ao lado um rosto formoso
Eu ali no “tete à tete”
III
Ela jogava confete
Dizendo que o camarada
Falara do meu trabalho
No cordel a minha estrada
Era Bruno de primeira
Cabra bom da Fim de Feira
Que dera a dica arretada
IV
Ela estava interessada
Em conhecer meus cordéis
Era estudante de letras
Nas lides dos bacharéis
Falando como podia
Ler a minha poesia
Colocada nos papéis
V
Esses versos meus lauréis
Falei pra ela que tinha
Vi a foto dessa ninfa
E as outras que ela tinha
Álbum de fotografias
Com poses alegorias
Que fazia essa lindinha
VI
Ó que linda baianinha
Que gestos insinuantes
Cara de inteligente
De olhares cativantes
Resolvi fazer um verso
Na septilha imerso
E falando sem rompantes
VII
Passados dias instantes
Ela então me respondeu
Num recado de ORKUT
Que esse poeta leu
Vi que estava na rede
De falar-lhe tive sede
E assim aconteceu
VIII
Eu disse a ela que eu
No MSN estava
Mandei o meu endereço
Na hora ela aceitava
E ali adicionado
Com essa diva ligado
Um belo papo rolava
IX
Eu ali me apresentava
Falava coisas de mim
Ela então também dizia
O que fazia enfim
Rolou tanta empatia
Coisa linda e simpatia
Uma sedução sem fim
X
Maragogipe o confim
Sua terra na Bahia
Ela ambientalista
No trabalho que fazia
Ela fez um desafio
Eu ali liguei o fio
E mandei mais poesia
XI
Emoção a cada dia
Toda vez que encontrava
Flor de Liz na internet
E muito mais conversava
Uma alma delicada
Ô baianinha arretada
Que assim me arrebatava
XII
O tempo assim passava
Um dia eu informei
Meus telefones pra ela
E os dela copiei
Pra um telefone correndo
Fui pra perto me acendendo
E pra lindinha eu ligue
XIII
E assim eu me encantei
Com a voz tão sensual
Continuei nesta rede
Na conversa virtual
Cada vez ligado nela
Virou a musa tão bela
Do poema original
XIV
Minha verve musical
Com a bela despertou
Um samba com sentimento
Que do meu pinho brotou
E foi pela TELEMAR
Que fiz ela escutar
O samba que ela gostou
XV
Uma idéia rolou
Ela iria pra um congresso
Na capital de Alagoas
Sua escola em acesso
Eu iria encontrá-la
Em Maceió olhá-la
Isso não teve sucesso
XVI
Eu fiquei foi de recesso
A virose me pegou
Não pude ver minha musa
No lugar que ela marcou
Mas continuei falando
Na internet criando
Poemas que ela amou
XVII
A bossa nova rolou
Chamada de Baianinha
Canção que mandei gravada
Por g-mail pra gatinha
Assim como mandei samba
Toquei violão de bamba
Pra encantar a fofinha
XVIII
E finalmente na linha
Eu iria a Salvador
Participar de um encontro
Coisa de procurador
Fui ter em Camaçari
E bem pertinho dali
Ver de perto a linda flor
XIX
Ver de perto toda cor
beleza que encandeia
Ela vestindo vermelho
A minha mente incendeia
Foi no Mercado Modelo
Aonde pude fazê-lo
Ver a baiana sereia
XX
A luz da tarde tão cheia
Quatro horas tão somente
Eu fiquei junto da musa
Aquele olhar envolvente
Mais linda do que na tela
Era muito mais que bela
Ver a Bianca de frente
XXI
Fiz um livro diferente
Todo dedicado à musa
Com sonetos com septilhas
Tudo o que o poeta usa
Assinei ali pra ela
Essa obra tão singela
A hora chegou intrusa
XXII
A tarde findou difusa
Vivia a tarde feliz
Ela foi para seu mundo
De volta ao torrão matriz
Terra da Felicidade
De onde trago a saudade
De Bianca Flor de Liz
XXIII
A vida assim que quis
Continuo lhe falando
Vez em quando ela aparece
Mas logo vai se mandando
Andando assoberbada
A baianinha ocupada
Sua batalha levando
XXIV
Eu aqui ou versejando
Lembrando com alegria
Eu ali no Pelourinho
A cantar a melodia
Pulsava o meu violão
Muito mais meu coração
Pra Flor de Liz da Bahia.

