quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MENTE CRIMINOSA




Coisas que a teoria nos mostra de forma conseqüente,mas que quando isso ocorre em nossa vida ao vivo e cores as coisas tornam-se avassaladoramente claras. Nesse caso, eu já havia lido acerca do funcionamento de mentes criminosas, uma de suas principais características é a total indiferença do criminoso com relação à vítima, que na visão de gente que tem essa perversão, nada mais é um obstáculo entre o criminoso e o objeto do seu desejo que a vítima pode lhe proporcionar.

Em 2010 eu participava de um projeto do amigo Walmir Chagas, o famoso Véio Mangaba, chama-se banco de feira, um programa de rádio exibido ao vivo dos mercados e feiras da região metropolitana do Recife. Antes disso havia um programa de debates acerca de assuntos de interesse social com temas como violência urbana, educação popular, drogas etc. Depois do debate, a opinião dos presentes nos locais públicos era consultada, de forma que os dois programas se fundiam e ao final uma programação cultural de música ,poesia e tudo mais que a criativa produção pudesse inventar.
Esse programa em questão de que vos falo aconteceu na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, realizado num auditório para uma assistência de pouco mais de cento e cinqüenta detentas, as consideradas de melhor comportamento, instalado no espaço do pátio do presídio um serviço de som transmitindo pras demais o programa gerado por lá.

O que me chamou atenção foram três mulheres presas que o Walmir entrevistou. A primeira, de cerca de quarenta e cinco anos, declarou que estava presa por crime de estelionato que cometera como cúmplice de um namorado vinte anos mais novo que ela, disse que fora influenciada pelo homem e que lesara inclusive pessoas de sua família. Declarou-se convertida a uma igreja evangélica, que era educadora social dentro do presídio e que esperava exaurir sua pena para reintegrar-se de forma digna ao mundo fora da cadeia. Sóbria, centrada, fala bem articulada,demonstrou sinceridade em seu arrependimento.

A segunda, muito nova com menos de 25 anos, com um bebê de quatro meses que tivera ali mesmo na colônia penal, fora presa por tentar levar entorpecentes para seu companheiro no presídio Aníbal Bruno. Contou que fazia teatro, era poetisa e pediu para encenar um monólogo de sua autoria, coisa que fez super emocionada, arrancou aplausos esfuziantes de suas colegas e algumas lágrimas de outras, ao final, ela desabando em choro dizia que seu maior desejo era cumprir sua pena, sair daquele lugar e educar seu bebê. O próprio Walmir em clima bem paternal a consolou ali mesmo nesse momento por demais tocante.

A terceira, devia ter perto de cinqüenta anos, vestida de calça jeans bem apertada rasgada nos joelhos, cheia de tatuagens nos dois braços, vestia uma camiseta cavada , e tinha os cabelos em três cores: louro de tintura, preto original e outros fios grisalhos. Walmir resolveu em clima jocoso entrevistar a veterana das presidiárias, perguntou pra ela:- e você, que deve ser mais madura delas, o que fez para estar aqui? Ela, com ares bem cínicos disse:- é a quinta vez que sou presa, acontece que quando estou lá fora, quando vejo alguém com um carro novo e bonito, eu penso logo que o carro é meu, boto uma arma na cabeça e arrasto. Disse isso com tanto prazer e tanta falta de noção, que na hora o produtor mandou por um comercial no ar e dar um intervalo, dado o grau de mal estar que essa criatura causou no ambiente que estava num clima elevado pelos dois emocionados e sinceros depoimentos das duas mulheres que falaram antes.

Foi nesse dia que eu finalmente conheci em pessoa uma mente criminosa, isenta de culpas e remorso de tudo que faz, temos isso em todos os estanques da sociedade, os piores vestem terno, tem mandatos parlamentares, comandam igrejas caça níqueis, publicam nojeiras em mídias vendidas e calhordas, posam de guardiães da democracia e querem vender o Brasil com o povo dentro dele.

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