quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Tem gente boba demais.. Na internet teclando



I
Viva a tecnologia
É o progresso da gente
O futuro no presente
Desde já se prenuncia
Consumo é ideologia
Mais e mais se propagando
Sabedoria murchando
Aqui não encontra paz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
II
Comunidade a granel
Tome relacionamento
E tem muito enxerimento
Muitos fazem tal papel
Um monte de tabaréu
A burrice exercitando
A babaquice aumentando
Incrementando seu gás
Tem gente boba demais
Na internet teclando
III
Marcam brigas de galera
Invadem privacidade
Hacker é temeridade
Essa nojeira prospera
Babaca que não pondera
E vai assim avançando
Na internet brotando
Um besteirol tão assaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
IV
Besteira com nulidade
Da eterna adolescência
Um progresso da Ciência
Mal usado na verdade
Tanta imbecilidade
Na tela vão aprontando
Com gente me abordando
Vade retro satanás
Tem gente boba demais
Na internet teclando
V
Com “scraps” idiotas
Eu recebo noite e dia
Coisas de pornografia
E variadas lorotas
E muitas toscas patotas
Os bobos me convidando
E eu ali recusando
Aderir não sou capaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
VI
Gente carente na vida
Escrevendo baboseiras
Essas mensagens fuleiras
De gente pouco sabida
Tem muita bobagem lida
Vou lendo e deletando
O meu saco vai lotando
Com os assédios banais
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
VII
Tem fútil tem narcisista
Tem nojento pervertido
Tem sujeito enrustido
Tem babaca consumista
Cabra metido a artista
Ali se articulando
Não estou mais aturando
As coisas desses boçais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
VIII
Internet é muito boa
Tem tanta da informação
Aprendo muita lição
E não usarei á toa
Mas pinta cada pessoa
O meu tempo ocupando
A minha caixa lotando
Com leseiras irreais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
IX
Bate papo virtual
Às vezes virando um saco
Quando pinta um velhaco
Com a conversa banal
Corro desse animal
Inté mais e vou vazando
Gente assim vai alugando
Com a carência voraz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
X
As salas de bate papo
Um monte de putaria
Nojeira que contagia
No miolo dá sopapo
Eu não engulo mais sapo
Esses chats dispensando
A besteira lá ficando
É algo tão contumaz
Tem gente boba demais
Na internet teclando
XI
Mas conheci bons amigos
Gente muito inteligente
A baianinha “caliente”
E esses me dão abrigos
Nesta rede tem perigos
Estão ali circulando
E deles vou me livrando
Não quero por comensais
Tem gente boba demais
Na internet teclando
XII
Tenho blog sim senhor
Eu sou allancordelista
Blogstpot nessa lista
Lá pus coisa de valor
Para meu povo leitor
Com o cordel vou falando
Estou me apresentando
Com uma arte veraz
Tem gente boba demais
Na internet teclando

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Glosas a partir de estrofe do Poeta Onildo



I
Jesus pregou caridade
Seu reino não foi negócio
Mas Jesus tem muito sócio
É uma temeridade
Onildo com claridade
Esmiuçou a questão
Um Cristo que sem cifrão
Anunciou nova era
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
II
A caridade cristã
Foi o ensino do Cristo
E nesse mote insisto
Versejando num afã
A cristandade irmã
Aprendeu nova lição
Dom Helder em sua ação
Foi cristã da mais sincera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
III
Tereza de Calcutá
Foi exemplar nesta vida
Sua obra concebida
Que veio para ficar
A madre no seu falar
Honrou a religião
Sincero seu coração
Onde a miséria impera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
IV
São Francisco de Assis
Comoveu-se ao ver pobreza
Renunciou da riqueza
E atuar assim quis
Foi um cristão na raiz
Como santo teve unção
Neste mundo de exclusão
A fome é a triste fera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
V
Anchieta um outro santo
Viveu com intensidade
Percebeu com claridade
Fez do Brasil o seu canto
A palavra foi seu manto
A fé á luz da razão
Quem ao índio deu a mão
Foi real não foi quimera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VI
Irmã Dulce na Bahia
Grande obra que erigiu
Uma santa no Brasil
Religiosa foi guia
E em tudo que fazia
Dos pobres a redenção
As chagas dessa opressão
Só caridade não zera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VII
Foi Antônio Conselheiro
Baseado em misticismo
Enfrentou coronelismo
Neste sertão brasileiro
Foi beato foi guerreiro
Calado pelo canhão
E sofreu excomunhão
Por uma elite pantera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
VIII
Repartir os bens da terra
Zumbi nos Palmares fez
Foi dizimado de vez
Pelas armas numa guerra
A fome no mundo berra
Pede por transformação
No voto ou revolução
A consciência pondera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
IX
Mas Jesus é bem vendido
Como se fosse produto
Que disso faz usufruto
Mercenário empedernido
Um cristão esclarecido
Percebe a enganação
Quem faz tal exploração
O fim do mundo acelera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
X
Eu não professo tal fé
Mas sou poeta humanista
Li coisas de marxista
E vejo com dá pé
Quem explorar a ralé
Com milagres de invenção
Com exus de encenação
O fanatismo assim gera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
XI
Respeito fé verdadeira
A desses cristãos sinceros
Que com seus modos austeros
Fazem obra alvissareira
Mas a lorota rasteira
De que só visa ter quinhão
Pra acumular de montão
Assim bombar sua galera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação
XII
Onildo fez esse mote
Sem querer lá no ORKUT
No cordel que repercute
Eu fiz ligeiro num bote
Exercitando meu dote
Escolhi por profissão
As cordas de um violão
Quem tem não se desespera
Quem reparte o pão prospera
Pode herdar a salvação

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Como Guevara endurece.. Perde a ternrua jamais



I
Esse tal de meu cacete
É um troço interessante
Se levanta num instante
Para encarar um minete
Mas ele não dá colete
É fiel até demais
Uma rola tão capaz
Eu chamo ele aparece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
II
Esse órgão tão querido
É motivo de alegria
Funciona todo dia
Até hoje assim tem sido
Se falhar estou perdido
E perderei minha paz
Serei chorão contumaz
E isso ninguém merece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
III
Ele faz mulher feliz
Rolando uma sacanagem
Na maior libidinagem
A natureza assim quis
Mas um doutor que nos diz
Tome cuidado rapaz
Cuidado com o que faz
Se não o troço amolece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
IV
Tem que cuidar da saúde
Não exceder dos limites
Não biritar arrebites
Se o fizer então mude
A natureza não ilude
Quem fumar perde seu gás
Deixa seu tesão pra trás
Muitas vezes acontece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais

O bicho cheio de veias
Acorda na adolescência
A demonstrar a Ciência
Poder ter doenças feias
As venéreas dão nas peias
São um perigo veraz
Deixa seu pau incapaz
E seu tesão arrefece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VI
Bilola bimba e caralho
É cacete rola e pica
É jeba trolha que estica
Vara bilau dá trabalho
Peia mole é falo falho
Piroca nomes demais
Pingolim tu me dirás
Badalo que sobe e desce
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VII
Tem cabeça mas não pensa
Duas bolas mas não joga
Até hoje está em voga
Que cuidar dele compensa
Tu terás por recompensa
A brochada não terás
Muito tempo treparás
Sem precisar fazer prece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
VII
Manter limpinho cuidado
E procurar sem assim
Sem higiene é ruim
Pode ser contaminado
Use o mesmo encapado
E coisas não pegarás
Essas mazelas reais
Quem não cuida sim padece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
IX
Se o negócio é bem duro
É motivo de euforia
Mas mole é uma mixaria
E isso eu te asseguro
Pois preservar pro futuro
Um cabra alegre serás
Tua mulher vai atrás
Se abre toda se oferece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais
X
Rola mole é um castigo
Pau brochado uma tristeza
Perde assim sua grandeza
Eu cuido do meu amigo
E assim sei que prossigo
De leve sem ser audaz
O que tenho satisfaz
Quem já levou agradece
Como Guevara endurece
Perde a ternura jamais

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Dedicado ao poeta João Campos



I
O que vem depois daquilo
Nem sempre tem melhoria
Charles Darwin em teoria
Explica anta e esquilo
O ser humano naquilo
Quando antes fez melhor
Muitas vezes faz pior
Avacalha muita trova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
II
Bossa Nova João Gilberto
Tom Jobim no seu piano
Cinqüenta e oito foi ano
Que o canal foi aberto
Um marqueteiro esperto
Juízo no fiofó
Chocou até minha avó
Coisa ruim que desova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
III
E esses calcinha preta
Forró de araque fuleiro
Exibição de traseiro
E falo sem ser careta
É coisa de proxeneta
Despacho neles ebó
Nos abutres do forró
Eu que cavo sua cova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
IV
Axé bobagem que vai
Axé bobagem que vem
O Tigrão do bonde vem
É tanto lixo que sai
O gosto geral que cai
Dos faustões um qüiproquó
Amarga que nem jiló
É tortura a toda prova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
V
O Brasil da grande arte
Escondida e sem espaço
Na TV estardalhaço
Carrega este estandarte
De onde esse lixo parte
É uma meleca só
Cantor ruim de gogó
No cordel dou uma sova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
VI
Cadê as canções do Chico
Cadê Noel Pixinguinha
Só vejo tanta morrinha
Ouvido não é penico
Esse folclore tão rico
Só fazendo um catimbó
Armar um forrobodó
Pois meu asco se renova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
VII
Em rádio e televisão
A geral banalidade
Até obscenidade
Com tanta divulgação
Nem Roberto e Tremendão
Botam bom gosto no pó
Um brega de fazer dó
O bom gosto desaprova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
VIII
Rita Lee aonde está
O grande Gilberto Gil
Djavan que não se viu
E Fagner do Ceará
Zé Ramalho tocará
Geraldinho pão de ló
Caetano sei de cor
Ninguém o belo reprova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó

IX
Luiz o Rei do Baião
O samba e belo chorinho
O frevo fora todinho
O que é bela canção
Poesia e inspiração
Puseram num caritó
Bom gosto no xilindró
Eu compro lixo uma ova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
X
Salve os sambas de Noel
Salve a bossa de Jobim
E Jacob do Bandolim
Abaixo triste cartel
Massifica o tabaréu
Desse lixo um toró
Só uma surra de cipó
Bem no meio da corcova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
XI
Um “funk” da putaria
A vulgar libidinagem
Descamba pra fuleiragem
Rasteira pornografia
Tosca coreografia
Mau exemplo pra menor
Feito porre de loló
Entorpece não aprova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó
XII
Forró safado e fuleiro
Vulgar é tosco e sacana
Vulgaridade mundana
No palco é um galinheiro
Um pobre cancioneiro
Numa pobreza de Jó
Parece um cocoricó
Que o bom gosto encova
O Brasil deu Bossa Nova
Hoje egüinha pocotó

Ao bravo povo gaúcho



Fiz esse poema depois de ver um interessante documentário sobre o povo gaúcho na preciosa TV Senado.
(ALLAN SALES)

I
Um nordestino sem luxo
Na verve de cordelista
Vem saudar nacionalista
O bravo povo gaúcho
E nesse verso que puxo
Nas palavras costumeiras
Vejo em terras brasileiras
Um povo tão importante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
II
Nessas solenes pajadas
Prendas guitarras ginetes
Galpões não são palacetes
Os vejo nas cavalgadas
Se não empunham espadas
Mas têm as almas guerreiras
Que permanecem inteiras
No presente indo adiante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
III
O gaúcho que guerreiro
Preserva na identidade
Festeja sua verdade
Cá no solo brasileiro
Esse povo cavaleiro
Sempre a romper barreiras
Nas cavalgadas ligeiras
Num cavalgar elegante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
IV
Uruguaios argentinos
Têm gaúchos têm história
Que guardada na memória
Povos e comuns destinos
Os gaúchos paladinos
Cantando suas rancheiras
Suas toadas brejeiras
Com garbo gáudio de infante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
V
Assim com latinidade
Afirmando e vai estar
No futuro alumiar
Com a sua claridade
Coragem ô barbaridade
Que a partir das cocheiras
Seguiu sendas estradeiras
Fez o Brasil ir avante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
VI
Gaúchos agricultores
Colonizando o cerrado
Seu CTG bem postado
Ali fervendo pendores
O povo com seus labores
Abastecendo mil feiras
As mãos gaúchas obreiras
Produzem obra operante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
VII
Brasil pilchado de botas
Montado no seu cavalo
É com orgulho que falo
Rio Grande não esgotas
Pois não engoles lorotas
E as mentiras rasteiras
Farroupilha como queiras
Serás eterno e vibrante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
VIII
Essa alma popular
Que Veríssimo mostrou
Na palavra que brilhou
Ainda está a brilhar
O que vem desse lugar
Não são coisas passageiras
Perenes são verdadeiras
Qual minuano uivante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
IX
Se meu Brasil percebesse
E seguisse no caminho
Ver o país inteirinho
Outro rumo concebesse
Povo bravo como esse
Enfrentou não deu carreiras
Pois aí fincou trincheiras
Resistiu neste rompante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras
X
Finalizo em poesia
Nas palavras do cordel
Com verve de menestrel
Esse poema elegia
Versejei com alegria
Pras gentes alvissareiras
Que ao redor das fogueiras
Fez seu mundo galopante
Pátria gaudéria pulsante
Que vai além das fronteiras

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Acerca da brochada



I
Vou vivendo minha vida
Curtindo devagarinho
Me fartando de mansinho
Nessa estrada comprida
A estrada tem subida
Para depois decair
E faz pensar no porvir
Vivendo com alegria
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
II
São as leis da natureza
De princípio meio e fim
A natureza é assim
Nisso tem sua grandeza
Eu viverei sem tristeza
Realizar-me e curtir
Até um dia partir
Eu viverei na folia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
III
Mas cuidarei da saúde
Controlarei a pressão
O viver de modo são
Essa será a atitude
Buscar assim a virtude
Ao versejar colorir
E vendo o verso sair
Num mundo da poesia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
IV
Sem lamentar o destino
Sem entornar mais cachaça
Sem me meter em trapaça
Será esse o figurino
Cabra macho nordestino
E sem lorota vou rir
Ao ver meu pau sucumbir
Viagra nos alivia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
V
É uma lei natural
Que pode ser apressada
Com a vida desregrada
Numa folia anormal
Mas se cuidar é legal
Cuidar do que digerir
Nos excessos não cair
E moderar nessa orgia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
VI
Um vovozinho esperto
Não virarei um careta
Virar chupão de buceta
E assim não me aperto
E assim eu me desperto
Olhando o tempo fluir
Assim sem me distrair
Vou me cuidar nessa via
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
VII
Um dia acontecerá
Até lá só diversão
Na alcova com tesão
Onde desejo arderá
Tudo de bom se fará
Até o corpo servir
É só mulé se abrir
E ao pau dar moradia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
VIII
Mas o cabra exagerado
Nas coisas de cachaceiro
Fica brochado um salseiro
Vai ficar prejudicado
Pois tesão é um predicado
Se não cuidar vai sumir
Mas quem tem vive a sorrir
Quando arranja companhia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
IX
Até chegar o futuro
Eu vou curtir no presente
Assim comer muita gente
Nessa onda me seguro
Enquanto o pau for duro
É só vou me divertir
Até eu me consumir
E perder a serventia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
X
Até lá sem desespero
Encarando nessa onda
Quem não pensa me responda
Mas fale sem destempero
Fuder da vida é tempero
Um prazer pra descobrir
Quando meu pau implodir
Chuparei sem latumia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
XI
Viver com moderação
E fazendo o exercício
Não praticar nenhum vício
Só se for masturbação
Fuder dá empolgação
Com a mulé repartir
Um orgasmo usufruir
Boa troca de energia
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir
XII
Mas um cordel finalizo
Falando coisa maneira
Com um monte de besteira
A provocar algum riso
Vou me cuidar pois preciso
A saúde construir
E enquanto eu me bulir
Pensarei na putaria
Me preparando pro dia
De ver meu pau não subir.

Aos irmãos ciganos



Esse povo diferente
É amante da beleza
Exerce sua grandeza
Mostrando como ser gente
Vem do passado pra frente
Tem a luz de claridade
Tem amor pela verdade
De onde a vida emana
Quem dera fosse cigana
Toda tosca Humanidade

Eu aprendi pra não ser...Aluno de cantador



I
Faz tempo eu aprendi
Nas artes da poesia
Era eu da melodia
Quando nisso me meti
Patriota eu conheci
Que foi grande professor
Palestra foi preletor
Mostrou-me como fazer
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
II
E assim o meu cordel
Nascia cá no Recife
Aumentei o meu cacife
Até virar menestrel
Fiz da arte meu cordel
Tempo desafiador
Pajeú meu fiador
Iluminou o meu ser
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR.
III
E assim eu fui compondo
De mote e glosa assim
Sextilha que não tem fim
Eu na hora lhe respondo
Neste verso novo pondo
Sílvio seu propositor
Petrolina tem valor
É só plantar pra colher
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR.
IV
Do cordel para o teatro
Nasceu Nordeste na Mente
Uma peça lindamente
Encenada num só ato
E eu poeta de fato
Na verve de criador
Na sina de trovador
Aqui eu fui me deter
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
V
Do teatro fui seguindo
Mas dia eu publiquei
Meu cordel assim eu sei
Muita coisa foi surgindo
Até hoje vou seguindo
Meu sentido orientador
Com verso de toda cor
Eu aqui a me atrever
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
VI
E assim vou novamente
No Orkut cutucando
Com o Sílvio provocando
Abrindo nova vertente
O cordel nasce da mente
Um trabalho encantador
O Farias meu mentor
Alice pra esclarecer
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
VII
Fundei uma entidade
Com Honório cordelista
Mas penca de artista
Foi uma felicidade
Referência na cidade
UNICORDEL no vapor
Lá só tem trabalhador
O seu brilho venha ver
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
VIII
Fundamos assim seguimos
No torrão pernambucano
UNICORDEL neste plano
E tudo que construímos
Na luta que prosseguimos
Cada um é seu ator
Poeta e declamador
Botando pra derreter
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
IX
Tem Honório e tem Susana
Tem Adiel repentista
Tem o Campos nesta lista
Tem o Dunga bem sacana
Tem o Kerlle tão bacana
Tem Felipe o inventador
Seu Evan batalhador
Tem Ciço que manda ver
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
X
E aqui na oficina
Eu encontro João Rolim
Um poeta bom assim
Tem o Sílvio gente fina
João Gordo de Petrolina
Parece com tal cantor
Brincadeira seu doutor
É só para entreter
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR

XI
Lembrando de Zé Limeira
Vi Dom Pedro então surfista
Que virou foi comunista
Alistado e de carteira
Vi Clodovil com Gabeira
Num amasso em elevador
Quando entrou um senador
Que disse também querer
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR
XII
Collor era coroinha
Desse padre Lancelotti
E ganhou dele um dote
Uma grana arretadinha
Collor deu foi a morrinha
Arranjou um novo amor
Foi Maguila o lutador
E com ele foi viver
EU APRENDI PRA NÃO SER
ALUNO DE CANTADOR

A fé remove montanhas...A Terraplenagem também.



Pequenas igrejas...
Grandes negócios.....
Templo é dinheiro........



