quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

BRASIL DOS PACHECOS



baseado em personagem de Eça de Queirós

Neste cordel, feito por sugestão do jornalista Bráulio Brilhante, fala acerca do Mané e do Pacheco, personagem de Eça de Queirós que vive da imagem falsa que faz para os incautos que se deixam levar pelas aparências.

I
Brasil dos usurpadores
Brasil das monoculturas
Brasil tantas ditaduras
Brasil dos enganadores
Brasil compadres favores
O Brasil dos sem vintém
Brasil do povo aquém
Brasil da lama nos pés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
II
Qual Pacheco do Queirós
Muita gente que age assim
É tanta mente chinfrim
Aliada de um algoz
Voracidade feroz
Cara de pau vai além
Bacharéis sem ter porém
Exigindo rapapés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
III
O Brasil das aparências
O Brasil das ilusões
Brasil das televisões
O Brasil das audiências
Brasil das conveniências
Brasil nem lastro contém
O Brasil que lhes convém
Marinhos abravanéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
IV
Os Manés trabalhadores
Os Manés massificados
Os Manés subletrados
Os Manés vis eleitores
Os Manés consumidores
Os Manés que vão e vem
Os Manés com Deus também
Os Manés de todas fés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
V
Os Pachecos pregadores
Os Pachecos salvação
Os Pachecos com cifrão
Os Pachecos conversores
Os Pachecos salvadores
Os Pachecos são ninguém
Os Pachecos são alguém
Os Pachecos bacharéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VI
Os Manés com crediários
Os Manés que tem cartão
Manés com televisão
Os Manés brevê de otários
Atrás Pachecos falsários
Aos quais atenção atem
E vão tomar no sedem
Na ilusão dos anéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VII
Os sabidos e os lesados
A caça e seu predador
A platéia e seu ator
Os gestos dissimulados
Aos seus toscos predicados
Os tolos dizem amém
Quem de Pacheco é refém
São hordas de pangarés
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
VIII
São Pachecos encenando
Pseudo sabedoria
Vendendo tal fantasia
Vai este circo armando
Com a fama angariando
Boatos pra mais de cem
Quem embarca nesse trem
Vai ter surpresas cruéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
IX
O seu verbo é parecer
Tradução do enganar
Assim ao tolo encenar
Pra o engodo conceber
Esse aí nunca vai ser
Nada muda se intervém
Da mentira traz seu gen
Não vale dobrão de réis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
X
Pacheco quer ter sucesso
Pacheco quer ser famoso
Pacheco posa garboso
Pacheco quer ter acesso
Pacheco não é confesso
Pacheco quer tem harém
Pacheco a comer xerém
Pacheco que ter fiéis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
XI
O Mané quer ter vantagem
O Mané ambicioso
O Mané sempre guloso
O Mané só na viagem
O Mané come lavagem
O Mané algoz mantém
O Mané fica neném
Ser Mané é seu víeis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem
XII
Bráulio Brilhante brilhou
Ao mostrar coisas de Eça
Gente porca que professa
Como Pacheco engendrou
Brilhante Bráulio mostrou
De saber um armazém
Um jornalista tão zen
Nos saberes seus lauréis
Neste Brasil dos Manés
Só Pachecos se dão bem.

