sábado, 30 de janeiro de 2010

SONETO AO PAJEÚ


Agradeço aos poetas sertanejos
Por me darem tal presente em poesia
Pajeú pátria mãe da cantoria
Dos trinados de viola benfazejos

Grandes vates improvisos e lampejos
Que fizeram no meu canto a alforria
São José do Egito nalgum dia
Foi-me fonte dos poéticos desejos

E de volta ao Recife ensolarado
Vi meu verso de sertão impregnado
Prosseguindo pelo mundo um menestrel

O meu canto sertanejo adormecido
Acordou-se para sempre enriquecido
Traduzido em torrentes de cordel

SONETO DA ILUSÃO



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E do jeito que me olhaste foi veneno
Foi feitiço que roubou o meu sossego
Cativando coração deste teu nego
Que rendeu-se a sonhar afeto pleno

Mas o mundo pra outro rumo fez aceno
E seguiste qual cigana sem apego
Teu afeto foi presente de um grego
Que aceitou meu coração em tempo ameno

Mas depois sobreveio a tempestade
E o tempo revelou toda verdade
Dissipando ilusão que em nós campeia

O afeto que me deste foi tão bom
Mas foi frágil como enfeite de crepom
Pois no fundo foi só canto de sereia


Recife, 2005.

SONETO AO RECIFE



Quando veio pequenino de outra terra
Uma dama litorânea lhe acolheu
Nos afagos de poesia que lhe deu
E o romance entre os dois nunca encerra

Na cidade que fez nativista guerra
Liberdade que um mártir concebeu
Pois um veio de coragem aí nasceu
E o inimigo vence bate e o desterra

E assim o viajante apaixonado
Pouco a pouco foi ficando transformado
Bem distante do saudoso Cariri

Neste canto de Brasil fez a morada
De Recife sua alma impregnada
Fez seu sonho de cidade ser aqui

SONETO DE CARNAVAL




A cidade acordou viva embalada
Sob os raios mais serenos matinais
Com o som dos clarins dos carnavais
Como onda veio a massa inebriada

Vendo o Galo que acordou de madrugada
Colombina com encantos sem iguais
Foi atrás de Arlequim não voltou mais
E deixou em Pierrô voz embargada

Pierrô fez assim seu triste verso
Colombina encantou-se no universo
Seu amor de carnaval que mais não viu

Em Pierrô desencanto e solidão
Colombina foi-se em meio à multidão
Sem pensar no coração que ela partiu



Este foi o primeiro soneto, o qual fiz no ano de 2005

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

AS PESSOAS DO VERBO

.(poema batizado pelo falecido poeta Erickson Luna)
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Eu me chamo perplexo
Tu te chama medo
Ele se chama fome
Nós nos chamamos reféns
Vós vos chamais de cidadãos
Eles se chamam senhores do mundo

Eu calo e espero a hora
Tu te calas e bebes
Ele se cala e enlouquece
Nós calamos e seguimos
Vós vos calais alienados
Eles se calam conspirando contra todos

Eu ameaço um auto exílio
Tu ameaças um suicídio
Ele ameaça: - é um assalto
Nós ameçamos uma greve
Vós ameaçais até breve
Eles ameaçam de morte

Eu penso em prosseguir
Tu pensas em consumir
Ele pensa em sobreviver
Nós pensamos bem diferente
Vós pensais que sabeis de tudo
Eles pensam que ainda pensam por nós.


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Contemporaneidade

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I
Carlos Pena fosse vivo
Acharia tão ruim
Pois seu velho Bar Savoy
Hoje em dia está assim:

- São trinta copos de chope
- São trinta homens sentados
- Quinze deles são michês
- Os outros quinze os viados
II
Na Marim do Caetés
Seria bem diferente
Pois Bar Savoy lá não tem
Tem Marola lugar quente:

- São trinta copos de chope
- São trinta doidos sem rumo
- Quinze deles quando saem
- Vão ali queimar um fumo

III
No Coque e Joana Bezerra
João de Barros Santo Amaro
Já não são copos de chope
Cujo porre sai bem caro:

- São trinta copos de cana
- São trinta cabras lascados
- Vinte nove quando correm
- Porque um foi baleado

IV
Já na praia do turismo
Carlos Pena chegaria
Entocaria o relógio
Celular e a mixaria:

- São trinta louras geladas
- Na areia a diversão
- Mas ninguém encara a água
- Com medo de tubarão

V
Carlos Pena certamente
Vê tudo isso do além
Na Pracinha do Diário
Bem diferente também:

- São trinta, não bebem chope
- São trinta que enchendo a cuia
- Trinta vezes dez por cento
- E um pastor diz aleluia.

Esse poema começou com uma brincadeira minha há cerca de um ano atrás, encerrei num dia desses em 2008, às gargalhadas, ao lado do meu filho Eduardo numa noite insone em Olinda.
Allan Sales
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mote do poeta Heleno Alexandre em 28 de janeiro

Como lei que mostra a vida
Quem plantar tem que colher
Isso que nos faz saber
Como coisa bem sabida
Toda coisa que vivida
É a lei mais natural
Tem pessoa fraternal
Tem um mau sem ter porém
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Que faz bem ao semelhante
Vai colher sempre ventura
Que semeia de alma impura
Vai colher seu mal avante
Nossa vida todo instante
É uma escolha pessoal
Cabe sim a cada qual
O limite de ir além
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

A pessoa que escolhe
Sua senda e assim seguir
E o que se preferir
Livre arbítrio não se tolhe
Mas quem planta sempre colhe
Vai saber bem no final
Percebendo no geral
Quando seu destino vem
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Lei de causa com efeito
Que falou Allan Kardec
Meu xará mostrou um leque
De opções pra todo feito
Como rio no seu leito
Cada carma é sem igual
Ser humano é animal
Racional que senso tem
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Quem pratica o perdão
Esse vai ser perdoado
O rancor que é guardado
Envenena o coração
Como diz o bom cristão
São Francisco como tal
Teve fé descomunal
E bondade fez também
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL

Somos anjos ou capetas
Dependendo da opção
Pois vai ter a punição
Se quiser fazer mutretas
Vida tem muitas facetas
Tem mistérios e afinal
Nossa paz só é real
Se o amor ela contém
QUEM PLANTA O BEM COLHE O BEM
QUEM PLANTA O MAL COLHE O MAL