Nádia Patrícia



Linda criatura que tive a felicidade conhecer em 2009 no Mercado da Boa Vista

sábado, 30 de janeiro de 2010

A IDADE DO LOBO




Quando o homem amadurece
Chega à idade de ser lobo
Ele pensa não ser bobo
Seu desejo vem aquece
Mulher nova lhe apetece
Corre atrás de uma franguinha
Vira um coroa galinha
É um lobo o ”tiozinho”
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Parecendo estar no cio
Pelo menos aparenta
Pois passando dos quarenta
Pras boyzinhas é um “tio”
Chega dar um arrepio
Vendo moça mais novinha
Ele tenta entrar na linha
Parecer mais jovenzinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Lobo idade vê chegando
Fica um homem assanhado
Ele quer dar atestado
Que ainda está funcionando
E assim vai encenando
Esta antiga historinha
Sai atrás da garotinha
E só quer curtir brotinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

É o lobo caçador
Vai cercando sua presa
Utiliza a esperteza
E quer ser conquistador
Pra mostrar ser sedutor
Paquerando jovenzinha
Que é danada espertinha
Foge feito passarinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Vai assim pintar cabelo
E também raspa o bigode
E tem o fogo de um bode
Pra boyzinha faz apelo
E assim resolve sê-lo
Usa calça apertadinha
Quando ela se avizinha
Ele fica assanhadinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

O coroa é inseguro
Quer mostrar ter juventude
Só cuidando da saúde
Pra o “negócio” ficar duro
Pois tem medo de dar furo
Quando encara essa gatinha
Que é esperta safadinha
De transar saca tudinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Tal coroa é enxerido
Vivaldino bem sacana
Azarar balzaquiana
Quando não é preferido
Pela nova é esquecido
Rejeitado se aporrinha
Vai chorar qual ladainha
Ou procura outro carinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Se é coroa com dinheiro
Mas tesão é outra história
Ele guarda na memória
Seu passado por inteiro
Quando foi raparigueiro
A comer prima e vizinha
Agarrava a empregadinha
E a mulher do seu vizinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Dos seus tempos de rapaz
Ele era feito um galo
A subir fácil seu falo
Os tempos não voltam mais
Mas é lobo mau voraz
Galinhagem é fominha
Paquera a gata fofinha
Mas no fim fica sozinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

Lobo mau bem conformado
Encarar a tal coroa
Que ainda é muito boa
E dá conta do recado
Um coroa bem folgado
Quis dar uma transadinha
Namorar esta boyzinha
Que prefere homem novinho
Pois paquera a chapeuzinho
Mas só come a vovozinha

SONETO AO PAJEÚ


Agradeço aos poetas sertanejos
Por me darem tal presente em poesia
Pajeú pátria mãe da cantoria
Dos trinados de viola benfazejos

Grandes vates improvisos e lampejos
Que fizeram no meu canto a alforria
São José do Egito nalgum dia
Foi-me fonte dos poéticos desejos

E de volta ao Recife ensolarado
Vi meu verso de sertão impregnado
Prosseguindo pelo mundo um menestrel

O meu canto sertanejo adormecido
Acordou-se para sempre enriquecido
Traduzido em torrentes de cordel

SONETO DA ILUSÃO



.
E do jeito que me olhaste foi veneno
Foi feitiço que roubou o meu sossego
Cativando coração deste teu nego
Que rendeu-se a sonhar afeto pleno

Mas o mundo pra outro rumo fez aceno
E seguiste qual cigana sem apego
Teu afeto foi presente de um grego
Que aceitou meu coração em tempo ameno

Mas depois sobreveio a tempestade
E o tempo revelou toda verdade
Dissipando ilusão que em nós campeia

O afeto que me deste foi tão bom
Mas foi frágil como enfeite de crepom
Pois no fundo foi só canto de sereia


Recife, 2005.