BOSSA NOVA EM CORDEL



(1)
Foi no Rio de Janeiro
Final dos anos 50
Que surgiu a Bossa Nova
Um novo som apresenta
Tom Jobim João Gilberto
Baiano pra lá de esperto
Nova batida inventa
(2)
O samba se reinventa
Neste toque sincopado
Com acordes dissonantes
E um modo sofisticado
Mas não gostaram os puristas
Com ouvidos chauvinistas
Novo som é criticado
(3)
O samba reinventado
Batizado Bossa Nova
Descoberto mundo afora
Que ouve gosta e aprova
Carnegie Hall grande show
Que a bossa consagrou
Nossa canção se renova
(4)
Vinícius tão bom de trova
A Garota de Ipanema
Também “Chega de Saudade”
Wave é som poema
Assim “O Baquinho” vai
Do Brasil um som que sai
A bossa sonoro tema
(5)
Bossa é coisa de cinema
A musa Nara Leão
Menescal Carlinhos Lyra
Um cantinho um violão
O Pato, Desafinado
Tom Jobim seu Corcovado
Johny Alf outro cobrão
(6)
Musical renovação
Do nosso cancioneiro
Conquistando o mundo todo
O coração brasileiro
Permanece a influência
Na musical consciência
Nosso Tom foi pioneiro
(7)
Movimento pioneiro
Colocando meu Brasil
No cenário mundial
Como antes não se viu
Ainda hoje ecoando
O que veio renovando
A Bossa Nova eclodiu
(8)
Hoje a mídia sucumbiu
A toda mediocridade
A Bossa Nova de fora
É uma calamidade
O Brasil e seu talento
E o seu melhor invento
De fora é temeridade
(9)
A artística verdade
O talento verdadeiro
Que aqui se revelou
Bossa Nova vem primeiro
Revelou-se para o mundo
Nosso valor mais profundo
Bossa Nova por inteiro
(10)
Foi o fato alvissareiro
Musical evolução
Com os acordes do jazz
E do samba a pulsação
Um produto cultural
Pra deleite universal
De genial invenção
(11)
A brasileira canção
Foi revolucionada
Modernizada prossegue
Magistralmente criada
Grande maestro Jobim
E seu talento sem fim
Uma alma iluminada
(12)
A poética inspirada
De Vinícius de Moraes
O lirismo o sentimento
Esqueceremos jamais
Bossa Nova seu poeta
Seu inspirado esteta
Nas estradas musicais
(13)
A Bossa Nova é de paz
É suave melodia
É plena de sentimento
De grandiosa harmonia
Segue em nós impregnada
Para sempre preservada
Sua envolvente energia
(14)
Coisa boa que se cria
Merecia outros destinos
O mercado fonográfico
A cometer desatinos
Nós devemos preservar
A Bossa Nova ensinar
Às meninas e aos meninos
(15)
Sentimentos genuínos
A Bossa Nova surgiu
Ecoa pelo futuro
Na alma de quem ouviu
Vai reinando magistral
O tesouro musical
Da bossa do meu Brasil

RESPONDENDO AO POETA MINEIRO NAS SEXTILHAS TIRANDO SÍLABAS, NO ORKUT

Viajar ó meu poeta
Assim um verso assinas
Ao propor novo roteiro
As vontades determinas
Assim chego nas Gerais
Sem “deter” indo pra Minas

Como pedras cristalinas
Um poema por um fio
Nas praias do litoral
Farreando em desvario
Nas águas da Guanabara
Sem o “desva” vou no [Rio]

Na viola dou um pio
Do poema subo a rampa
Posso até ir no Tibete
Comer lá a tal Tsampa*
Como Lobsog disse
Tiro o “t” e vou em Sampa

Ou então até o pampa
Ou terras do Canindé
Nessa terra do tupi
Onde tem Tatuapé
Não tem tatu tatuado
Sem “tatua” fica a pé

Ou então até o pampa
Ou terras do Canindé
Nessa terra do tupi
Onde tem Tatuapé
Não tem tatu tatuado
Sem “tatua” fica a pé

Patativar o Assaré
Monteirizar Paraíba
Pajeuzar Lourival
Caririzar João Furiba
Com Cariri Pajeú
Tira o “fu” com tudo em riba

…( * ALIMENTO BÁSICO DO POVO TIBETANO)

PELEJA GEOGRÁFICA PELO MSN



PELEJA: Heleno Alexandre (Sapé-PB) & Allan Sales (Recife-PE) pelo MSN em 04/12/08.

( Mais uma do repentista e o cordelista)

HELENO
DUAS CIDADES GIGANTES
RECIFE E FLORIANÓPOLIS
HOJE EM DIA SÃO METRÓPOLES
AS QUE ERAM VILAS ANTES
TEM DEZ MILHÕES DE HABITANTES
HOJE O PAÍS DA HUNGRIA
SESSENTA E SEIS NA TURQUIA
TRÊS MILHÕES NO PANAMÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
E QUEM CONHECE A SUÍÇA
ESSA TEM VÁRIAS NAÇÕES
OS SEUS CHAMADOS CANTÕES
QUE ALEMÃO COME LINGÜIÇA
QUE PORTUGUÊS CURTE MISSA
ONDE FICA ALEXANDRIA
QUE SUÉCIA É BEM FRIA
SABE ONDE É MADAGASCAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
QUEM QUISER PASSAR DE ANO
E NAS NOTAS VER UM PERIGO
APRENDA TUDO QUE EU DIGO
QUE DIZENDO EU NÃO ENGANO
NO SERTÃO PARAIBANO
TEM SOUSA E SANTA LUZIA
ITABUNA É NA BAHIA
E O CRATO É NO CEARÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
O POETA SABE TANTO
ONDE É JORDÂNIA EGITO
A CHINA COM SEU ESCRITO
EM ANGOLA O POVO BANTO
NA ITÁLIA O BELO CANTO
TEM ÓPERA E MELODIA
NO JAPÃO GRANDE QUANTIA
DE IENES PRA SE GASTAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA


HELENO
PRA PROTEGER A DIVISA
SE USA SISTEMAS MÍSTICOS
PARA DADOS ESTATÍSTICOS
IBGE FAZ PESQUISA
QUEM NÃO SABE MAS PRECISA
SABER O QUE É A CIA
VÁ NA MINHA CANTORIA
QUE VOCÊ APRENDERÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
VAI ATÉ A BORBOREMA
AO VALE DO CARIRI
PRO SERTÃO DO PIAUÍ
NO CERRADO QUE TEM EMA
VAI PRA PARANAPANEMA
POR CERRADO E TODAVIA
NA AMAZÔNIA QUE CHOVIA
NOS CAMPOS DO PARANÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
TEM DEZENAS DE PARTIDOS
NA POLÍTICA BRASILEIRA
O ROMANCE A BAGACEIRA
ATÉ HOJE UM DOS MAIS LIDOS
QUE OS ESTADOS UNIDOS
ESTÁ EM CRISE HOJE EM DIA
COMO É NA ECONOMIA
HÁ RISCOS DE VIR PRA CÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
POETA GEOGRAFANDO
SEU POEMA QUAL LIMEIRA
ENSINA A LIÇÃO INTEIRA
GEOGRAFA E INVENTANDO
INVENTA VAI VERSEJANDO
FALA DA TOPOGRAFIA
DO RELEVO E DA ETNIA
QUANTO CHOVE NO LUGAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
QUATRO PONTOS CARDEAIS
NORTE SUL LESTE E OESTE
DOIS ESTADOS DO SUDESTE
SÃO PAULO E MINAS GERAIS
GOVERNADOR DE GOIÁS
ALCIDES TRABALHA EM DIA
DAS FILIAIS DA SADIA
TEM UMA NO PARANÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
OS CLIMAS TÃO VARIADOS
QUE EXISTEM NO BRASIL
AS FLORESTAS CORES MIL
OS VEGETAIS QUE PLANTADOS
AS CAPITAIS DOS ESTADOS
ONDE TEM A HIDROVIA
COMO SE GERA ENERGIA
NAS TURBINAS NO PARÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

HELENO
É CINQÜENTA E OITO MIL
E CEP DE JOÃO PESSOA
POR MUITO TEMPO LISBOA
SUBESTIMOU O BRASIL
CANTOR É GILBERTO GIL
ATRIZ É NÍVEA MARIA
IRMÃ DULCE DA BAHIA
PRA MUITOS VIVA INDA ESTÁ
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

ALLAN
ISSO É QUE GEOGRAFEIRO
DA PAISAGEM HUMANA
SEU HELENO TÃO BACANA
REPENTISTA E VIOLEIRO
PARAÍBA POR INTEIRO
ZÉ LIMEIRA VIU NUM DIA
EM SAPÉ FEZ CANTORIA
CANSOU DE GEOGRAFAR
O POETA TAMBÉM DÁ
UM SHOW EM GEOGRAFIA

sábado, 6 de dezembro de 2008

Peleja de repentista com cordelista : Heleno Alexandre (Sapé-PB) & Allan Sales (Recife-PE)



ALLAN
O negão está eleito
Estudou é gente fina
Tio Sam que faz rapina
Avilta tanto direito
O Obama fez um feito
Deseja que algo mude
O império sem saúde
Numa crise do estupor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Mesmo sendo democrata
Mas não liga pra partidos
Que os Estados Unidos
Tem crise na sua ata
Para acabar não tem data
Sem que ninguém lhe ajude
Obama na juventude
É quem vai ser salvador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Quer seus modos militares
A mandar coisas no mundo
O abismo tão profundo
A pobreza em tantos lares
Miséria tantos lugares
Um sistema cego e rude
Liberdade no ataúde
Israel é seu feitor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Obama ganhou após
Um pleito muito acirrado
quem tinha o discriminado
Teve que baixar a voz
Criado pelo avós
Com a barriga no grude
Seu avô dizendo estude
Que o futuro é promissor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
Obama cabra sabido
Democrata com certeza
Mas mantendo na defesa
Um falcão empedernido
O Tio Sam que tem sido
Um buraco num açude
Obama tem negritude
Mas não leva tal andor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
O seu pai fui queniano
A mãe norte-americana
Ann que quer dizer Ana
A mãe do americano
Dizendo eu não me engano
Estudou na Juventude
Políticas pra não ser rude
Antes de ser senador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