Existe quem tem a fé
E em algo acredita
O ateu desacredita
Cada um faz o que quer
Mas a razão é mister
A toda hora convém
Existe o mal e o bem
Do destino as artimanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Tem cristão tem muçulmano
Tem judeu e tem budista
Tem hindu e umbandista
Tem fanático e insano
Cada um tem o seu plano
É um grande vai e vem
O radical tem desdém
E fala coisas estranhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

O ateu e comunista
Acredita na matéria
Sua teoria é séria
Tem também o anarquista
De toda fé ele dista
Muçulmano tem harém
O pastor cobra um vintém
Buda tem as suas banhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

E teve a tal da cruzada
E a cruel inquisição
Fé com tortura e prisão
E gente morrendo assada
A fé nos é ensinada
De uma vida no além
Muito romeiro porém
Faz com a fé as barganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Há quem despreza a Ciência
Teoria evolutiva
Muita gente se esquiva
De pensar com sapiência
Uma cega obediência
Muita gente louca tem
Uma fúria sem porém
Qual um bando de piranhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Há quem cobre dez por cento
Há que não nos cobra nada
Comunista camarada
Também cobra tal provento
Pra manter o movimento
Os dez por cento mantém
O tal budista é tão zen
Que não devora lasanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Pai de santo macumbeiro
Fé de origem africana
Fé origem indiana
Que tem pra mais de milheiro
Seu Macedo tem obreiro
Junta milhão mais de cem
De Roma a Jerusalém
A fé possui muitas manhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

E quem acredita em Deus
Crê também no Satanás
O capeta satisfaz
Toda fé dos fariseus
Que só quer o bem dos seus
E o Papa dizendo amém
Proíbe clonar o gen
Faz puritanas campanhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Quando veio para o mundo
Jesus Cristo foi artista
E dançou frevo na pista
No forró de Edmundo
Foi quando Pedro segundo
Foi comprar um Voltarem
Pois não se sentia bem
Pois brigou com dois meganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

Fica o dito por não dito
Acredite se quiser
Ou então quando puder
Vá folheando um escrito
Da fé que dá veredicto
E não perdoa a ninguém
Guarda grana em armazém
Que levar o que tu ganhas
A FÉ REMOVE MONTANHAS
A TERRAPLENAGEM TAMBÉM

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Gente burra e idiota/Repete do mesmo jeito



I
A mesmice e a burrice
A geral limitação
Toda alienação
A moda da cafonice
E sem falar da breguice
Da sujeita e do sujeito
Falando sem preconceito
Que nossa mente embota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
II
Dr. Reich assim falou
Falando de Zé Ninguém
O cordel assim que vem
E nessa onda surfou
Gente assim que só votou
De cabresto nesse leito
Que não muda de conceito
Nem refaz a sua rota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
III
Enganar-se acontece
Já que errar é humano
Acertar que é muçulmano
Assim Valmir enaltece
No verso que esclarece
Ligeiro muito bem feito
Seu Jordão falou direito
Agitando essa patota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
IV
Essa gentinha tapada
Que preferiu Barrabás
Faz de pastor capataz
Dez por cento de lapada
Essa raça obliterada
Vende voto pra prefeito
Eu observo e espreito
Pois burrice nunca esgota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
V
Essa massa ensandecida
Pôs nazista no poder
Que botou pra derreter
Na judaiada espremida
No forno foi aquecida
Não há como ser desfeito
Com neurônio rarefeito
Ainda besteira arrota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
VI
Essa massa dominada
Que se liga em ver novela
Os dominados da tela
Mundiça manipulada
Entorpecida enganada
Esquecem de buscar preito
Covarde não mete o peito
Procura até agiota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
VII
Raízes da ignorância
Os males da Humanidade
Engolem só inverdades
Na diária ruminância
Aprende desde a infância
A se vender se tem pleito
O curral vai ser seu eito
De onde o canalha brota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
VIII
A mesmice é só sintoma
Dessa desinteligência
A mãe da ineficiência
A grande massa se doma
Num sistema que só toma
Com suas coisas de efeito
Parafernália e confeito
Encenação tudo lota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
IX
Pão e circo tão somente
Pra dominar dividir
Um sistema a lhe mentir
Permanecer inclemente
E quem se faz insurgente
Eles queimam por despeito
Com seu grande desrespeito
Mas verdade não desbota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
X
Sistema e mídia venal
Pra dominar só otário
Um jabá pro serpentário
Escriba escroto e boçal
E segue a vida real
Esse povo um desajeito
Seu miolo eu não aleito
Pois burro verso não nota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
XI
É futebol e cachaça
Entorpecer os sentidos
Os cordeiros conduzidos
Falsos profetas na praça
Seu Jesus não sai de graça
Ao dólar é bem afeito
Pelo irmão sem respeito
Assim a coleira bota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito
XII
Finalizando somente
Falando pra que percebe
Quem a verdade concebe
Não é tapado e demente
Tem claridade na mente
No poema rolo e deito
Nesse verso que azeito
Pra quem meu cordel adota
Gente burra e idiota
Repete do mesmo jeito

Décima para Bianca Liz



A Bianca Flor de Liz
É bonita de verdade
Ô baianinha porreta
Fulô da sua cidade
Mas Bianca contagia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade

ALLAN SALES
I
A Bahia é terra santa
Mistérios dos orixás
Acarajés abarás
Samba de roda encanta
Essa mulher me levanta
Com a sua claridade
Adoro essa beldade
Razão desta poesia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
II
Fui com ela no Pelô
Ali Mercado Modelo
Devagar sem atropelo
Eu vi a minha fulô
A Bahia de Bobô
De tanta de diversidade
Dessa feme de verdade
Que adora a melodia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
III
Ela estudando em Feira
Vai letrando sua vida
Essa mulher imbuída
Tem a alma de guerreira
Sua feição tão faceira
Linda na flor idade
Quem souber sua vontade
Vai desfrutar de alegria
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
IV
Moça fiz uma canção
Um lindo samba pra ela
No verso pintando a tela
Abrindo meu coração
Bianca toda emoção
Em nossa cumplicidade
Não vi ali nem metade
Pois ligeiro ela volvia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
V
Bianca Liz baianinha
Assim eu fiz bossa nova
Fiz poema verso e trova
Tudo para essa lindinha
É aloprada e dodinha
Mas vê a realidade
E em prol da Humanidade
Na vovó da Ecologia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
VI
É uma socialista
Até partido ela tem
Bianca meu querer bem
Consciente e ativista
O poeta cordelista
Nessa nordestinidade
Verseja com identidade
Pra musa da fantasia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
VII
Bianca Liz é um tesouro
Que possui a raça humana
A musa linda e baiana
Que vale mais do que ouro
O cordel fazendo eu douro
Ponho a luminosidade
Bianca a sinceridade
Em ti tem a serventia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
VIII
Bianca Liz é princesa
Um dia será rainha
Teu orixá adivinha
Vê tua mente acesa
Bianca d´alma coesa
Vai terminar faculdade
Terá escolaridade
Brilhará na academia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
IX
Bianca amore mio
Bianca Liz mon amour
Deus caprichando fez tu
Mas não fez com desvario
Deste pelo cada fio
Esculpiu com brevidade
O cordel vem e invade
Chegando no fim do dia
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade
X
Baiana linda demais
Baiana és sonho meu
Baiana que a vida leu
Baiana riso de paz
Baiana que satisfaz
Baiana tem amizade
Baiana e baianidade
Baiana uma alegoria
Pois ela faz da Bahia
Terra da Felicidade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O PRIMEIRO GOLE



Cordel baseado numa história que aconteceu entre os anos de 2005 e 2006. Um grande amigo que conheci nos anos 70 nas minhas andanças na Vila do IPSEP é o protagonista do assunto que é narrado no folheto

Allan Sales

I
Vou contar um história
Que aconteceu comigo
Eu parara de beber
Livrei-me desse perigo
Com dois anos sem bebida
Diferença em minha vida
Reencontrei um amigo
II
Agora tudo lhes digo
Eu com ele conversei
Relembrei dos velhos tempos
Quando o amigo eu achei
Contei da sobriedade
Pra ele uma novidade
Assim eu me apresentei
III
Igualmente me espantei
Quando ele me falou
Que fazia o mesmo tempo
Que a cana ele largou
A vida de bebedeira
E toda essa desgraceira
Que sua vida ferrou
IV
Da mulher ele largou
Vivia então sozinho
Tão longe de sua filha
Por quem nutria carinho
Agora sem biritar
Reconstruir-se e andar
Palmilhar noutro caminho
V
Ouvi seu causo todinho
Tive identificação
Nós trocamos telefones
Pra futura situação
De encontrar novamente
Aquele cabra decente
Na verdade um amigão
VI
Marcamos assim então
Um dia jogar xadrez
Ele no jogo um craque
A sua fama assim fez
E assim nos despedimos
E nosso rumo seguimos
Nosso encontro se desfez
VII
Num dia eu era freguês
Num boteco da cidade
Bebendo uma mineral
Pra sede a saciedade
Quando alguém me abraça
Era ele o boa praça
Celebrando a amizade
VIII
Veja que temeridade
Estava um farrapo humano
Com catinga de cachaça
Já fazia quase um ano
Eu ali bem assustado
Ao vê-lo naquele estado
Vivendo naquele plano
IX
Perguntei para meu mano
Como foi que aconteceu
Ele sentou numa mesa
Contou-me o que sucedeu
Depois de ter-me encontrado
Ficou ele enamorado
E uma moça acolheu
X
Seu sentimento cresceu
Namoraram com razão
Foi conhecer a família
De sua nova paixão
E ali bem acolhido
Nessa paixão envolvido
Foi grande a empolgação
XI
No ano novo então
Com o povo dela estava
Ele junto dessa noiva
Seu coração exultava
Farta mesa com comida
Mas também muita bebida
Naquela casa se achava
XII
Ele então relaxava
Quando o ano floresceu
Estouram o champanhe
E todo mundo bebeu
A noiva não viu problema
Deu-lhe a taça sem dilema
E o champanhe ofereceu
XIII
Ele assim se esqueceu
Das lições do tratamento
Evitar primeiro gole
O início do tormento
Ali entusiasmado
Sentiu-se assim relaxado
Bebeu naquele momento
XIV
E assim sem ter intento
Sua compulsão agiu
Sua noiva ali vendo
Transformação que surgiu
Daquele cabra decente
Um bebum intransigente
Dele então eclodiu
XV
Na noite que se seguiu
Ele entornou um pileque
Ela ali assustada
E não pôde dar um breque
Viu o seu lado sombrio
De cachaceiro sem brio
Bem folgado e bem moleque
XVI
De cana bebeu um leque
Bebeu cervejas que via
Tomou até um conhaque
E tudo que aparecia
A moça desencantou-se
O cabra descontrolou-se
E pra seu vício volvia
XVII
O romance perecia
Ela dele se apartou
Mais motivo e desespero
Na sua vida chegou
Mais e mais um cachaceiro
Ele entregou-se inteiro
A um vício que o dominou
XVIII
Assim ele me contou
Entornando uma cachaça
Enchendo o saco da gente
Assim sua mente embaça
Ele de volta ao vício
Largando do sacrifício
De abandonar a manguaça
XIX
Me comoveu tal desgraça
Ao ver o meu companheiro
Naquele estado postado
Nos costumes de um caneiro
Propus então ajudar
Ele não quis escutar
Preferiu o tal salseiro
XX
Assim o gole primeiro
O tirou da consciência
Uma lição que aprendi
Com vida e a Ciência
Um amigo que soçobrou
Seu caso me reforçou
Pra seguir na abstinência.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Acerca do tabagismo