SONETO AO RECIFE



Quando veio pequenino de outra terra
Uma dama litorânea lhe acolheu
Nos afagos de poesia que lhe deu
E o romance entre os dois nunca encerra

Na cidade que fez nativista guerra
Liberdade que um mártir concebeu
Pois um veio de coragem aí nasceu
E o inimigo vence bate e o desterra

E assim o viajante apaixonado
Pouco a pouco foi ficando transformado
Bem distante do saudoso Cariri

Neste canto de Brasil fez a morada
De Recife sua alma impregnada
Fez seu sonho de cidade ser aqui

SONETO DE CARNAVAL




A cidade acordou viva embalada
Sob os raios mais serenos matinais
Com o som dos clarins dos carnavais
Como onda veio a massa inebriada

Vendo o Galo que acordou de madrugada
Colombina com encantos sem iguais
Foi atrás de Arlequim não voltou mais
E deixou em Pierrô voz embargada

Pierrô fez assim seu triste verso
Colombina encantou-se no universo
Seu amor de carnaval que mais não viu

Em Pierrô desencanto e solidão
Colombina foi-se em meio à multidão
Sem pensar no coração que ela partiu



Este foi o primeiro soneto, o qual fiz no ano de 2005

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

AS PESSOAS DO VERBO

.(poema batizado pelo falecido poeta Erickson Luna)
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Eu me chamo perplexo
Tu te chama medo
Ele se chama fome
Nós nos chamamos reféns
Vós vos chamais de cidadãos
Eles se chamam senhores do mundo

Eu calo e espero a hora
Tu te calas e bebes
Ele se cala e enlouquece
Nós calamos e seguimos
Vós vos calais alienados
Eles se calam conspirando contra todos

Eu ameaço um auto exílio
Tu ameaças um suicídio
Ele ameaça: - é um assalto
Nós ameçamos uma greve
Vós ameaçais até breve
Eles ameaçam de morte

Eu penso em prosseguir
Tu pensas em consumir
Ele pensa em sobreviver
Nós pensamos bem diferente
Vós pensais que sabeis de tudo
Eles pensam que ainda pensam por nós.


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Contemporaneidade

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I
Carlos Pena fosse vivo
Acharia tão ruim
Pois seu velho Bar Savoy
Hoje em dia está assim:

- São trinta copos de chope
- São trinta homens sentados
- Quinze deles são michês
- Os outros quinze os viados
II
Na Marim do Caetés
Seria bem diferente
Pois Bar Savoy lá não tem
Tem Marola lugar quente:

- São trinta copos de chope
- São trinta doidos sem rumo
- Quinze deles quando saem
- Vão ali queimar um fumo

III
No Coque e Joana Bezerra
João de Barros Santo Amaro
Já não são copos de chope
Cujo porre sai bem caro:

- São trinta copos de cana
- São trinta cabras lascados
- Vinte nove quando correm
- Porque um foi baleado

IV
Já na praia do turismo
Carlos Pena chegaria
Entocaria o relógio
Celular e a mixaria:

- São trinta louras geladas
- Na areia a diversão
- Mas ninguém encara a água
- Com medo de tubarão

V
Carlos Pena certamente
Vê tudo isso do além
Na Pracinha do Diário
Bem diferente também:

- São trinta, não bebem chope
- São trinta que enchendo a cuia
- Trinta vezes dez por cento
- E um pastor diz aleluia.