ALLAN
A mulé do garanhão
O tal "Biu" da estagiária
Que vai ser a secretária
De estado no negão
Mas tem general falcão
No banco Deus nos ajude
O dólar virando grude
Milico é torturador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

HELENO
Nasceu em sessenta e um
No dia quatro de agosto
Cresceu levando no rosto
Sol da manhã em Jejum
Foi um garoto comum
Porém com muita saúde
E sua maior virtude
Fui ter sido um sonhador
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude
ALLAN
Esse cabra que elegeram
Pra fazer a tal mudança
Mas será que ele avança
Das merdas que se meteram?
No Iraque que encheram
De morte e de “fast food”
Isso não é “roliude”
E ele não é ator
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude
HELENO
Em Colúmbia ele estudou
Mesmo debaixo de críticas
Cursou Ciências Políticas
Em Direito se formou
Para o mundo ele mostrou
Que tendo quem lhe ajude
A América não se ilude
Com dicas de impostor
Pode até mudar de cor
Mas não muda de atitude

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Quem vota em cabra safado / Assina um cheque pro Cão



I
Quem vota errado detona
É um ser sem consciência
Vender voto tal demência
Bota seu voto na lona
O poder virando a zona
Reino da corrupção
Transparência não tem não
No fim o povo é ferrado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
II
Quem vota sem ver a vida
O passado de um sujeito
Vai eleger neste pleito
Uma alma empedernida
Não tem volta só tem ida
Ao eleger tal ladrão
Pois tem alienação
Eleitor desinformado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
III
Recebe os seus presentes
Vende barato no fim
Seu voto vira chinfrim
Votando nos indecentes
As pessoas mais carentes
Nos guetos da exclusão
Vivendo na precisão
Vendem seu voto ao danado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
IV
Vota em cabra mentiroso
Safardana e traidor
Que se esquece do eleitor
Vai pro banquete o guloso
Tem muito cabra seboso
Por aí na eleição
Que engana o cidadão
Com gesto dissimulado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
V
Promete pra não cumprir
Se não tem um compromisso
No poder virando omisso
Contra o povo decidir
Tem o dom de iludir
Mente na televisão
Seu falar toda ilusão
Pra eleitor abestalhado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VI
Usa o poder do dinheiro
Distribuindo favores
Os seus colaboradores
São do bando mais fuleiro
Satanás é seu parceiro
Agente do cramulhão
Votar vendido é em vão
E quem o faz um coitado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VII
São os vermes no poder
Piratas de toda cor
Com discurso enganador
Pro povo não perceber
Seu engodo conceber
Seu ardil na falação
Parasitas da Nação
Poder desmoralizado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
VIII
Oferecendo um céu
Pra depois virar inferno
Usando seu fino terno
Roubalheiras pra dedéu
Fazendo tosco escarcéu
E nem aí pro povão
Esconde sua intenção
Pra enganar o abestado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
IX
São porcos no parlamento
Capatazes dos patrões
As propinas são milhões
Mentira seu instrumento
Quem vota num lazarento
Vai ter a decepção
Ele nega dar a mão
Depois de ser diplomado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
X
Consciência é o remédio
Pra não votar num vampiro
Saber passado eu prefiro
Pra detonar todo assédio
E por abaixo seu prédio
Detonar a enrolação
Do povo é a decisão
Pra ir em rumo acertado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
XI
Ver apoios da campanha
Quais interesses defende
Querer saber não ofende
Pra evitar tanta manha
Se um canalha assim ganha
Vai ser uma perdição
Quem vota com pé no chão
Elege um cabra honrado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão
XII
O poeta aqui opina
Pra ver seu povo desperto
De olho no porco esperto
Pra ver mudar sua sina
Não votar mais na rapina
Fazer a transformação
Se não faz revolução
Dar voto certo é arretado
Quem vota em cabra safado
Assina um cheque pro Cão.