O cigarro é um vício
Que beira à calamidade
Atormenta a humanidade
Dependência um suplício
Pra largar, um sacrifício
Causa doenças letais
Quem do seu uso não faz
Vai ter dias mais amenos
Pois quem fuma vive menos
Quem não fuma vive mais
(ALLAN SALES)
I
O cigarro que vicia
Causa grande malefício
Quem for escravo do vício
Sua cova principia
O cigarro é uma fria
Pra quem fica dependente
Estraga o pulmão somente
É o maior desatino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
II
Da boca até o pulmão
Vai provocar enfisema
Um bocado de problema
Causa câncer de montão
Nicotina nesta ação
Detonando tal vivente
Fumando todo contente
Encurtando seu destino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
III
Causa câncer na bexiga
No pulmão garganta e boca
Fumar é coisa tão louca
Nesta via não prossiga
Vício torto duma figa
Embora a saúde diga
Que tem perigo urgente
Muito cabra insistente
Fuma grosso fuma fino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
IV
Tabagismo perigoso
É uma roleta russa
Fume muito depois tussa
Tenha tumor canceroso
Eita cigarro é seboso
Em todo canto presente
O fumante é um demente
É seu tosco figurino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
V
O vício da nicotina
É um caminho letal
Fumar é vício mortal
Que muita vida termina
Com saúde não combina
Deixando gente doente
Ferrando ali na frente
Se não tiver algum tino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
VI
Ele mata devagar
Vai detonar os pulmões
Com as pequenas lesões
Até o pulmão fechar
Provoca falta de ar
Um pigarro renitente
Um catarro decorrente
Quem fuma é um eqüino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
VII
Provocando impotência
Causando até aborto
Enfisema deixa morto
Do cigarro é conseqüência
Dispnéia é recorrência
Acontece comumente
No fumante pobre ente
Que fuma desde menino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
VIII
O cinema glamouriza
Mostrando heróis fumando
E assim vai propagando
O vício se banaliza
Ela causa uma coriza
Pois na saúde é mordente
Leva sua vida ao poente
Causando mal mais ferino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
IX
Propaganda mentirosa
Cigarro não dá sucesso
Na verdade é retrocesso
Uma droga desastrosa
Uma estrada tortuosa
Um caminho decadente
Cova rasa meu decente
Eu afirmo o verso assino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente
X
Deixando minha mensagem
Falando pra juventude
Que cuidemos da saúde
Sem embarcar na viagem
O cigarro é só bobagem
Que mata indistintamente
Cuidado ô adolescente
Assim o verso eu termino
O cigarro é um assassino
Que aos poucos mata gente

Mote encontrado no ORKUT



I
Acordei pra poesia
Certo dia por acaso
No Pajeú foi o caso
No meio da cantoria
Pajeú me contagia
Lá criei o meu primado
Patriota tão prezado
Régua e compasso me deu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
II
No Recife litorâneo
Inventando de inventar
Foi perene o caminhar
Do meu verso sucedâneo
Seu Xico meu conterrâneo
Deu um apoio danado
Radialista engajado
Um espaço me concedeu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
III
Recife dos camaradas
Os poetas marginais
As vozes mais viscerais
Companheiros de estrada
Em cada palavra atada
De transmutar de estado
Com o verso embriagado
Destronar vil fariseu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
IV
Cada fio de cabelo
Cada átomo de mim
Em poema vibra assim
Com confiança e desvelo
Pois poeta quero sê-lo
Até ficar bem rodado
Bem velhinho e calejado
No verso que aconteceu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
V
Cada célula vibrando
Tudo em mesma sintonia
Poesia verso cria
Assim sigo me fartando
De poemas vez em quando
Quando meu ser vem ligado
No meu mundo vou plugado
Tudo de bom floresceu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
VI
Cada dia desses ser
Festeja ao versejar
Não importando lugar
Sempre vai acontecer
Novo verso vai nascer
Aí vem mais um bocado
O poema é transformado
Nova semente cresceu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
VII
E assim vou colocando
Essa minha glosa em dia
Vez por outra em cantoria
Vejo meu verso embalando
Eu aqui assim chegando
Um tanto quanto ligado
Todo meu ser é tomado
Baixou um santo e ferveu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
VIII
Vou agora aqui saudar
Todos demais cabrunquentos
Meu colegas anos inventos
Nas artes do versejar
Cabrunquentos vou falar
O meu verso está tocado
Por sentimento elevado
Que minha alma encheu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
IX
Beber na fonte mais pura
De onde brota tal beleza
Exercitar com destreza
Assim o verso se apura
Fazer da forma madura
Rimado metrificado
Correndo do pé quebrado
Que verso já corroeu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
X
Buscar na inspiração
Destas artes de poeta
Buscar em si o esteta
Buscar a forma então
Poema clara a visão
Ser na hora iluminado
No poema assim plasmado
O limite assim rompeu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado
XI
Lembrei-me da bem amada
A doce musa querida
É um farol nessa vida
No poema é festejada
A mulher que desejada
Deixa a gente abestalhado
Quero um romance arrochado
Qual Julieta e Romeu
Em cada cabelo meu
Tem um verso pendurado

Acerca do Dalai Lama

Uma amiga me mandou o seguinte e-mail:

DALAI LAMA...
Perguntaram ao DALAI LAMA...
"O que mais te surpreende na humanidade?"
E ele respondeu:
Os homens...
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensar ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
...E morrem como se nunca tivessem vivido.

Eu respondi:

Esse Dalai Lama é um bom filho da puta. Se fosse tão desprendido do dinheiro como prega pra os outros, não teria saqueado todo ouro do Tibete e fugido com um tesouro considerável pra índia correndo dos comunistas chineses que detonaram a teocracia que dominava uma nação de miseráveis fanatizados pela religião monolítica naquele país( não existe outra), da qual esse "humilde e desprendido" senhor é líder espiritual, e pela tradição tibetana, reencarnação do Bda, acumulando as funções de líder espiritual e chefe de estado.

Bem, o Tibete fica no meio da china, é cercado pela china por todos os lados. o americanos, que amam o dalai lama, querem a "independência do Tibete", provavelmente para dar uma substancial ajuda financeira e " humanitária",e , a exemplo do que fazem hoje no Paraguai, instalar uma "inocente" base militar de onde poderiam garantir a "liberdade e a democracia" como hoje tão humanitariamente tentam fazer no Iraque.

A China, apesar das suas contradições é a única nação que impede uma total e avassaladora dominação ianque no mundo. tem armas nucleares, possui um milhão de soldados prontos pra entrar em ação em caso de necessidade. tem a economia que mais cresce no mundo e vai ser a potência do futuro, queira Tio Sam ou não.

O Dalai Lama, assim como o senhor Karol Woytila( que quando era papa, intermediou grana da CIA para Lech Walessa e todos que se opunham ao decadente comunismo polonês pró soviético na era Reagan), prega a paz no mundo, defende a liberdade de seu povo com o ouro que levou desse povo, por trás dele o interesse geopolítico do império americano que cobraria pelo apoio que dá ao dalai lama na forma que sempre cobra dos povos com os quais tio sam "colabora": a submissão.

Melhor deixar o Tibete com os chineses.

Allan Sales.

Um Jabor e um jabá



A vida não deu cinema
E nem “rock and roll” também
Mas no fundo se dar bem
Ser porta voz do sistema
E assim mudou de tema
Esse cabra falador
Posar de provocador
Pra na telinha brilhar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

E assim vai na telinha
Com seu papo direitoso
Ele vai ficar famoso
Vade retro ô morrinha
Até antes nunca tinha
Reconhecido o valor
Cineasta e diretor
Não deu para descolar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

E mudando de função
Terá notoriedade
Pelo campo e na cidade
Na telinha e no telão
Esse cabra falastrão
Posando de ser mentor
Empostação de ator
Pra seu Lulinha ferrar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

E na Vênus Platinada
Ele se mostra sabido
Quase sempre enraivecido
Dando sua cutucada
No Lulinha camarada
Esculhamba o estupor
Aquecendo seu vapor
Ele bota pra lascar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

Mainardi é também
Outro cabra aloprado
Mete um cacete arretado
É o mesmo nhem nhem nhem
E assim nem vai nem vem
Ele mudando de cor
Diz ser Chavez ditador
Não dá para acreditar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

Esculhamba os comunistas
Bota no cu de Fidel
Esse é o seu papel
Que adoram os fascistas
Os patrões capitalistas
Que carrega neste andor
E seja lá como for
De canal quero mudar
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

Seu Jabor ô paciência
O que queres meu rapaz?
És um gajo tão capaz
Que tem tanta competência
Mas não tenho complacência
Queres tocar o terror
Esse papo é um horror
És Heloísa ou Babá?
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

Mas leve o jabaculê
Da TV do seu Marinho
Você segue seu caminho
Vocifera na TV
Assim bota pra ferver
Você comunicador
Mas não queiras no impor
Uma coisa que não dá
Um Jabor pra seu jabá
Um jabá pra seu Jabor

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Peleja entre Allan Sales e Susana Morais




SUSANA MORAIS:
ENTRAREI SEM RECLAMAR
TENTAREI NÃO BATER FORTE
QUE APANHAR DE UMA MULHER
É IGUAL PEDIR A MORTE
MAS SE ALGUÉM QUER CONHECER
CHEGUE PERTO, VENHA VER
QUE MEU VERSO SÓ TRÁS SORTE

ALLAN SALES:
Ó SUSANA TENS É PORTE
VERSEJANDO COM VALOR
A SURRA QUE VOU LEVAR
ESSA SIM NÃO CAUSA DOR
FAZ UM VERSINHO E EMPURRA
E DEPOIS DÊ-ME UMA SURRA
UMA SURRA DE AMOR....

SM - UMA PISA DE VALOR
GANHARÁS NESSA PELEJA
POIS AMOR EU SÓ DEDICO
SE PASSAR PELA IGREJA
SÓ ASSIM ENTÃO EMPURRO
UM VERSINHO E ATÉ SUSSURRO
ME ENTREGANDO DE BANDEJA.

AS - SUSANINHA ORA VEJA
TU ÉS CAROLA E CARETA
ESTÁS "CORRENDO DO PAU"?
SE NÃO VAI DAR NÃO PROMETA
DEIXE DE CONVERSA TOLA
DOU-TE UMA SURRA DE ROLA
E LEVO OUTRA DE BUCETA.

