sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Efeitos colaterais da cachaça

Todo cabra cachaceiro é corajoso
Toma porre depois fica bem afoito
Azarando um dragão e faz o coito
E nem nota quanto foi defeituoso
Noutro dia ele acorda preguiçoso
De ressaca reza pra Ave Maria
Não bebesse essa merda não faria
Em mocreia por aí meter a peia
Eu de porre não deitei com mulher feia
Eu apenas acordei no outro dia

Vai surtar quando acorda vê do lado
Deus do céu o que fiz com minha rola
Ela acorda satisfeita e quase tola
Com olhar bem meloso apaixonado
Você olha pro dragão bem assustado
Mas mandou bem demais na putaria
Ela pensa que não fica pra titia
Por você os pneus que tem arreia
Eu de porre não deitei com mulher feia
Eu apenas acordei no outro dia

Na refrega no escuro e na manguaça
Muito nego fudeu com cada troço
Requenguela demais eu que não posso
Me lembrar quando eu bebi cachaça
Mulé feia cabra macho chega e traça
Bonitinha até fresco comeria
Goza nela e até faz sodomia
Se ela tem um corpinho de sereia
Eu de porre não deitei com mulher feia
Eu apenas acordei no outro dia

Imagens garimpadas na internet com poema visual adaptado de Allan Sales.




Vendo imagens tão bizarras
Um escroto bem sincero
Vendo obesos dos dois lados
Ele joga é esse lero
Que esse monte de gordura
Mas parece uma escultura
Que de porre fez Botero

ALLAN SALES

Por isso me orgulho de ser nordestino




Imagem bonita das terras distantes
Vaqueiro cavalo no solo tão quente
A luta do povo que se faz presente
Nas terras tão pobres que dão retirantes
Vaqueiros tão bravos, sertão, são infantes
Do gado correndo atrás tangerino
Sertão e Brasil assim que defino
Nordeste primeiro Brasil foi Nação
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Vaqueiro nas terras tão secas da gente
Enfrenta com raça espinhos da vida
Caatinga com gado cavalo na lida
Assim fala o verso cordel de repente
Na lida do gado vaqueiro valente
A rês quando foge e ouve seu sino
Atrás ele corre com força com tino
A rês arredia que acaba no chão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Sertões brasileiros com necessidade
Vaqueiros na terra também lavradores
A terra na mão de poucos senhores
Arribam com fome inchando a cidade
No sonho da volta pra sua verdade
Sertão o torrão tão seu genuíno
Nordeste arribado de irmão peregrino
Vaqueiro sem laço cavalo e gibão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

O povo das terras tão secas madrastas
Enfrenta com raça agruras que tem
Resiste transforma com pouco vintém
Na terra injusta dividem por castas
As fomes gerais aí são nefastas
Se a água não corre perece o suíno
Resiste e agüenta rebanho caprino
Quem sabe se muda com transposição
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Nos veios da terra a água não corre
A chuva demora e chega mirrada
O gado com sede vagueia na estrada
A prece sentida se Deus lhe socorre
A chuva se chega na terra escorre
E cria um veio mirrado tão fino
Mas dá pra nascer a roça eu atino
Que o povo da gente daqui tem noção
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Sertão nordestino é voz de cultura
Repentes violas nas feiras cordéis
As vozes do povo ditando papéis
De tempo presente pra era futura
Poeta no verso repente fulgura
Na verve do verso certeiro e ferino
Poeta de fé tem cunho ladino
Não perde uma rima em todo quadrão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Baiões e xaxados os xotes brejeiros
Sanfonas com foles na verve Gonzaga
Nordeste da gente aí se propaga
Nos cantos dos nossos poetas fagueiros
Que trazem no fole seus cantos brejeiros
Galopam seus foles tal qual um eqüino
Escala perfeita deu fole dá trino
Do modo bonito que fez Gonzagão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Nas feiras da terra jabá macaxeira
Cuscuz alfenim também rapadura
Cachaça da boa que dá é loucura
Buchada de bode pirão de primeira
Umbus frutos doces da terra brejeira
Bonecos de barro que fez Vitalino
Cordel a contar quem foi Virgulino
Quem foi Padim Ciço na sua visão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Orgulho de ser um filho do Crato
Aqui no Recife eu fiz meu lugar
Nordeste de luta eu vejo brilhar
No verso no toque viola dou trato
Se brigo valente não deixo barato
Pois ser um guerreiro é o meu destino
Aqui nesta terra eu desde menino
Me fiz um poeta em verso e canção
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Orgulho de ser também cordelista
Tocando nas cordas sou compositor
Do verso da terra virei inventor
E desde novinho sou violonista
Por hora um ateu já fui kardecista
Não gosto de cabra safado e suíno
Nem gente escrota no verso fulmino
Não voto em reaça canalha e ladrão
São tintas que pintam a cor do sertão
Por isso me orgulho, de ser Nordestino