sábado, 2 de agosto de 2008

NAQUELE DIA EU BROCHEI



I
Dia de segunda-feira
Eu sempre naquele bar
Lá no Pátio de São Pedro
Pra minha turma encontrar
Como eu os trovadores
De violão tocadores
Só coisa boa a tocar
II
“Meu Refúgio” era o lugar
Onde meu povo ficava
Um deles no cavaquinho
Belos chorinhos tocava
Sem claque de auditório
O talentoso Tenório
Ali nas cordas mandava
III
Ali do lado eu estava
Duas mulheres entraram
Uma coroa e uma nova
E bem do lado sentaram
Ouvindo o nosso som
Acho que acharam bom
Pediram se aproximaram
IV
Meus olhos então brilharam
A mais nova assim chegou
Pediu uma do Roberto
E esse poeta tocou
Era sim muito vistosa
Bem feita e muito gostosa
O cabra aqui se ligou
V
Meu amigo nos deixou
Teve que sair embora
Despediu-se educado
Pegou a reta pra fora
Foi cuidar das coisas suas
Eu ali com essas duas
Duas da tarde era a hora
VI
E assim sem mais demora
A coroa foi também
Eu ali com a mocinha
Pensando: vou me dar bem
O clima foi esquentando
Eu proseando e cantando
Conversa vai também vem
VII
Eu tinha algum vintém
Dava pra gastar direito
Aquela mulher bonita
Belas coxas e cada peito
Fazendo chamego nela
Uma e outra pegadela
E a coisa pegando jeito
VIII
Ela ajeita, eu ajeito
A moça me convidou
- Vamos pra um lugar “mais calmo”?
Meu pau na calça pulou
Era pra um restaurante
Dali não muito distante
No AIP que rolou
IX
A gente ali chegou
Vixe que vista bonita
Eu chamegando com ela
Com xaveco e rola aflita
Tasquei-lhe um beijo arretado
De língua doido e molhado
Tesão que coisa bendita
X
Saudade da periquita
Eu num atraso do cão
Algum tempo separado
Com muitos calos na mão
Eu ali fungando junto
Ela mudou de assunto
Foi dando uma explicação
XI
- Escuta aqui ô paixão.....
Disse ela bem manhosa
Hoje é segunda-feira
Dia de ser preguiçosa
Nesse dia não trabalho
Eu passeio, durmo ou malho
Ou bebo loura espumosa
XII
E continuou dengosa:
- Achei você tão legal
Educado e carinhoso
Etc. coisa e tal
Mas lá onde eu “batalho”
Pro cabra quebra seu galho
Eu cobro é “cinqüenta pau”
XIII
De você “vinte real”
É quanto que vou querer
Eu fui com a sua cara
Tocou pagou pra eu beber
Aí, tudo acabaria
Como ducha de água fria
Na chama quente a arder
XIV
-“Onde nós vamos meter?”
Disse assim bem desbocada
Eu disse: -mudei de idéia
Ela ficou bem irada
Deixe de ser pirangueiro
Eu vi, você tem dinheiro
Carteira bem recheada
XV
Eu disse pra essa danada
Menina veja o coroa
Descasado e tão carente
E vendo mulé tão boa
Eu pensei ter conquistado
Mas iludido e abestado
Imaginei coisa à toa
XVI
Olhe pra minha pessoa
Bonito, forte e sabido
Não preciso pagar gente
Pra aliviar tal libido
Menina linda me escuta
Se eu quisesse prostituta
Noutro lugar tinha ido
XVII
Eu ali sem alarido
Veja que situação
Eu pensei ser bola cheia
Mas no fim outra ilusão
Romance ali? Que nada
Encontrei uma folgada
Quenguinha por profissão
XVIII
Ela vendo eu dizer não
Dizendo não me entender
Como que um cabra macho
Desistindo de fazer
Com desconto e bem barato
Amor barato de fato
Impropérios foi dizer
XIX
- Que cabra frouxo é você?
Correndo duma mulé
Coitada não entendia
Como a coisa toda é
Na mesa do lado estava
Outro cabra que escutava
Ouvindo de orelha em pé
XX
Chamei garçom Seu José
Pra minha conta pagar
O cabra de olho nela
Eu disse: - pode encarar
Ela se foi ligeirinha
Pra mesa dessa morrinha
Ali pra negociar
XXI
Eu fiquei a matutar
Um pensamento na mente
Deixe a moça e o cabra
Fornecedora e cliente
Na profissão mais antiga
Mas procurar rapariga
Quem for macho incompetente
XXII
Quero uma trepada decente
Na vida assim me toquei
Não recrimino quem busca
Mas outra meta eu tracei
Fiquei sem gás, nem pra bronha
E conto aqui sem vergonha
Naquele dia eu brochei
XXIII
Com putas muito transei
Quando era mais menino
Não sabia me virar
Era sem graça e franzino
Mas depois melhoraria
De outro modo faria
Teria outro figurino
XXIV
Assim o verso eu termino
Palavras aqui não somem
Você que faz como quer
Dilemas que nos consomem
Ô perguntinha mais tola
O homem que tem a rola?
Ou ela é que tem homem?