SM - MEU POETA NÃO SE META
A GARANHÃO GRACEJADOR
NÃO VENHA COM PABULAGEM
NÃO MERECES MEU AMOR
CANTE SEM BAIXAR O NÍVEL
QUE SEU VERSO É INVISÍVEL
E O MEU FIO É CONDUTOR

AS - O TEU FIO DÁ CALOR
QUEM PROVA DO FIO BERRA
E NESSA VARIAÇÃO
A PELEJA NÃO ENCERRA
CHEGA A DAR UM CALAFRIO
QUANDO VOCÊ FAZ O FIO
ESSE TAL DE "FIO TERRA"

SM - SE VOCÊ ENTRAR NA GUERRA
E QUISER "LEVAR UM CHOQUE"
ADVIRTO MEU AMIGO
DOU-TE PEDRA DE BODOQUE
POIS POETA TRAPACEIRO
QUE CRIADO NUM PUTEIRO
NÃO MERECE NEM REBOQUE

AS - SUSANINHA QUE SE TOQUE
A REBOQUE NÃO VOU NÃO
SÓ VOU SE FOR ENGATADO
EM VOCÊ MINHA PAIXÃO
POIS MULHER ASSIM FORMOSA
TÃO BOA DE VERSO E PROSA
NA ALCOVA É UM TESÃO

SM - DENTRO DO MEU CORAÇÃO
FALTA ESPAÇO PRA VOCÊ
PRA ENGATAR MINHA PESSOA
É PRECISO CONHECER
OS MISTÉRIOS DO AMOR
OS LIMITES DO TORPOR
E MEUS VERSOS MERECER

AS - AÍ ENTÃO VOU SOFRER
UMA SOLIDÃO TIRANA
REJEITADO DESSE JEITO
POR ALGUÉM QUE SE UFANA
MAS MESMO ASSIM NÃO DESISTO
PROPONDO E ASSIM INSISTO
LIBERA PRA MIM SUSANA!!!

SM - MAS ASSIM VOCÊ SE ENGANA
Ó AMIGO SEM TALENTO
PRA PODER FICAR COMIGO
FAÇO TESTE, TE ATORMENTO
NÃO SE META A BOM POETA
NÃO TENS ALVO NEM TENS META
TENS APENAS SOFRIMENTO.

AS - QUÃO POBRE ESSE PENSAMENTO
FURADA ESSA TEORIA
EU FICO TODO ERIÇADO
QUANDO ALGUÉM ME DESAFIA
SEJA CARETA OU SACANA
OU "COMO TU Ô SUSANA"
PELEJANDO EM POESIA

SM - O TEU VERSO SE ATROFIA
QUANDO ENTRAS NA PELEJA
TUA RIMA É TÃO FRACA
COMO A ÁGUA QUE GOTEJA
NÃO ENFRENTES O DESERTO
QUE MEU VERSO QUENTE E CERTO
FERE O SOL QUE TE ESQUARTEJA

AS - SUSANINHA QUE DESEJA?
MOSTRAR QUE É MAIS CAPAZ?
NA PELEJA POUCO IMPORTA
POIS PARA MIM TANTO FAZ
POIS COM SUSANA SOMENTE
TANTO FAZ EU "IR NA FRENTE"
TANTO FAZ EU "IR ATRÁS"

SM - SE VOCÊ É TÃO SAGAZ
PRA QUE TANTA INSISTÊNCIA?
NÃO ME VENCE POR CANSAÇO
NÃO ME TIRA A PACIÊNCIA
NÃO PRECISO PROVAR NADA
POIS MEU VERSO EM DISPARADA
É MILAGRE E É CIÊNCIA

AS - QUE FALTA DE CONSCIÊNCIA
DA CIÊNCIA NÃO VEM NÃO
POESIA VEM DA ALMA
POR ISSO APRENDA A LIÇÃO:
VOCÊ FEZ BELO PAPEL
NA PELEJA O MENESTREL
LHE AGRADECE Ó MEU TESÃO!!

SM - É METIDO A SABICHÃO
ESSE TAL POETA ALLAN
POESIA VEM NO SANGUE
NA FILOSOFIA VÃ
MESMO ASSIM MEU CARO AMIGO
NÃO DISPENSO TEU ABRIGO
NA PELEJA SOU SUA FÃ!

MERCADO DA BOA VISTA AOS DOMINGOS, UM SUCESSO!





Uma nova e produtiva fronteira se abre, na qual,já no primeiro dia, foi bem prestigiada por artistas do Recife, entre eles Tito Lívio e Geraldinho de Palmares que nos brindaram com uma participação musical, entre outros.

Aos domingos, a partir das 11h, sejam todos bem vindos ao Mercado da Boa Vista para nosso recital poético musical eclético.

ALLAN SALES

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Casar, maneira mais cara/ Da gente fuder de graça




Casamento é bem legal
Você amando demais
O lar é ilha de paz
É um jardim sem igual
Mas detona seu real
Cilada como trapaça
Sua grana que ela traça
Pra você meter-lhe a vara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Ela pegando no pé
Exigindo de você
Chantagem para meter
Assim é muita mulé
Só cola com Zé Mané
Tem muita mulé na praça
Se quer só uma assim faça
Cada um com sua tara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Compra coisa para casa
Acaba com seu dinheiro
O ciúme é um salseiro
A paciência se arrasa
Ele vem e lhe atrasa
Seu dindim vira fumaça
Meu colega achas massa
Sua mente é ignara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Quer ter uma piniqueira
Pra poupar sua beleza
Tem delírios de riqueza
E você marca bobeira
A grana na bagaceira
Você virando uma caça
Ela vem assim lhe laça
Todo dia nunca pára
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Roupinhas coisas da moda
Bugigangas para o lar
Assim você vai gastar
Pra dar uma simples foda
A mulé vem e lhe açoda
Na tora e não disfarça
E assim o tempo passa
Você já se acostumara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Quer mudar móveis da sala
Gastar no cabeleireiro
Arranjar um jardineiro
Ir para jantar de gala
Ela reclama lhe fala
Que você só lhe embaça
Consome sua carcaça
Faz do sono coisa rara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Quer viajar visitar
A mamãe a parentalha
Até cunhado canalha
Ela quer presentear
Você vai financiar
Peru chester e a manguaça
E ela só de pirraça
Vai comprar a sapupara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Quer ter tudo melhor
Mas o besta é quem paga
Enfiando sua adaga
Aquele forrobodó
Metendo no seu gogó
E você besta que encara
Seu cartão logo dispara
Seu cheque se despedaça
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Mas solteiro sofredor
Um batedor de punheta
Sem acesso de buceta
Virando masturbador
Vira logo bebedor
Entornando muita taça
E tudo isso que faça
A solidão que enlaça
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Terminando a poesia
Eu versejei por galhofa
Jogando muita farofa
No reino da putaria
Até que eu casaria
Não seria uma desgraça
Encararia na raça
Mas isso ninguém repara
Casar maneira mais cara
Da gente fuder de graça

Poema erótico para uma virgem convicta

Jovem dama o que queres?
Negar fogo do desejo
Medo e vontade que vejo
O dilema das mulheres
E se um dia quiseres
Deixar dessa coisa tola
E se a vontade for pô-la
Finalmente com coragem
Fazer rito de passagem
Perder teu medo de rola

O pastorzinho condena
Que sem casar não convém
Mandar no xibiu de alguém
Põe medo na tua cena
A virgindade que pena
Se perder não vai repô-la
Mas se provar de bilola
Vai adorar a viagem
E deixar de fuleiragem
Esse teu medo de rola

E assim inaugurada
Vai fazer alguém feliz
Vai dar para quem te quis
Vai dar a bela gozada
Se fartar numa trepada
Se esquecer de siririca
Te vejo meu pau estica
Nem precisa dar massagem
Te chupar doce viagem
Mas tu tens medo de pica

Pena és muito gostosa
Despertas coisas na gente
Faz pensar modo "caliente"
Fazer-te mulher fogosa
Tesuda és glamourosa
Na bela forma fornida
Mas és auto reprimida
Menina tão recatada
No dia que der trepada
Tu gozarás bem comida

Gozar dizendo gemidos
Quando mamar teus peitinhos
Gostosos lindos durinhos
Estarão entumescidos
Teus desejos reprimidos
Serão no fim quase nada
Deves ser quente e apertada
Feliz será tal banquete
Quando sentir um cacete
Na bucetinha molhada..

ALLAN SALES

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

SINTOMAS DE POBREZA.




“A pobreza é um calvário
Um sofrimento de vida
É uma sina sofrida
Quem ganha baixo salário
O burguês é salafrário
Acumulando tutu
E liso feito “mussu”
Pobre toma no papeiro
Se merda fosse dinheiro
Pobre nascia sem cu”

Allan Sales


I
Juntar muitas moedinhas
Finda grana segue o mês
Diversão é pouca vez
As coisas só baratinhas
Sempre filar das vizinhas
Contar as coisas na mesa
Não deixar a luz acesa
Só cozinhar na pressão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
II
Sem grana pra viajar
Sem ter plano de saúde
Esperar que algo mude
Ter sempre que se virar
Nada sobra pra poupar
O bolso só na dureza
Vai preso não tem defesa
Pois doutor cobra cifrão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
III
Jogar no bicho sonhando
Comer cuscuz todo dia
Reclamar da carestia
Viver economizando
Devendo mas reclamando
Só enxugando despesa
Sabão de coco a limpeza
Botar água no feijão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
IV
Vai à praia com a patota
Se lambuzar na areia
Bebe bagunça e aperreia
Come coxinha e arrota
Vai pro “todos com a nota”
Pra torcer maloqueireza
Com curriola coesa
Pra depois quebra busão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
V
Aparece em Cardinot
Pra reclamar dessa vida
Morre de bala perdida
Nunca comeu escargot
De caviar não provou
Vê enchente e correnteza
Se a vida ficou ilesa
Perde tudo até o bujão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
VI
Vai a pé com bicicleta
Pra fazer economia
Lá no SUS tem agonia
Ele encara e se arreta
A feijoada incompleta
Sem paio sem calabresa
Macarrão sem bolonhesa
Farinha e sal seu pirão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
VII
Vai cozinhar na “cunzinha”
E vai morar no “Imbura”
Tem medo de viatura
Dessa puliça escrotinha
Mundiça plebe gentinha
Diz madame com baixeza
Que do alto da riqueza
Esculacha o pobretão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
VIII
Vai então beber cachaça
Na bodega da esquina
E quando a grana termina
Faz fiado uma desgraça
Para pagar ele embaça
Pois duro não tem moleza
A filha Pâmella Andrezza
Vende voto em eleição
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
IX
Seu sapato está furado
Ele anda de chinelo
O seu sorriso banguelo
Caderneta de fiado
Fudido liso e lascado
Reza pra Santa Tereza
Faz despacho com firmeza
Pro orixá da devoção
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza
X
Se merda fosse dinheiro
Pobre nascia sem cu
Comedor de sururu
Na praia é um farofeiro
O seu salário fuleiro
Sardinha acha uma beleza
Fala toda a redondeza
Se é corno um cidadão
Com certeza com razão
São sintomas de pobreza