Esse poema começou com uma brincadeira minha há cerca de um ano atrás, encerrei num dia desses em 2008, às gargalhadas, ao lado do meu filho Eduardo numa noite insone em Olinda.
Allan Sales
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mote do poeta Heleno Alexandre em 28 de janeiro

Como lei que mostra a vida
Quem plantar tem que colher
Isso que nos faz saber
Como coisa bem sabida
Toda coisa que vivida
É a lei mais natural
Tem pessoa fraternal
Tem um mau sem ter porém
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Que faz bem ao semelhante
Vai colher sempre ventura
Que semeia de alma impura
Vai colher seu mal avante
Nossa vida todo instante
É uma escolha pessoal
Cabe sim a cada qual
O limite de ir além
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

A pessoa que escolhe
Sua senda e assim seguir
E o que se preferir
Livre arbítrio não se tolhe
Mas quem planta sempre colhe
Vai saber bem no final
Percebendo no geral
Quando seu destino vem
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Lei de causa com efeito
Que falou Allan Kardec
Meu xará mostrou um leque
De opções pra todo feito
Como rio no seu leito
Cada carma é sem igual
Ser humano é animal
Racional que senso tem
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Quem pratica o perdão
Esse vai ser perdoado
O rancor que é guardado
Envenena o coração
Como diz o bom cristão
São Francisco como tal
Teve fé descomunal
E bondade fez também
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Somos anjos ou capetas
Dependendo da opção
Pois vai ter a punição
Se quiser fazer mutretas
Vida tem muitas facetas
Tem mistérios e afinal
Nossa paz só é real
Se o amor ela contém
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cordel dedicado à amiga Taís Paranhos



.
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Eu sou livre cidadão
Casa grande nem senzala
Minha voz nunca se cala
O destino em minha mão
Um poema e um violão
Nisso eu me fiz capaz
Sou da luta e sou da paz
Não sou cria do opressor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Eu sou filho desta gente
Que viajou em nau negreira
Sou da gente brasileira
Sou da taba combatente
Sou Brasil inteligente
Li Darcy fui contumaz
Sou Brizola e sou Arraes
Nunca fui de ditador
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Não sou falso democrata
Nem assecla de tucano
Sou Brasil no mano a mano
Que a verdade pura acata
Meu passado me relata
Mostra o que nos satisfaz
Meu valor ninguém desfaz
Pois sou povo lutador
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou Brasil de operário
Professor e estudante
Libertário e militante
A pintar nesse cenário
Contra todo sectário
Que mentindo se compraz
Contra abutres tão venais
E o poder de usurpador
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou alfaia batucando
Sou viola repentista
Sou Brasil de cordelista
Sou Brasil lindo sambando
Sou Brasil se emancipando
Sou Brasil forte assaz
Sou Brasil Brasil demais
Sou Brasil de inventor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou Delmiro e sou Mauá
Sou também Abreu e Lima
Castro Alves de obra prima
Lia de Itamaracá
Sou Zé Brown e sou Naná
Sou Palmares tão veraz
Sou Canudos sou tenaz
Sou Brasil libertador
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Paulo Freire me educou
Josué me deu seu lastro
O burguês sacana eu castro
Galeano alumiou
Se Buarque anunciou
Vamos nós correr atrás
Como os tupinambás
Enfrentando o agressor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Falo com Tais Paranhos
Com as de Tejucupapo
Muita ação e pouco papo
Só libertos nossos ganhos
O passado deu-nos lanhos
De dobrar foi incapaz
Pois quem sabe certo faz
É de si o construtor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou daqui do Pernambuco
Mas nasci no Ceará
Fiz aqui meu bê-a-bá
Opressor aqui retruco
Nesta terra de Nabuco
De Gregório e tantos mais
A coragem é nosso gás
Nosso sopro redentor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou Zumbi lá em Palmares
Sou do xote e do baião
Sou Dom Hélder bom cristão
Sou Recife destes mares
Das alfaias batucares
Sou nordeste assim primaz
Contra força mais voraz
A roubar trabalhador
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Sou um filho desta terra
Consciente do papel
Nas veredas do cordel
Cuja força nunca encerra
Um soldado nesta guerra
Resistir ao ladravaz
O poder dos marajás
Não será mais vencedor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz

Brasileiro e nordestino
No cordel no itinerário
A brilhar neste cenário
De cigano e peregrino
Nas estradas do destino
Todo dias assim refaz
Ó futuro assim virás
Pra pintar com nova cor
Nem escravo nem senhor
Muito menos capataz




SONETO DA DESPEDIDA

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Vai e segue teu caminho simplesmente
Vai atrás do que faz feliz a vida
Na penumbra sofreu de alma curtida
Teus fantasmas povoam tua mente

Vai sem culpa falou assim que sente
Mas magoas quem te fez por preferida
Se não queres ser assim a mais querida
Paciência -esquecer- seguir em frente

Sê feliz e prossegue teu caminho
Levarei na lembrança teu carinho
Do que foi tentativa vã do amor

Seguirei meu solene itinerário
Um vazio toma conta do cenário
Onde antes havia algum calor.
.
.
.

Viva o Povo Brasileiro






Essa linda mestiçagem
A cultura tão plural
Colorido festival
Como é linda cada imagem
O Brasil pede passagem
Com seu povo tão guerreiro
Pra mostrar ao mundo inteiro
Sua humana substância
E também sua importância
Viva o Povo Brasileiro

Viva o samba e o baião
Viva a moda de viola
Viva o nosso show de bola
Viva o Tom e o Gonzagão
Viva a praia e o sertão
Viva o pulso do pandeiro
Viva a verve e o violeiro
Viva nossa fauna e flora
Viva meu Brasil de agora
Viva o Povo Brasileiro

Um país tão diferente
Tantos povos tantas raças
Toda força dessas massas
Grande povo inteligente
Tem cordel e tem repente
Tem batuques no terreiro
Pro futuro é passageiro
Carimbou sua passagem
Embarcou nessa viagem
Viva o Povo Brasileiro

Suas cinco regiões
Com é multicultural
Tem poesia é musical
Belo em todos rincões
Litorais lindos sertões
No Nordeste tem vaqueiro
E um gaúcho cavaleiro
Pantanal tem seu peão
Comitiva em profusão
Viva o Povo Brasileiro

Tanta fé com sincretismo
Rezas, curas e os mitos
Vão benzer solenes ritos
As mandingas misticismo
Candomblé cristianismo
Tem ogã e tem romeiro
O rezar tão costumeiro
Brasileiro é muita fé
É benzido e com axé
Viva o Povo Brasileiro

Patuás aos pés da cruz
Um benzer e baixar santo
Rezas fortes com acalanto
No terreiro que seduz
Oxalá e tem Jesus
Um Tupã de índio guerreiro
Um Brasil sopro primeiro
Da raiz da identidade
Brasileiro com verdade
Viva o Povo Brasileiro

Irmãos filhos de Tupã
As malocas numa taba
Tem pajé que não se acaba
A fitar novo amanhã
Irmão índio é um titã
Do Brasil foi pioneiro
Resistiu ao estrangeiro
Preservou toda raiz
De primaz toda matriz
Viva o Povo Brasileiro

Irmão negro e africano
Sob a força de um grilhão
Quem forjou na servidão
E plasmou em todo plano
Nosso painel humano
De perfil alvissareiro
Com seu braço de obreiro
Construiu nossa grandeza
Ainda esteio da riqueza
Viva o Povo Brasileiro

Os demais povos do mundo
Que vieram aqui somar
Construir nos transformar
No sentido mais profundo
Irmanados indo a fundo
Nosso irmão por companheiro
Meu Brasil ver timoneiro
Navegando rumo à paz
Pois seu povo é tão capaz
Viva o Povo Brasileiro