Salve Wando




Esse Wando um fodão
Um bregueiro rei do pega
Se falou trepou de menos
Mas cantou muita refrega
Não vai ver o fogo eterno
Heavy Metal é som do inferno
Vai pro céu, o céu que é brega¬¬

Lá no céu não tem bodega
Do pau oco tem santinhos
E com bundas bem rosadas
Querubins lindos anjinhos
Com asinhas emplumadas
E bundinhas empinadas
Mais parecem viadinhos

Crentes alucinadinhos
Cabaçudas de convento
Muito culto muita missa
Esse é o divertimento
Se deixar é mau presságio
Bispo Edir cobra pedágio
Pra entrar é dez por cento

Wando leva o instrumento
Empunhando o violão
E São Pedro traz um vinho
Pra comer sardinha e pão
Vai pedir pra tocar “Ouça”
Mas o Wando toca “Moça”
E depois fogo e paixão

Não amai pela beleza/Pois um dia ela termina

A beleza é atrativa
Tem princípio meio e fim
Pra você e para mim
Toda criatura viva
A idade é corrosiva
Nosso tempo determina
Climatério que culmina
Disso nós temos certeza
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

A beleza é um conceito
Que depende da cultura
Bela toda criatura
Que nos lembra o perfeito
Muito corpo tem defeito
Vaidade é tão ladina
Masculina ou feminina
Variando de grandeza
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

E você mulher bonita
Que desfila qual gazela
O feitiço que revela
Muita coisa que não dita
A beleza assim descrita
Como veio numa mina
O que é belo então defina
Um princípio a incerteza
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

As feias que me perdoem
Beleza é fundamental
O Vinícius afinal
As palavras dele soem
Muito embora que destoem
Do real que a vida ensina
Mulher bela que domina
Faz de hormônio a correnteza
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

Com o peso da idade
Cai de tudo na mulher
Da cabeça até o pé
É a lei da gravidade
Bisturi usa à vontade
E quer parecer menina
Mas não dá adrenalina
Nem na rola dá dureza
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

Ela então estica tudo
Fica com boca de pato
Nova não fica de fato
Usa um busto peitudo
A ciência faz estudo
Essa tal de medicina
Ela então se recombina
Pra dar uma de princesa
Não amai pela beleza
Pois um dia ela termina

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Estrofe para Lucélia Leal




Na manhã não tão distante
De onírica visão
A rainha de uma raça
Despertando a emoção
Eu ali me abestalhando
E de longe admirando
Flor nativa do sertão

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Também morre a humanidade/Quando fere a natureza



O homem é um animal
Que pensa ser diferente
Bicho é bicho, gente é gente
Ele é um ser racional
O seu mundo industrial
Ele acha uma beleza
Mas o homem tem tristeza
E não aceita a verdade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Polui o rio e mata
Destrói o ecossistema
O progresso é o seu lema
Pois quer viver na mamata
Seu progresso desacata
Só acumula a riqueza
E põe bilhões na pobreza
Produz a desigualdade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Prosseguem neste caminho
Pondo bicho em extinção
Nesta nefasta ação
Virou um bicho daninho
Tornou-se um ser mesquinho
Acumula com avareza
Pra destruir tem destreza
Não repõe nem a metade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

O Brasil foi Pindorama
Paraíso original
O Brasil colonial
Destruindo o panorama
A natureza viu drama
E do branco virou presa
E o índio com surpresa
Ao ver tanta crueldade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Índios, milhões no Brasil
Trezentos mil hoje em dia
De tanta mata que havia
Muita coisa já sumiu
Em todo canto erigiu
De concreto a fortaleza
E pra por o pão na mesa
Usam veneno à vontade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Amazônia dá seu grito
Grita também pantanal
A destruição geral
Deixa o mundo aflito
Muito protesto foi dito
Mas reagem com dureza
Com quem saiu em defesa
Da bio diversidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Caminhamos para onde?
Com tanta destruição
O deus dólar é a razão?
Que a tudo isso responde?
O responsável se esconde
Dá desculpas com torpeza
Não existe vida ilesa
A tanta voracidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza

Respeitando toda a vida
Salvaremos toda a Terra
Corrigindo o que se erra
Com a voragem desmedida
Se a lição for aprendida
Demonstramos esperteza
E veremos com clareza
Que não há dualidade
Também morre a humanidade
Quando fere a natureza