Foi vestido de Vaqueiro /Que mostrou-se um nordestino



I
Gonzaga virou poeta
Desse povo sertanejo
Identidade que vejo
Ele traçou essa meta
Meu sertanejo é esteta
Palmilhou grande destino
Do sertão um paladino
Ao mostrou-se por inteiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
II
O vaqueiro desta terra
Simbolizando o sertão
De bucólica visão
Grande beleza encerra
Onde cangaço foi guerra
Do Capitão Virgulino
Gonzaga que ilumino
Na lide de sanfoneiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
III
Tocava coisas da moda
O tango, a polca, a valsa
Novo patamar que alça
Botou o baião na roda
Gonzaga que não se poda
Decidiu ser genuíno
Pra vestir-se teve o tino
Foi no Rio de Janeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
IV
Lá um gaúcho tocando
A caráter bem trajado
Gonzaga que foi tocado
Viu aquilo se inspirando
Decidiu foi transformando
Foi sagaz sabido e fino
De vaqueiro o figurino
Do seu sertão tão brejeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
V
Gibão, chapéu e perneira
Peitoral luvas também
O vaqueiro vai além
Vegetação catingueira
Derruba boi na esteira
Depois de ouvir seu sino
Como Gonzaga menino
Avistou no seu terreiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
VI
Luiz com a indumentária
Cantou aboio dolente
Do sertão de sol tão quente
Nesta saga hereditária
Trilhando vereda vária
Enfrentou mundo ferino
Foi um sol brilhando a pino
Grande artista brasileiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
VII
Escolheu assim tal veste
Simbolizando o torrão
Envergando seu gibão
Pra conquistar o sudeste
Representando o Nordeste
Qual vaqueiro peregrino
Com ele vou e combino
Sua canção um luzeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
VIII
As toadas sertanejas
As vozes da Natureza
O sertão tanta beleza
As vaquejadas pelejas
As violas benfazejas
O seu canto um nobre hino
Para nós um grande ensino
Do ethos mais verdadeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
IX
Ao falar das vaquejadas
De toda lida com gado
Identidade e legado
Nessas canções consagradas
Suas musicais estradas
Nele todo dom divino
Ao versejar determino
Festejar tal pioneiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
X
O vaqueiro simboliza
Toda alma deste povo
No presente é canto novo
Cantou de forma precisa
De gibão se eterniza
Continuo e não termino
Ao exaltá-lo culmino
Ao festejar tal guerreiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XI
Aboiando nas jornadas
Ele mostrou no seu canto
O sertanejo acalanto
Do tangedor das boiadas
Com suas mão calejadas
Por um sertão severino
O vaqueiro que defino
Qual popular cavaleiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XII
Gonzaga sua verdade
De vaqueiro se vestiu
Mostrando para o Brasil
A nossa diversidade
Cultural identidade
Toadas de um tangerino
Montado num ser eqüino
O seu fiel companheiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XIII
Gonzagão com a vestimenta
Indumentária faceira
De sua gente guerreira
Ele assim se apresenta
Mil barreiras arrebenta
Lá pelo torrão sulino
O que mais eu imagino
Desse bravo tarefeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XIV
Mostrou-se de alma inteira
As cores de sua gente
A nordestina vertente
A alma tão brasileira
Com a verve costumeira
Contando causos ladino
Falo mais do que atino
Do seu humor tão matreiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XV
Ao vestir-se desta forma
Abriu leques para o mundo
Todo orgulho e profundo
Com a vestimenta informa
Com seu canto que transforma
De onde seu verso eu rumino
Com seu canto me afino
Todo seu cancioneiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino
XVI
Gonzaga foi no plural
Sintetizou a cultura
Na sua vertente pura
Vestimenta original
Do vaqueiro fraternal
O seu gesto que eu assino
Nordeste de Vitalino
Foi embaixador primeiro
Foi vestido de vaqueiro
Que mostrou-se um nordestino

Allan Sales, 47 anos: 6 anos, três meses e 27 dias sem beber

Em 15 de outubro de 2001, um final de domingo eu estava completamente bêbado depois de uma garrafa de cachaça que havia ingerido na tarde. Separado e pai de dois meninos que passavam fim de semana comigo e que testemunhavam minhas constantes e contumazes bebedeiras que sempre extrapolavam o que se chama de “beber socialmente”. Minha irmã mais velha me chama pra uma conversa e fala daquela coisa deprimente dos meninos sempre verem o pai deles passando da conta na bebida. Era mais um dos muitos sermões que o povo de casa costumava dar, na vã tentativa de me afastar dos excessos com o álcool. Desta vez ela me oferece uma consulta com um psiquiatra especializado em dependência química, o qual tinha feito com sucesso o tratamento de um colega de trabalho dela vítima do alcoolismo. Eu relutei, mas, na terça feira seguinte, lá estava eu em companhia do Dr. Jorge Arruda para a consulta que minha irmã agendou e pagou. Ele, com muito tato, fez perguntas acerca da minha relação com o álcool, coisas como a quantidade que ingeria, a modalidade de álcool, a freqüências dos pileques, as motivações para beber, a existência de parentes alcoólatras, o tipo de ambiente social em que eu vivia, etc. O médico atestou meu perfil de compulsivo, não era um julgamento moral, mas uma constatação do meu psiquismo que determinava esse comportamento anômalo de beber desbragadamente, fora de controle, com todos os comportamentos anti sociais que os pinguços em geral apresentam. Falou que o que determinava esse quadro clínico era uma conjunção de fatores genéticos, comportamentais e sócio culturais, já que a herança genética favorecia mas não determinava que alguém se tornasse alcoólatra. Eu sou filho e neto de alcoólatras, fui educado em ambiente em que o ato de ingerir bebidas alcoólicas era reforçado pelo grupo de referência, como afirmação da sociabilidade e a masculinidade do sujeito. De fato, aluno de escola militar desde os 12 anos, passando mais um ano no CPOR do Recife, meus pares sempre bebiam pra comemorar fosse lá o que houvesse: festas, torneios esportivos, etc. Aprendi a beber com cerca de 17 anos, no ano em que ganhei o torneio de xadrez dos jogos escolares, foi meu primeiro pileque, cheguei em casa com a medalha de ouro, o troféu e de cara cheia. Depois disso, num crescente, passei a viver como boêmio, minhas vivências musicais favoreceram a presença do álcool em minha vida. Dos 25 anos em diante, tenho certeza que passei a ingerir bebida alcoólica bem além dos limites do beber socialmente. O médico deu-me duas opções: continuar bebendo e adquirir alguma doença associada ao consumo excessivo e morrer disso, ou redimensionar minha vida, afastando completa e totalmente o álcool de minha vida. O ser humano com perfil de compulsivo quando deixa de consumir seu objeto de compulsão, seja lá qual droga, não consegue segurar o impulso de consumir, uma vez consumindo, toda a compulsão volta e a pessoa não mais controla esse impulso e volta com toda carga. Ou seja, não existe essa de deixar por um tempo, consumir menos, compulsivo simplesmente não controla sua vontade uma vez consumindo álcool. É verdadeira aquela história de evitar o famoso primeiro gole, nosso cérebro funciona como um livro aberto no qual nós escrevemos nele. Quando paramos de beber o livro é fechado, podemos passar anos a fio sem beber, uma vez ingerido o primeiro gole, o livro é reaberto na página em que foi fechado e a história continua de onde tinha parado como se não houvesse nenhum lapso de tempo. Passei a tomar medicamentos que ajudavam a tirar a compulsão e que redimensionavam o funcionamento do metabolismo basal do sistema nervoso. Duas drogas de tarja preta e muito fortes, que passaram a me deixar em marcha lenta, sonolento por algum tempo. Eu tocava num boteco no centro do Recife e passei a me apresentar neste ambiente boêmio tomando água mineral e refrigerantes, não deixei de andar nos bares do Recife Antigo para onde me dirigia com freqüência, em companhia dos meus amigos que sempre bebem bastante. Ou seja, não me isolei como eremita dos ambientes boêmios, enfrentei o desejo de beber de frente, não mudei de ambiente social, enfrentei o leão dentro da sua jaula. Causei variadas reações nos antigos parceiros de bebida, alguns ficaram indiferentes, outros fazendo chacota. Um outro grupo querendo me trazer de volta ao vício na crença de que eu (e eles também) não éramos doentes, e que nada havia demais em tomar uma cervejinha. Fui até ofendido por um deles metido a profeta e sábio que me disse literalmente: “ ..Allan Sales, vocês está perdendo o seu caráter..” um trapo humano que é escravo até hoje do álcool e que me dizia que não concebia sua vida sem o álcool. A maior luta pra mim não foi a falta da bebida em si, porém todo ritual em torno do álcool, a maioria de meus contatos sociais é de pessoas que bebem em variados graus, fiquei como peixe fora d’água inicialmente, aos poucos fui readaptando minha presença no meio social que nunca abandonei por conta da abstinência. Hoje acordo bem mais cedo do que em tempos em vivia entre dois estados de consciência: bêbado e de ressaca. Tenho outra disposição física e mental, embora muitos “artistas” me perguntem como é que eu consigo compor música e escrever poesia sem nenhum “estímulo”, assim como eu consigo curtir os eventos sem o auxílio externo de algum “estimulante”. Sem moralismos baratos e sem nenhuma conversão religiosa fajuta, vivo assim fora do vício e conto cada ano mês e dia de cara limpa: 5 anos, dois meses e 23 dias sem beber. Acho que essa experiência de vida e esse testemunho algo que pode vir a ajudar alguém que esteja hoje no mesmo inferno em que vivi por 21 anos de minha vida.