Paulo Freire educador
Grande Josué de Castro
Niemeyer nosso lastro
Villa Lobos com valor
O pensar que tem Millor
Vou louvar Darcy Ribeiro
Seu pensar nosso luzeiro
Dando luz pra ver a meta
Do Brasil brotei poeta
Viva o Povo Brasileiro.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aprendiz




Comecei a tocar violão quase que por acaso, sem grandes expectativas no ano de 1977 quando meu grande amigo Fernando Arthur ensinou-se o três primeiros acordes no instrumento, nos tempos de férias que passava em Campina Grande-PB. De volta ao Recife, uma tia cedeu pra mim seu velho violão Giannini que meu avô lhe dera por ocasião dos seus quinze anos de vida. O velho pinho em estado de conservação bem precário foi de grande serventia naqueles primeiros passos. Perto de casa havia uma oficina mecânica na qual trabalhava um amigo bem mais velho chamado Zeca, um jovem rapaz negro migrante de Vitória de Santo Antão que tocava violão. Foi meu segundo mestre, tocava as gaiatices de Genival Lacerda, as coisas mais simples de Roberto Carlos, as esquisitices de Sidney Magal, muito brega de Fernando Mendes, Reginaldo Rossi, baiões de Gonzaga, Benito de Paula, Agepê. Ou seja, um repertório bem popular dos sucessos de rádio daqueles tempos. Paralelo a isso, eu comprava tudo quanto era revistinha de cifra que saía nas bancas de revista do Recife.
Ano seguinte, em Campina Grande, na casa dos meus amigos da família Nogueira, seu filho mais velho pôs pra tocar na vitrola um disco do MPB-4 tocando Roda Viva de Chico Buarque de Holanda, entre outras pérolas de uma antologia desse maravilhoso grupo musical. Além disso, me fez ouvir pela primeira vez João Gilberto, tocando aquele violão com acordes que meu ouvido jamais tinha ouvido e que eu não sabia como montar no braço do violão. Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra e toda trupe da bossa nova passei a conhecer nesse tempo. Fiquei apaixonado por bossa nova, mas não tinha a menor noção de como poderia tocar aquelas “aranhas”, como meus amigos chamavam aquelas posições esdrúxulas no braço do violão. Os dedos não chegavam, doía pra cacete abrir os dedos pra armar aqueles acordes. A batida então, aquela coisa sinistra e sincopada que eu amava ouvir e que não conseguia reproduzir aquele pulso musical, engraçado que o samba tradicional eu tocava com grande eficiência e sem problemas, mas aquela batida que João Gilberto criou era um pesadelo.
De volta ao Recife, conheci um cabra chamado Moisés, amigo dos meus amigos que jogavam xadrez que tocava divinamente, foi uma surpresa quando ouvi ele tocar e cantar com voz super afinada Garota de Ipanema com tudo que tinha direito. Colei no Moisés, aprendi todos os acordes daquela canção mas não conseguia pulsar na batida certa. Ficava horas a fio tentando, muitas vezes me trancando no banheiro de casa depois que todos dormiam, pois era o único lugar da casa aonde tocava sem acordar o povo da família que tinha um sono pra lá de leve. Numa dessas madrugadas, entrei no banheiro, sentei no bidê e comecei a dedilhar a seqüência harmônica da canção, de repente, quase como milagre, encaixo finalmente, depois de mais dois meses de tentativas a batida de bossa nova. Fiquei a noite toda tocando em êxtase Garota de Ipanema, até que minha mãe acordou para ir ao banheiro lá pelas quatro da manhã e me pegou tocando violão. Levei um baita esporro e fui, a contragosto, me deitar.
De posse dessa nova ferramenta rítmica, passei a tocar todo repertório de bossa nova e aprender músicas de compositores da elite estética da MPB, foi um achado, passei a pesquisar tudo que me caía nas mãos. Em 1979, na Vila do IPSEP, passei a colar noutro mestre de violão que a vida pôs em minha frente, chamava-se Heráclides Castro, vulgo Dicinho, exímio baixista e membro da banda do emergente astro da MPB Alceu Valença. Ele me viu tocando numa festinha “Mulheres de Atenas” do Chico. Disse pra mim: passa lá em casa para eu te passar uns acordes. Fui lá e passei a ver coisas que jamais vi na minha vida, ele simplesmente entortava as músicas que eu mostrava pra ele, coisas que aprendi nas revistas de músicas cifradas. Ele colocava acordes estranhíssimos, lindos e expressivos demais da conta, uma magia pra meus ouvidos, endoidei minha cabeça, aquele maluco ali mostrou pra mim como era possível mexer com acordes, algo além de simplesmente acompanhar, era harmonizar, buscar as possibilidades de seqüências de acordes. Abri minha cabeça graças a essa luz que Dicinho pôs em minhas mãos, pouco tempo depois, pude entender teoricamente aquilo que meu primeiro grande mestre fazia com tanto talento. Foi lendo o MANUAL DE HARMONIA de Paulinho Nogueira que entendi como eram formados os acordes, como eram criadas as dissonâncias, assim como os encadeamentos de acordes que agregaram um enorme valor ao violão que eu tocava naqueles dias.

Em 1984 eu entrei na primeira escola de música erudita em minha vida, meu professor, Alexandre Bananinha me pede pra mostrar o que eu sabia fazer, já que ele sacou que eu já sabia tocar música popular. Toquei e cantei João e Maria (de Sivuca e Chico) com todos os acordes e dentro do ritmo da canção, ele adorou, mas disse, pra tocar popular você já está pronto, mas tocar violão erudito a história é outra. Tocou pra mim uma peça de J.S. Bach, a famosa Bourrée, ouvi aquela peça abestalhado e pensando no dia em que poderia algo parecido com aquilo. Ele passou a me cobrar estudos de escalas para condicionar minha técnica com o instrumento num nível que me permitisse executar peças do repertório erudito. Fiquei três meses somente nessas escalas que arrebentavam meus dedos, deixavam meus tendões em pandarecos com dores musculares pelo excesso de empenho. Fiquei somente nessas escalas sem tocar absolutamente nada, nem música cantada, muito menos música instrumental. Num dia de domingo, eu acordo bem cedo pra fazer minhas escalas, de repente, penso em tentar tocar “Abismo de Rosas”, de Américo Jacomino(Canhoto) que foi imortalizada por Dilermando Reis. Meus dedos voaram no braço do violão, eu não acreditava que estava tocando aquela linda valsa com meus dedos obedecendo ao meu cérebro. Foi um arrebatamento, uma felicidade incrível, na seqüência, voltei pra um arranjo de Asa Branca, fiquei mais louco ainda quando percebi que tinha dedos pra tocar coisas bem mais além das que antes fazia antes de iniciar meu treinamento com o professor Alexandre Bananinha. Passei dois dias nesse arrebatamento e feliz em me sentir musicista e capaz de brincar com tanta felicidade com o braço do violão.
Em 1985 fui aluno do professor Newton Banks no Centro de Educação Musical de Olinda, outro grande professor de violão erudito que abriu caminhos em minha mente para que eu melhorasse minha performance. Finalmente, em 1989, Esmael Feijó, meu derradeiro grande mestre de violão, tocava Villa Lobos como ninguém, passou pra mim o melhor conhecimento que tenho hoje de violão, uma alma musical iluminada que tinha uma abordagem afetuosa com seus alunos. Esmael me apresentava aos demais colegas da sua ESCOLA ALTERNATIVA DE MÚSICA DO RECIFE como compositor, dava o maior apoio às coisas de música popular que eu mostrava pra ele. Em 1990, estreei meu primeiro show de palco como compositor, cantor e violonista, chamei de CANTORIA URBANA, na platéia estavam lá, pra minha felicidade, meu primeiro mestre Fernando Artur, amigo de infância e parceiro musical, Newton Banks e Esmael, junto com vários colegas meus da escola de música.
Sou feliz demais em meu trabalho musical e agradeço à vida por ter posto em meu caminho tantos anjos da guarda que me ajudaram a desabrochar as rosas musicais que me surgiram pela frente.