CORDEL: CONSTRUINDO OUTRO DESTINO
Autor: Allan Sales
(1)
Vou contar uma história
Cem por cento verdadeira
Eu então jovem mancebo
De juventude fagueira
Iniciei meu tormento
Pois neste triste momento
Eu entrei na bebedeira
(2)
Era só por brincadeira
Dos amigos camaradas
Eu tocava violão
Para animar as noitadas
Eram alegres pelejas
Vinhos conhaques cervejas
Nas farras tão animadas
(3)
Eram tantas as paradas
E ali bem postado
Pois só sabia curtir
Se estivesse embriagado
Tal como meu pai bebia
Na mesma estrada eu ia
A tornar-me um viciado
(4)
Sem perceber-me logrado
Embarquei nesta canoa
Era alegre a boemia
Conhecer tanta pessoa
Encher a cara por nada
Curtir a turma animada
Para mim ô coisa tão boa
(5)
Mas eu ficava à toa
Fazendo minhas besteiras
Pois o bebum perde o rumo
E também as estribeiras
Discute e compra briga
Pois o álcool o instiga
A fazer tantas bobeiras
(6)
E nas farras corriqueiras
Sem saber-me compulsivo
Geneticamente propenso
A um vício corrosivo
Fui beber além da conta
A cuca pra lá de tonta
Ficava brabo e explosivo
(7)
Hoje isso eu não vivo
Procurei um tratamento
Aos 41 de idade
E vinte de sofrimento
Minha irmã me apoiou
Meu filho me implorou
Deixar o vício nojento
(8)
E assim neste intento
Fui falar com o doutor
Jorge meu psiquiatra
Que foi esclarecedor
Mostrou-me o quadro real
Deste vício bestial
Tormento de um bebedor
(9)
Meu pai foi um sofredor
Por causa do alcoolismo
Assim como avô paterno
Caiu também neste abismo
Que altera a consciência
Provoca queda e demência
E falo sem moralismo
(10)
Beber afirma o machismo
É um ato cultural
Mostrar que é cabra macho
Eu fui assim afinal
Com genética herança
Fui fundo nesta lambança
Mas nela pus um final
(11)
A luta foi crucial
Por causa do ambiente
Altamente permissivo
Aonde eu era vivente
Amigos todos farristas
Biriteiros ativistas
Cachaceiros no batente
(12)
Mesmo assim fui em frente
Da parada não corri
Rompendo com o passado
Que até então eu vivi
Tomar um outra atitude
Cuidar melhor da saúde
Opção que escolhi
(13)
E assim como parti
Em busca de uma mudança
Muita gente me tentou
Chamou de volta pra dança
Oferecendo bebida
Desgraça da minha vida
Que hoje não me alcança
(14)
A luta nunca se cansa
É permanente e diária
Ser sóbrio a cada dia
Numa luta temerária
Muita gente faz chacota
Muitos chegam com lorota
Incredulidade vária
(15)
A coragem necessária
Até hoje eu a tenho
Vejo a alegria dos filhos
Vendo meu sóbrio empenho
Melhorei a minha vida
Que hoje melhor é vivida
Com um melhor desempenho
(16)
Outro caminho eu desenho
Mas permaneço atento
Pois as tentações do mundo
Tem variado fomento
Ainda estou nas noitadas
Violas enluaradas
Meu ofício por intento
(17)
Permanecendo atento
Vigilante a cada dia
Consciente que o vício
Fez minha vida vazia
Hoje traço outro caminho
A poesia e meu pinho
São a minha companhia
(18)
Faço outra cantoria
O novo eu determino
Prosseguindo firme e forte
O que aprendi ensino
A bebida pus de lado
Sóbrio não embriagado
Construindo outro destino

Allan Sales, 47 anos: 6 anos, três meses 27 dias sem beber

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

CADEIA ALIMENTAR- LETRA DE MÚSICA DA PEÇA BICHO HOMEM

O capim nasce da terra
Tão viçoso tão verdinho
Tem no solo minerais
Que alimentam ele todinho
Depois vira um alimento
Vem os bichos no momento
Comem o capim no caminho

Um alegre veadinho
Vem ali para pastar
Aparece é um leão
Com uma fome de matar
O leão vem e detona
É assim que funciona
A cadeia alimentar

E depois de devorar
Abandona essa caraça
Depois surgem as hienas
Comer o resto da caça
E também os urubus
Comem até os tapurus
Até que sua fome passa

Excrementos que se faça
A carniça e tudo mais
Volta tudo para a terra
Pra virar os minerais
Assim tudo recomeça
Natureza não tem pressa
Animais e vegetais

É assim que a vida faz
Acabei de lhe mostrar
Natureza se equilibra
Se o homem não perturbar
Natureza tão lindona
É assim que funciona
A cadeia alimentar.

ALLAN SALES

Baseado em mote do Poeta Saulo no Orkut



I
Castro Alves o baiano
Pessoa de Portugal
Neruda que fraternal
Bandeira foi soberano
Gregório ante o tirano
Versejou com maestria
Desancou a covardia
E segue sempre brilhando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
II
Vejo aqui os cabrunquentos
Saulo, Onildo tantos temos
Até o Compadre Lemos
Poetizando momentos
Seus versos nossos alentos
Cordel aqui nessa via
No reino da cantoria
Vi meu cordel vicejando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
III
Zé Limeira e Zé da Luz
Aqui seu Chico Pedrosa
Poesia verso e prosa
Com maestria conduz
Poemas carrego a cruz
Mas levo com alegria
Na espera de um dia
Ver meu cordel pipocando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
IV
Com Cardoso vi poema
Li Vinícius de Moraes
Quintana que foi demais
Rogaciano no tema
Louro e Pinto mesmo lema
Lisboa assim dizia
Oliveira também cria
Na viola ponteando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
V
João Cabral de Melo Neto
Ensinou como se faz
Cada verso dele traz
Um sentimento seleto
Meu poeta verso reto
Palavra com engenharia
Cada peça que ela avia
Vai bela se encaixando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
VI
Leminski como anarquista
Tem coisas pra nos dizer
Poesia é esclarecer
Uma palavra conquista
De repente ou cordelista
Reinado da fantasia
No mundo se inicia
Segue na vida pulsando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
VII
Poemas que fez Camões
Inaugurou uma estrada
Lusa fala festejada
Entre armas e barões
Poemas aos borbotões
Que ele lusitanaria
Camões teve valentia
Segue nos alumiando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
VIII
Salve Cora Coralina
Salve Cecília também
As duas arte que vem
Lá da alma feminina
Começando não termina
Espalham sua energia
Num verso que contagia
Eu aqui vou versejando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
IX
Salve todos os poetas
Os faróis da Humanidade
Espalhando claridade
São variados estetas
São suas almas repletas
Poetas nesta elegia
Eu que cordelizaria
A vida cordelizando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia
X
Salve Solano Trindade
Vate afro brasileiro
Que como Ogum Guerreiro
Versejou toda verdade
Cultural identidade
Consciência da etnia
Negra alma que alumia
Nossas mentes despertando
Poeta é luz clareando
O mundo da poesia

O sócio de Jesus

O Rabi da Galiléia
Jesus nosso salvador
Mensageiro e redentor
Da humanidade atéia
Tem gente que tem platéia
Expulsadores de exus
Parecem mais urubus
Da miséria de um irmão
EU PREFIRO SER CRISTÃO
NÃO SOU SÓCIO DE JESUS


Tava eu e Belzebu
Numa sala de reboco
Ouvi então um pipoco
Era o tal Caramuru
Carregou sete tatu
Uma carga de mastruz
Quando chegou Zé da Luz
Com uma quenga no salão
EU PREFIRO SER CRISTÃO
NÃO SOU SÓCIO DE JESUS


Bispa Sônia e seu marido
Um par de filhos da puta
Duplinha torta e astuta
Com seu dinheiro escondido
O seu dólar auferido
É podre e exala pus
À prisão fizeram jus
Pois lá isso dá prisão
EU PREFIRO SER CRISTÃO
NÃO SOU SÓCIO DE JESUS


Salve o presbiteriano
Também o irmão batista
Salve o adventista
Salve o irmão luterano
Fé correta sem engano
Prega o bem também a luz
Católico também conduz
Os de social visão
EU PREFIRO SER CRISTÃO
NÃO SOU SÓCIO DE JESUS

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

NORDESTE INDEPENDENTE?




Este texto é uma ficção em cima do texto Nordeste Independente, de grande prestígio, após a gravação feita por Elba Ramalho da obra de Ivanildo Vila Nova e Bráulio Tavares. Faço uma reflexão catastrófica de como poderia ser a forma de poder no Nordeste, caso este viesse a separar-se do Brasil e mantivesse as mesmas práticas políticas seculares que nos tornam depositários de grande parte da miséria e do atraso do Brasil.
(Allan Sales , Março de 2001)


O Nordeste apartado do Brasil
Como disse no verso o bom poeta
Qual seria por aqui fazer qual meta
Pra criar por aqui poder civil
A razão de pensar se aboliu?
Maciel morreria presidente
Mandaria ACM mais na gente
Todo povo por aqui tava fudido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Mesmo livre do jogo federal
No Nordeste teria qual comando
A patota que sempre vem mandando
Mandaria nisso aqui ponto final
Qual seria o projeto nacional
Desse grupo que foi subserviente
Ao sistema poder sempre vigente
Esse grupo mandou mas é vendido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Só governos calhordas mandariam
Extinção da justiça do trabalho
Só bem ricos aqui metendo malho
Da riqueza daqui desfrutariam
Do passado saudosos nos trariam
Um pelô de açoitar gente decente
Muitas horas trabalho no batente
Sem ter greve direito que abolido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