(1)
Pixinguinha foi um mestre insuperável
Gonzagão sertanejo e menestrel
Cada um exercendo seu papel
Na canção cada um foi tão louvável
Toda alma brasileira foi palpável
Nas canções desses mestres ancestrais
Nos caminhos nas escalas magistrais
Turbilhão de belezas foi criado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(2)
Bela Vila Isabel com Noel Rosa
João de Barro grande Ernesto Nazareth
Com Jacob do Bandolim tudo dá pé
Pixinguinha trazendo Flor Amorosa
Grande Chico tanta coisa é preciosa
Desde A Banda e aí vem muito mais
Com Toquinho e Vinícius de Moraes
Radamés com Hermeto é arretado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(3)
Com Sivuca na sanfona vou ficando
Dominguinhos e também Alceu Valença
Com Renato seu Teixeira que bem pensa
Almir Sater na viola dedilhando
Sérgio Reis e Inezita vou louvando
Som da terra de trinados tão rurais
Pena Branca Xavantinho são vestais
Seu Zé Côco vai feliz no ponteado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(4)
Com Fafá de Belém eu me encanto
Com Gal Costa eu viajo ao paraíso
Elizeth fez meu ser perder o piso
Com a Elba meu Nordeste ouve o canto
Clementina negra dama nos deu tanto
Grande Elis entre nós cantou demais
Clara Nunes que louvou seus orixás
Todas elas na ribalta do tablado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(5)
Tom Jobim João Gilberto Carlos Lyra
Menescal todos pais da bossa nova
Ivan Lins ao piano é tanta trova
Vejo Milton Nascimento assim na mira
Som mineiro que no céu só nos atira
Com Vandré lembrando dos festivais
Gonzaguinha lá no céu descansa em paz
Altamiro toca um choro bem criado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(6)
Da Bahia vem o Gil e o Caetano
Vem Pepeu Armandinho e vem Caymi
Vem Bethânia vem Tom Zé e todo time
Vem Raul bom roqueiro e veterano
Vem Moraes o Moreira neste plano
Vem a Baby do Brasil que o belo faz
Vem Carlinhos negro Brown que nos apraz
Vem o samba de raiz todo bailado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(7)
Lá do Rio veio Rafael Rabelo
Bem a Beth e o Paulinho da Viola
Vem Aldir um poeta é show de bola
Vem Hermínio cabra bom com tanto zelo
Vem Cartola festejar eu vou fazê-lo
João Nogueira grandes sambas como tais
Esses dons esses sons celestiais
O chorinho que no Rio foi gestado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(8)
O Martinho lá da Vila é Pernambuco
Nordestino que depois virou sambista
O da Silva foi Moreira em mesma lista
Vem da terra que nasceu Joaquim Nabuco
Vem Geraldo Azevedo não retruco
Vem Gonzaga sanfoneiro bem atrás
Vem Lenine que talento esse rapaz
Vem Alceu que é muito festejado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(9)
Vem o Fagner lá do grande Ceará
Ednardo vem Nonato seu Luiz
Paraíba Zé Ramalho é da raiz
Chico César vem assim mesmo lugar
Alagoas Djavan vem festejar
Borghetinho lá do sul tantos piás
Como Kleiton e Kledir tão laborais
Os sulista do Rio Grande aloprado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais
(10)
O Brasil musical é grandioso
É baião samba xote e é chorinho
É catira bossa nova e som do pinho
Afoxé tem o frevo caloroso
Norte a sul um país melodioso
Tem os dons tem os sons e é capaz
O talento deste povo é contumaz
Toda hora algo novo inventado
Acordei neste mote fui tocado
Pra colher tantas rosas musicais