A maconha daqui que escoaria
Em navios por portos nordestinos
Uma corja canalhas mais suínos
A reinar com terror se implantaria
Fernandinho do pó que voltaria
Ao poder com projeto indecente
Pra manter o povão sempre indigente
E o direito social sempre esquecido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Tanto atraso travando com progresso
O poder a voltar a ser feudal
Muito voto que aqui só no curral
Pra mandar paus mandados pro congresso
Secessão que é idéia de sucesso
Pra quem pensa de modo tão demente
Essa idéia na certa é bem valente
Pra quem pensa de modo iludido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Latifúndios aumentam sua área
Com jagunços de mão com patrimônio
Com poder um macabro matrimônio
Pra barrar não haver reforma agrária
Pra manter sertanejo sempre um pária
Das migalhas da farra dependente
Miserável um povo é indolente
pelos tais enganado e oprimido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Dividir para que? Eis a questão
Pois a quem tal projeto que interessa
Eu não creio ser verdade tal promessa
De progresso na tal separação
Separando um pedaço da Nação
Entregando pra elite inconseqüente
Que não tem um projeto coerente
Do povão nunca vai tomar partido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

A polícia quebrando na porrada
Toda nosso protesto social
Essa elite de um modo bestial
Nunca vai aceitar ser contestada
Tem seus vícios fascista viciada
Pensa ser a senhora desta gente
Ao Brasil o Nordeste é pertinente
Separar delirar ensandecido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

O Brasil sendo um só tão grandioso
Manterá guardará a integridade
Dividir o país é insanidade
Tresloucado projeto e tenebroso
Tio Sam sei que é ganancioso
O Brasil não quer ver andar pra frente
Nós queremos futuro diferente
Um Brasil mais fraterno e mais unido
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Terminado meu verso que lhes digo
Demonstrei novo modo de pensar
Vou louvando a cultura popular
Patriota ensinou daqui prossigo
O Sertão Pajeú me deu abrigo
Eu não faço cordel feito repente
Quererei labutar nesta vertente
Do Nordeste Brasil mais imbuído
“Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente”

Estrofe baseada em frase que achei no msn de Gabi Apolônio

Deixando livre o que amo
Por a amar a liberdade
Isso sei que é verdade
Deixo livre não reclamo
A posse eu não conclamo
Amores livres adeus
Os deixo aos ventos seus
Se vão embora se soltam
Se para mim já não voltam
Porque nunca foram meus

(ALLAN SALES)

Mote de Cícero Moraes



I
Que o tempo me leve sempre atento
Pra seguir conseguir ser bom poeta
Que alguém seja o par na minha meta
Contamine no seu meu sentimento
Eu desejo viver sem ter lamento
Versejar e deixar coisas futuras
No meu verso conter belas figuras
Versejando falar do mundo imenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
II
Mas poeta que assim muito deseja
Ver a luz da perene inspiração
Numa luta das forças da razão
O bom verso fazer tudo que almeja
No cordel de estrada benfazeja
Que faz parte buscar suas procuras
Ilumina essa fé noites escuras
Sendo assim todo modo que eu penso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
III
Meus lauréis versejar são modos puros
O viver o sofrer não me deprimem
Os poemas virão e me imprimem
Os legados presentes pros futuros
Ver os homens conter os gestos duros
Procurar depurar e ter lisuras
As pessoas venais são obscuras
Assim vejo seguir o verso intenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
IV
Einstein foi tachado de pirado
Nosso Santos Dumont o foi também
Rotular para os tolos lhes convém
Pois poltrões tem um parco predicado
Nada importa ficar só e deserdado
Enfrentar superar tantas agruras
Encontrar promover iluminuras
Despedir da mentira com seu lenço
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
V
O que faço melhor na minha vida
Pra manter meu maior dom de virtude
O prazer por demais lesa a saúde
Mesmo assim vou cair na desmedida
O prazer desta forma concebida
Sem ter medo seguir sem imposturas
E cuidar de espantar tristes fraturas
Ser mais leve viver menos bem denso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
VI
Mas viver tem perigo de ser triste
Conviver superar toda descrença
Ser melhor cada dia nos compensa
Que tristeza de mim pra longe diste
Não me venha podar com dedo em riste
Os censores cruéis das ditaduras
Não me ponham tais ferros e ataduras
Pois assim ao lutar mais me condenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
VII
Deus me livre perder toda energia
E tornar-me num velho chato e brocha
Quero ter a dureza duma rocha
E fazer a mulher ter alegria
Furunfar dia e noite noite e dia
E tomar sem cair doses das puras
E manter minha rola nas alturas
Se não der meu sofrer será imenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucura
VIII
Se não der vou tomar um comprimido
Azulzinho é demais resolve o caso
Vai tirar o vovô do seu atraso
Ter assim meu problema resolvido
É tão caro tomar vou decidido
Vou tomar remedinhos sem frescuras
Pois tesão não cuidando das procuras
Ter pau mole é ruim sim é consenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras

IX
Vi Dom Pedro dançar coco de roda
Com a filha de Pedro Malazarte
Depois disso foi expor quadro de arte
Bebeu rum com cachaça vinho e soda
Disse puta do caralho tu é foda
Quem mandou rabiscar minhas pinturas
Não vendi me fudi ainda me juras
Que teu pai não pagou seca Lourenço
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras
X
Zé Limeira chegou baixou em mim
Disse tudo eu segui sem ter contenda
Padim Ciço bebeu foi numa venda
Com a nêga do pelo pixaim
São Tomé foi caçar um guaxinim
Foi no IBAMA pegou penas bem duras
Deportaram Tomé lá pras Honduras
Virou monge morreu vendendo incenso
Deus conserve pra sempre o meu bom senso
Recheado a pitadas de loucuras.

QUEM INVENTOU A DISTÂNCIA/ DESCONHECIA A SAUDADE



I
Quem inventou o trabalho
Nada tinha pra fazer
Quem inventou o prazer
Criou algo do caralho
Que inventou quebra galho
Foi a inventividade
Que inventou a maldade
Inventou toda arrogância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
II
Quem inventou a censura
Esse sujeito não lemos
Que inventou os tais remos
Não nadava por frescura
Que inventou a gordura
Morreu de obesidade
Que inventou a metade
Não possuía a ganância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
III
Quem inventou o amor
Com certeza era poeta
Quem inventou o atleta
Só se fosse treinador
Quem inventou o terror
A CIA com crueldade
Quem inventou ser “cumpade”
Foi amigo de infância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
IV
Quem inventou a mentira
Era mesmo sem noção
Quem inventou a paixão
Tinha a amada na mira
Quem inventou a catira
Afirmou a identidade
Quem inventou a vontade
Não mediu sua importância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
V
Quem inventou a burrice
Não curtia a inteligência
Quem inventou violência
Padecia da sandice
Quem inventou a meiguice
Foi a sensibilidade
Quem criou comunidade
Praticava a tolerância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
VI
Quem inventou o saber
Um amante da Ciência
Quem inventou consciência
Gostava de esclarecer
Quem inventou o poder
Pra domar a sociedade
Quem inventou lealdade
Pra viver em consonância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
VII
Quem inventou a resposta
A pergunta também fez
Quem inventou o xadrez
Não gostava de aposta
Quem inventou a proposta
Foi pela necessidade
Quem inventou inverdade
Pra gerar beligerância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
VIII
Quem inventou melodia
Villa Lobos Tom Jobim
Quem inventou todo fim
A toda hora inicia
Quem inventou poesia
Foi a criatividade
Quem inventou a amizade
Inventou com relevância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
IX
Quem inventou o final
Pra por um fim no poema
Quem inventou nosso lema
Um poeta fraternal
Quem inventou cabedal
Pra ter a pluralidade
Quem criou a hombridade
Tinha fé em abundância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade
X
Quem inventou esse versos
Allan Sales neste mote
Quem inventou lindo xote
Pra parada de sucessos
Quem inventou os progressos
Foi a engenhosidade
Que fez verso com beldade
Versejou com elegância
Quem inventou a distância
Desconhecia a saudade

AMERICANALHANDO




A cultura americana
Há muito tempo invadiu
Com um monte de leseiras
Pelo mundo e no Brasil
Já tô ficando arretado
Com tanto lixo enlatado
Porra! Puta que pariu!

E tem um tal de Piu Piu
Frajola um gato safado
Que vive a fim de comer
Um passarinho viado
“Acho que vi um gatinho”
Assim fala o passarinho
Amarelo e afrescalhado

Tem o Hulk esverdeado
Que custou muitos milhões
Ele grita feito louco
Berrando a plenos pulmões
Grita tanto quase engasga
Pois a calça nunca rasga
Fica apertando os culhões

E tem heróis bem machões
Menos o homem morcego
Amigado com um boyzinho
Com Robin tem aconchego
Mas só tem herói branquelo
Não tem herói amarelo
Sem falar que não tem nêgo

Tio Sam não dá sossego
Na cultural invasão
Na canção e no cinema
Polui a televisão
Homem Aranha, rock e clip
Free Willy, Zorro e Flip
E Van Dame o maricão

Stalone é um bundão
“Xuazineguer” outra bosta
No mundo tem tanto besta
Que aprecia e que gosta
É bala e tanta porrada
E o conteúdo é de nada
É nisso que se aposta

Alienar é a proposta
Empurrar ideologia
Fazer de bom o mocinho
Que é bandido da CIA
Que está ao lado do “bem”
A imagem que convém
Mostrada com simpatia

O Batman é uma “tia”
Super Man um tabacudo
Jerry Lewis um retardado
E Popeye é um chifrudo
Leva gaia da magrela
Vive brigando por ela
Com brutamontes barbudo

E como atrapalha o estudo
Ocupando a meninada
Viciada em TV
Vai ficando alienada
Consumindo porcaria
E no lixo se vicia
Vai ficando abestalhada

E por falar na negada
Michael Jackson o mané
Ficou branco feito talco
E com cara de “mulé”
É chegado à sodomia
Praticou pedofilia
Só não crê quem não quiser

Até quando se puder
Empurram o lixo insano
Mas existe quem combate
Como meu mestre Ariano
Da cultura brasileira
Vai levantando a bandeira
Contra o lixo americano

E piora a cada ano
A invasão cultural
No cinema até na dança
Na expressão musical
Abastardam o português
Com tanta coisa em inglês
Na prosódia nacional

E o babaca acha legal
“Milk Shake” de cultura
No mundo globalizado
É só essa a impostura
Tudo americanalhado
O resto todo esmagado
Dá nojo esta ditadura

Meu coração não atura
Resiste qual Dom Quixote
À imposição do gigante
Em nós querendo dar bote
Sou mais Monteiro Lobato
Mais que Disney um literato
Que nos legou grande dote

E aqui termino sem mote
Este versinho febril
Falando das fuleiragens
De americano imbecil
Viva minha gente brejeira
E a Cultura Brasileira
Sou muito mais meu Brasil!